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Governo qualifica profissionais de saúde sobre a Ficha de Notificação de Violência 

terça-feira, 14 de junho de 2016 - 17:30 - Fotos: 

O Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (SES), realizou na manhã desta terça-feira (14) a Qualificação Profissional – Ficha de Notificação de Violência Interpessoal/ Autoprovocada. O evento foi destinado aos profissionais da Vigilância Epidemiológica que trabalham com a Ficha de Notificação de Violência em 70 municípios paraibanos (que não participaram da qualificação em 2015) e 17 Hospitais Estaduais que compreendem a I e II Macrorregiões de Saúde. A qualificação começou às 8h e seguiu até 12h30, no auditório do Centro Estadual de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest-PB), em João Pessoa.

“Nossa missão foi qualificar pelo menos um profissional de cada município e um por hospital estadual. Foram convidados, ainda, profissionais representantes dos Centros de Referência Especializados em Assistência Social (Creas) e os Centros de Referência de Assistência Social (Cras), Conselhos Tutelares e da Secretaria de Educação do Estado, que, segundo o Ministério da Saúde, poderão também realizar as referidas notificações, conforme pactuação local”, disse a chefe do Núcleo de Doenças e Agravos Não Transmissíveis da SES, Gerlane Carvalho.

A intensificação das qualificações faz com que os profissionais conheçam a Ficha de Notificação de Violência e tirem dúvidas sobre aspectos técnicos de preenchimento. “É um momento muito importante. Através deste encontro, mostramos aos profissionais que não só a notificação que conta, mas, sim, o encaminhamento, acolhimento e acompanhamento dos pacientes. Além disso, as informações presentes na Ficha de Notificação de Violência são fundamentais para que o Ministério da Saúde desenvolva políticas públicas de saúde”, enfatizou Gerlane.

Por meio das Fichas, é possível analisar o tipo de violência que mais ocorre no município, o gênero e até a faixa etária mais acometida. “Uma qualificação como esta salienta a importância de preencher todos os campos da ficha, a qualidade das informações é essencial. Vale lembrar que todas as informações são sigilosas e não precisam da autorização do paciente por ser de notificação compulsória”, informou Gerlane Carvalho.

Apenas quem tem acesso é o profissional que preenche a ficha e o Ministério da Saúde. Em caso de suspeita de vítima de violência, o profissional de saúde deve estar atento. “Em alguns casos, é preciso desenvolver a sensibilidade de notar quando o paciente, possivelmente vítima de violência, está nervoso, apreensivo ou com medo de falar o que houve. Com a experiência do dia a dia, o profissional percebe que tem algo errado e notifica o caso por meio da unidade de saúde. O digitador recebe as informações e lança no sistema”, explicou Gerlane. Em caso de erro em suspeitas, a Secretaria de Saúde pode retirar os dados do banco. “Contanto que não se deixe passar tantos dados sem notificação em função de querer dar agilidade às demandas de assistência à saúde”, completou.

Gerlane explicou, ainda, que na Ficha de Notificação de Violência foram acrescentados seis novos campos desde 2015:  inclusão do nome da unidade notificadora; inclusão do nome social; orientação sexual (onde será informado se a vítima é heterossexual, homossexual ou bissexual); identidade de gênero (onde se informa se a vítima é travesti, mulher transexual ou homem transexual); idade estimada do provável autor da agressão; motivação da violência (se a agressão foi por homofobia/lesbofobia/transfobia, racismo, situação de rua, deficiência, entre outros).

“O preenchimento da Ficha de Notificação de Violências é obrigatório pelos profissionais de saúde, onde o atendimento à vítima deverá ser humanizado, com o devido acolhimento, bem como o referido profissional deverá fazer os encaminhamentos necessários preconizados pelo Ministério da Saúde”, concluiu.

A coordenadora do Núcleo de Doenças e Agravos Não Trasmissíveis da Secretaria Municipal de Cabedelo, Patrícia Maria, falou sobre a importância da notificação de casos de violência. “Desde o ano passado nossos profissionais começaram a participar de oficinas e qualificações com este tema. Sensibilizando estes trabalhadores é que percebemos o quanto essas notificações são importantes no processo de saúde, evitando, inclusive, que danos maiores aconteçam às vítimas futuramente”, pontuou.