João Pessoa
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Bonecas feitas por reeducandas são expostas em Faculdade da Capital

quinta-feira, 25 de abril de 2013 - 18:07 - Fotos: 

O Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Administração Penitenciária (Seap), realiza nesta quinta (25) e sexta-feira (26), na Faculdade Maurício de Nassau, em João Pessoa, uma exposição de bonecas de pano confeccionadas pelas reeducandas da Penitenciária Feminina Maria Júlia Maranhão, em Mangabeira.

O secretário da Administração Penitenciária, Wallber Virgolino, disse que esse trabalho de ressocialização realizado na Penitenciária Feminina da Capital tem sido bastante proveitoso para todos. “Primeiro para as apenadas, que aprendem uma qualificação e quando saírem terão com o que se sustentar; segundo para a Seap, porque a ressocialização funciona, dá certo e pode recuperar quem quer se reintegrar à sociedade. E terceiro para a sociedade civil paraibana, que terá uma mulher reeducada que dificilmente voltará a delinquir”, argumentou.

A diretora da Penitenciária Feminina Maria Júlia Maranhão, Cinthya Almeida, disse que o trabalho está evoluindo gradativamente com apoio do Governo do Estado, da Seap e de parceiros como a Faculdade Maurício de Nassau. “A parceria é importante e vem contribuindo com total apoio a projetos de ressocialização da Penitenciária Feminina e isso ajuda a somar o trabalho da administração pública estadual com a iniciativa privada em projetos como esse”, enfatizou.

Um dos coordenadores do curso de Direito da faculdade, Thiago Deogls, falou da importância desse tipo de trabalho e elogiou a qualidade dos produtos expostos. “Essa iniciativa de humanização e ressocialização do apenado é importante até mesmo para a reintegração dele na sociedade. Sabemos que no momento que a pessoa fica reclusa ela perde sua identidade e até a dignidade perante a sociedade. Então, podemos dizer que esse trabalho é uma forma de juntar, reintegrar esse apenado ou apenada à sua nova realidade. É com um projeto desses que a Seap busca essa implementação que venha a favorecer o cidadão recluso e integrá-lo novamente a sociedade paraibana”, comentou. 

Artesanato – As bonecas são confeccionadas com algodão colorido, qualquer tipo de tecido de boa qualidade, uma malha conhecida como ‘elanca’,  bem como de retalhos de tecido. O horário de trabalho das reeducandas começa às 9h e vai até às 18h, com intervalos para lanches às 9h e 15h e também para almoço às 12h. Cada boneca custa entre R$ 20,00 e R$30,00.

A empresária Miriam Morais disse que comprou uma das bonecas porque ficou impressionada com a qualidade do material da exposição. “Belíssimo, muito bom, esse trabalho é uma grande reeducação e, quando elas saírem da prisão, certamente terão como se sustentar. Eu vou indicar a todas as minhas amigas que comprem pela qualidade do material e dos produtos”, ressaltou.

A reeducanda Sandra Maria de Souza Araújo é a responsável pela equipe que faz as bonecas dentro da unidade prisional. Ela disse que conseguiu se reeducar durante a confecção das bonecas. “No começo foi difícil, pois eu fazia as bonecas sozinha, mas ocupava meu tempo e melhorava minha autoestima. Hoje, ensino seis reeducandas a fazer as bonecas. Chego na penitenciária às 13h e saio às 18h, já que estou no regime semiaberto desde 8 de março deste ano. Nunca desista dos seus sonhos porque nada está perdido, a liberdade é bela e muitas vezes só damos valor quando perdemos”, comentou.