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Governo realiza testes e ações educativas no Dia Nacional de Prevenção da Hanseníase

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014 - 16:40 - Fotos:  Roberto Guedes / Secom-PB

O Governo do Estado, por meio de ações do Complexo Hospitalar de Doenças Infectocontagiosas Clementino Fraga (CHCF), realizou nesta sexta-feira (24) atividades educativas e preventivas em alusão à Campanha Nacional de Prevenção da Hanseníase. Uma tenda foi armada no Parque Sólon de Lucena (Lagoa) e durante toda a manhã uma equipe do hospital realizou testes para detecção da doença, além de verificação de pressão arterial e de glicemia, atendendo um público de aproximadamente 500 pessoas.

De acordo com a assistente administrativa do Clementino Fraga, Thaísa Fidelis, as pessoas chegam ao local apenas para aferir a pressão e, então, após a explicação da equipe, o interesse da população sobre hanseníase é despertado. “Muita gente nem sabe o que é a hanseníase e quando chegam aqui elas procuram conhecer a doença e as alternativas de tratamento. Algumas pessoas já têm a doença e nem fazem ideia, porque geralmente aparece algo como uma manchinha que já estava sendo tratada em casa de uma maneira errada, com uma pomada ou algo assim”, relatou.

Thaísa lembrou que, caso o diagnóstico seja positivo, o paciente é encaminhado para o Clementino Fraga, onde será feita uma avaliação com a dermatologista e seja iniciado o tratamento.

Givanildo Monteiro, 38 anos, foi um dos que passou pelo local para, além de verificar a pressão, ajudar a divulgar informações sobre hanseníase. Ex-portador da doença, ele passou um ano em tratamento para cura e outros seis tratando das sequelas. O longo tratamento foi devido ao diagnóstico tardio da doença, o que levou Givanildo a divulgar informações sobre a hanseníase. “Quando eu descobri que tinha a doença, já estava com os pés cheios de úlceras, e não fazia ideia do que seria. Antes não tinha tanta divulgação e por isso era muito difícil. É preciso divulgar, pois muita gente ainda pensa q a hanseníase não tem cura e o preconceito ainda é muito grande. E eu sou a prova da cura”, explicou.

Doença – A hanseníase é uma doença infecciosa e atinge a pele e os nervos dos braços, mãos, pernas, pés, rosto, orelhas, olhos e nariz. O tempo entre o contágio e o aparecimento dos sintomas é longo, variando entre dois e cinco anos. É importante que, ao perceber algum sinal, a pessoa com suspeita de hanseníase não se automedique e procure imediatamente um serviço de saúde.

É preciso observar manchas esbranquiçadas, avermelhadas ou amarronzadas em qualquer parte do corpo e áreas da pele que não coçam, mas que causam a sensação de formigamento e ficam dormentes, com diminuição ou ausência de dor, da sensibilidade ao calor, ao frio e ao toque.

Todos os casos de hanseníase têm tratamento e cura. A doença pode causar incapacidades físicas, evitadas com o diagnóstico precoce e o tratamento imediato, disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS). O tratamento, gratuito e eficaz, pode durar de seis a doze meses. Os medicamentos devem ser tomados todos os dias, em casa, e uma vez por mês no serviço de saúde. Também fazem parte do tratamento exercícios para prevenir as incapacidades físicas, além de orientações da equipe de saúde.

Grupo de Auto-cuidado – O Hospital Clementino Fraga conta com encontros do grupo de auto-cuidado. Os encontros são realizados na primeira quarta-feira do mês. Nos grupos de auto-cuidado, os pacientes convivem com outras experiências e aprendem a perceber as características de suas lesões, o que possibilita uma tomada de decisão de tratamento mais acertada. Os encontros do grupo são abertos a todos.

Oficina de Calçados – Buscando ajudar os pacientes de hanseníase, o Hospital Clementino Fraga conta com uma oficina onde são produzidas sandálias adaptadas, férulas e outras adaptações, necessárias para ajudar o paciente da doença no dia a dia. O processo de confecção das peças é 100% artesanal. Aqui nós produzimos todas as adaptações necessárias para ajudar ao paciente de hanseníase, além de férulas (para ajudar pacientes que apresentam pé caído, faltando assim a força muscular), sandálias adaptadas e adaptações de diversos tipos. No ano de 2013 foram produzidos 220 pares de sandálias adaptadas, além de 138 demais tipos de adaptações.