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Governo realiza II Semana Estadual de Luta Antimanicomial

terça-feira, 15 de maio de 2012 - 18:38 - Fotos: 

Foto: José Lins/Secom-PB

A Secretaria de Estado da Saúde (SES) abriu na manhã desta terça-feira (15) a II Semana Estadual de Luta Antimanicomial, no auditório da Reitoria da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). As atividades estão sendo realizadas pela Coordenação de Saúde Mental da SES, em parceria com os 25 municípios que possuem serviços voltados para o atendimento de pessoas portadoras de distúrbios psíquicos.

Com o tema “Cuidar é Libertar”, as atividades foram abertas com mesas redondas. A primeira mesa, intitulada “Direitos Humanos e Saúde Mental”, foi moderada pela psicóloga, professora e coordenadora do Núcleo de Cidadania e Direitos Humanos da UFPB, Maria de Nazaré Tavares Zenaide. Ela lembrou que a democracia abriu o espaço para o exercício da cidadania e aumentou o leque dos incluídos. “Essa semana significa dizer que estamos todos unidos para revigorar o processo de luta, fazer um balanço das conquistas e planejar nossos rumos”, acrescentou.

A segunda mesa da manhã teve como tema “Direitos Humanos e a política de álcool e outras drogas na Saúde Mental” e foi moderada pelo psicólogo, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e coordenador nacional de Direitos Humanos do Conselho Federal de Psicologia, Pedro Paulo Bicalho. Segundo ele, é importante produzir políticas para o acolhimento de portadores de distúrbios psíquicos.

“A criação dessas políticas é de extrema importância, mas com todo o cuidado para que elas não sejam transformadas em recolhimento. Quando uma pessoa é acolhida, ela tem toda estrutura de uma equipe multidisciplinar, de um local onde receberá tratamento adequado, já no caso, recolher é simplesmente tirar a pessoa das ruas e excluí-la da sociedade”, completou.

A presidente da Associação Paraibana de Familiares, Amigos e Usuários de Saúde Mental, Maria Cristina Alves, ressaltou a importância de incentivar a autoconfiança nos portadores de distúrbios mentais. “A própria família pode ajudar e muito, com amor, carinho, cuidando dessas pessoas e principalmente, dando autoconfiança para que se sintam livres. Tenho uma irmã portadora de distúrbio mental e quando vou ao supermercado, por exemplo, ela que escolhe o que quer comprar, eu não escolho por ela, ela faz suas próprias escolhas. Isso ajuda na autoconfiança dela”.

Seguindo a programação, houve uma apresentação de dança do ventre com usuárias do Caps Caminhar. Elisoneide da Silva Santos, 28 anos, teve depressão pós-parto e tentou suicídio oito vezes. Desde que chegou ao Caps, dois anos atrás, tem mudado de vida. “Encontrei aqui no Caps muito mais que profissionais, encontrei uma nova família” disse.

De acordo com a coordenadora Estadual de Saúde Mental, Shirlene Queiroz de Lima, o objetivo da II Semana de Luta Antimanicomial é lutar pelo fim dos manicômios. “A nossa luta é para que as portas dos manicômios sejam abertas, pois prender as pessoas para tratá-las é ultrapassado e não ajuda em nada para sua recuperação”.

Programação – Nesta quinta-feira (17), às 18h, haverá um Sarau no Complexo Juliano Moreira e na sexta (18), às 15h, acontecerá a Marcha com os Familiares, amigos, profissionais e usuários de saúde mental. A passeata sairá do anel interno da Lagoa com destino à Praça dos Três Poderes, onde acontecerá um ato público.

Atendimento – A Paraíba possui hoje 92 serviços voltados para o atendimento a pessoas portadoras de distúrbios mentais. São 72 Centros de Atenção Psicossocial (Caps) sendo 43 Caps I, sete Caps II, oito Caps i,  oito Caps Ad, dois Caps Ad III e quatro  III, além de 17 Residências Terapêuticas  e três consultórios de rua.

A Rede de Atenção Psicossocial da Paraíba possui 59 leitos em hospitais gerais e 730 leitos em  hospitais psiquiátricos.

Outras ações – O Governo do Estado reabriu o Caps AD III Regional com 12 leitos de desintoxicação para usuários de álcool, crack e outras drogas (o serviço funciona 24 horas, inclusive aos sábados, domingos e feriados) e inaugurou o Caps I de São João do Rio do Peixe, Caps Infantil de Pombal e Caps AD II de Sapé. Também foram realizadas vistorias técnicas que levaram orientações às equipes dos Caps inaugurados e monitorados in loco.

Modalidades de Caps:

Caps I – Localizados em municípios com população entre 20 mil e 70 mil habitantes. Funcionam de segunda à sexta, das 8h às 18h. Atendem pessoas com transtornos mentais e com problemas relacionados ao consumo de álcool e outras drogas.

Caps II – Com equipe multidisciplinar mais numerosa, os CAPS II atendem situações de saúde mental nos municípios com população entre 70 mil e 200 mil habitantes, de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h.

Caps III – Estes serviços de saúde mental funcionam 24 horas, inclusive finais de semana e feriados, e podem ser implantados em municípios com mais 200 mil habitantes.

Caps-ad – Cidades que tenham mais de 100 mil habitantes têm indicação de implantar CAPS-ad para atender pessoas que usam álcool e outras drogas.

Caps i – Serviços de saúde propostos para atender crianças e adolescentes com algum tipo de transtorno mental (incluindo álcool e outras drogas) em municípios com mais de 100 mil habitantes.