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Governo realiza oficina de design em João Pessoa e Alagoa Grande

terça-feira, 20 de abril de 2010 - 15:51 - Fotos: 
O Governo do Estado, através do Programa de Artesanato Paraibano da Secretaria de Estado do Turismo e Desenvolvimento Econômico (SETDE) e o Sebrae-PB, está promovendo este mês duas oficinas de design com artesãs paraibanas, sendo ministradas pelo artista plástico e estilista mineiro radicado na Bahia, Iuri Sarmento. A primeira oficina foi sobre bordado hardanger com artesãs no Bairro dos Bancários, em João Pessoa, que terminou no dia 17 deste mês, e a segunda, que vai até esta sexta-feira (23), envolve técnicas de bordado labirinto com artesãs do Distrito de Zumbi, em Alagoa Grande.

O estilista e artista plástico Iuri Sarmento veio diretamente de Salvador (BA), para desenvolver mais as artesãs uma coleção inovadora de peças elaboradas com o bordado hardanger e o labirinto com o tecido da chita, a ser lançada durante o XII Salão do Artesanato Paraibano, que ocorrerá em Campina Grande, no período de 4 a 27 de junho deste ano.

Identificação – A presidente de honra do Programa do Artesanato Paraibano, arquiteta Sandra Moura, idealizou o tema ‘Mãos de Chita’ para o XII Salão pensando na união de todo o artesanato com a chita, que é um tecido identificado culturalmente com o Nordeste brasileiro. “Vamos ver o resultado do casamento entre a beleza do nosso artesanato e o colorido do tecido da chita. Vamos colorir Campina Grande e encantar nossos clientes, sejam eles paraibanos ou turistas”, disse Sandra, entusiasmada.

A oficina de labirinto está acontecendo em uma das salas do Centro de Geração de Renda do Distrito de Zumbi, construído justamente para fomentar os pequenos negócios para os moradores da Zona Rural de Alagoa Grande.

Bordados – O bordado hardanger é originário da Pérsia, mas bastante difundido na Noruega, onde é elaborado com pequenos vazados, quadrados e geométricos, seguindo a trama do tecido. Possui uma grande variedade de estrelas e é trabalhado com quatro fios do tecido. O caseado, ponto de cetim, ponto de cabo, ilhós, enchimento com fios cruzados e barras tecidas são alguns dos pontos usados nesta técnica desenvolvida por um grupo de artesãs de João Pessoa, no Bairro dos Bancários.

Já o bordado do labirinto, introduzido no Brasil por intermédio da colonização portuguesa, permite a confecção de uma grande diversidade de gravuras, utilizando-se apenas o entrelace conveniente de fios sobre uma trama têxtil em forma de tela. Essa tela deriva-se do desfiamento específico do linho ou outro tecido semelhante, margeia-se de uma porção de tecido preservado, o qual forma meandros e figuras alongadas semelhantes às paredes de um labirinto. Em Picuí, na Paraíba, este fazer artesanal já existe há mais de quatro gerações, sendo uma referência da cultura local.

Apoio – O Programa do Artesanato Paraibano vem apoiando essas atividades e com oficinas de design busca abrir novos mercados para a comercialização dos produtos, perpetuando o folclore regional e gerando trabalho e renda para as famílias envolvidas. Todo o processo produtivo, capacitações e os eventos que o grupo participa são apoiados pelo Programa, Sebrae-PB, Prefeitura Municipal de Alagoa Grande, Banco do Brasil DRS e pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), através do Projeto Talentos do Brasil.

Para a artesã Giselda da Silva, de Picuí, essa é mais uma oportunidade que os parceiros oferecem a sua comunidade. “Quero aproveitar cada minuto ao lado de Iuri para aprender tudo que for possível”, ressalta.

Testemunhos – Iuri Sarmento, com sua vasta experiência em trabalhos de artesãos em comunidades rurais, ficou emocionado com a gestão compartilhada entre as instituições na Paraíba que valorizam o trabalho do artesão. “Acho que a coleção vai ser um sucesso. Aqui na Paraíba, o segmento do artesanato é prioridade para todos e, nessa energia positiva, tudo que a gente faz dá certo, temos sempre resultados positivos”, afirmou.

A coordenadora de capacitação do Programa do Artesanato Paraibano, Yara de Alencar Cunha, também se pronunciou dando o testemunho de que a verdadeira cultura da cooperação entre os parceiros é que é o segredo do brilho alcançado pelo artesanato paraibano. “Estamos em um caminho que, a cada dia, leva mais artesãos a viver dignamente de sua profissão. Não podemos mais olhar para trás e o design é o nosso grande diferencial”, completou. A modelagem das peças criadas pelo estilista será feita pela técnica do Programa do Artesanato, Adriana Magna Aires. Segundo ela, “todos os visitantes do XII Salão poderão comprar os produtos nos tamanhos P, M, G e GG”.

A oficina de Iuri Sarmento em Zumbi (Alagoa Grande) vai até a sexta-feira (23), às 17h, e lá a própria comunidade poderá conferir em uma mini exposição, as peças elaboradas durante o período.
 

Goretti Zenaide, da Assessoria de Imprensa do Programa de Artesanato Paraibano