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21 de agosto de 2012

Grupo de ex-usuários de drogas usa arte para alertar jovens e autoridades



Chamar a atenção dos órgãos governamentais e da sociedade para problemática das drogas é a intenção de um grupo de teatro formado por três usuários em tratamento de dependência química no Centro de Atenção Psicossocial  (CAPSad  III), órgão do Governo do Estado que funciona no bairro da Torre, em João Pessoa.

O serviço presta atendimento às pessoas com transtornos mentais graves e persistentes, podendo também atender portadores de necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas.

De acordo com o coordenador do grupo,  criado há quatro meses, o psicólogo e arte-terapeuta  Ricardo Guedesa, o trio surgiu a partir da necessidade e da vontade de cada um dos integrantes  de abandonar as drogas. Uma das peças do grupo é “Os Nois de Nós”, que mostra a problemática do vício, e será apresentada nesta quinta-feira (23) durante a 1ª Semana Cultural do CAPSad III.

Acompanhamento – Os integrantes estão em tratamento no centro há meses, participando de oficinas e outras atividades que os ajudam a combater o vício. Eles tiveram uma carreira profissional brilhante, mas deixaram tudo para trás para viver no mundo das drogas e hoje estão tentando se recuperar e voltar à vida profissional e em sociedade.

Desafio – Ricardo Guedesa disse que um dos grandes desafios é mostrar para a sociedade que nem todo usuário de drogas é criminoso. “Somos de acordo que cada um tem que pagar pelo crime que cometeu, mas paralelo a isso eles têm que receber atendimento e tratamento para se livrar do vício, e não serem jogados nos presídios sem nenhuma atenção. Para isso é necessário construir e implantar políticas públicas de saúde”, disse o psicólogo.

Ele explica que muitas vezes a pessoa envereda pelo mundo das drogas por causa de conflitos sociais e familiares, e para se livrar do problema tenta fugir em busca de uma solução, usando a bebida e as drogas como resposta. Segundo o psicólogo, a família desempenha um papel importante na luta contra as drogas, dando mais atenção, carinho e conversando com os filhos.

Os integrantes do grupo de teatro usaram drogas por mais de dez anos. Um deles conta que trabalhava como representante comercial e largou o emprego, enquanto outro atuou na área cultural e abandonou a carreira. A mulher disse que era casada e abandonou a família. “A vida é muito mais interessante sem as drogas”, sintetizou um dos usuários.