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26 de julho de 2013

Governo qualifica diagnóstico na atenção básica e implanta serviço de tratamento



A implantação do Serviço de Tratamento Assistido no Complexo Hospitalar Clementino Fraga, em João Pessoa, é uma das ações do Governo da Paraíba na prevenção e tratamento das hepatites virais. Estatísticas do Núcleo de DST/Aids e Hepatites Virais da Secretaria de Estado da Saúde indicam que entre janeiro e junho deste ano foram notificados 630 casos suspeitos na Paraíba, enquanto no ano passados as notificações chegaram a 2.950.

Quanto ao número de casos confirmados como hepatites virais, no ano passado foram 161 como hepatite A, 223 de hepatite B, e 151 casos como hepatite C. Em 2013, foram confirmados 102 casos de hepatite A, 58 casos de hepatite B e 36 casos de hepatite C.

A chefe do Núcleo de DST, Ivoneide Lucena, lembra que neste domingo (28) transcorre o Dia Mundial de Combate às Hepatites Virais. Ela destaca que uma parceria entre o Governo do Estado e o Ministério da Saúde viabilizou testes rápidos para hepatite B e C, ampliou a faixa etária para vacinação de hepatite B para 49 anos, implantou os inibidores de protease (IP) para o tratamento da hepatite viral crônica C nos pacientes portadores de genótipo 1 com F3 e F4 ou cirrose, e realizou capacitação para equipes multidisciplinares que irão atender aos usuários de IP.

A SES está treinando equipes de atenção básica para realização do teste rápido HV e tem realizado ações estratégicas para alcançar a meta de ampliação da faixa etária da vacina HB. Também fazem parte da estratégia da Secretaria a educação continuada para equipe de multiplicadores, a oferta de sorologias de triagem e exames de biologia molecular (PCR e genotipagem) pelo Laboratório Central de Saúde Pública da Paraíba (Lacen/PB), disponibilização dos resultados através do Sistema de Gerenciamento do Ambiente Laboratorial (GAL) e participação de técnicos de gestão e assistência nas agendas e treinamentos do Ministério da Saúde.

O Governo do Estado fortalece o cuidado ao diagnóstico e tratamento das hepatites virais, qualificando as equipes de saúde da família para implantarem o teste rápido de hepatite B e C na atenção básica dos municípios, pois sabemos que o diagnóstico precoce favorece consideravelmente no tratamento”, disse Ivoneide.

Hepatite A – A hepatite A é uma doença contagiosa causada pelo vírus A (VHA) e também conhecida como hepatite infecciosa. Sua transmissão é fecal-oral, por contato entre indivíduos ou por meio de água ou alimentos contaminados pelo vírus. Geralmente, não apresenta sintomas. Porém, os mais frequentes são cansaço, tontura, enjoo e/ou vômitos, febre, dor abdominal, pele e olhos amarelados, urina escura e fezes claras. Quando surgem, costumam aparecer de 15 a 50 dias após a infecção.

O diagnóstico da doença é realizado por exame de sangue. Após a confirmação, o profissional de saúde indicará o tratamento mais adequado, de acordo com a saúde do paciente. Não existe um tratamento específico, fazendo-se apenas tratamento sintomático. Geralmente é uma doença de evolução benigna e apenas 1% dos casos evoluem para a hepatite fulminante.

A melhor forma de se evitar a doença é melhorando as condições de higiene e de saneamento básico, como por exemplo, lavar as mãos após ir ao banheiro, antes de comer ou preparar alimentos; lavar bem com água tratada ou fervida os alimentos que são consumidos crus, não tomar banho ou brincar perto de valões, riachos, chafarizes, enchentes ou próximo de onde haja esgoto a céu aberto, entre outros.

Caso haja algum doente com hepatite A em casa, utilizar hipoclorito de sódio a 2,5% ou água sanitária ao lavar o banheiro. No caso de creches, pré-escolas, lanchonetes, restaurantes e instituições fechadas, deve-se adotar medidas rigorosas de higiene, tal como a desinfecção de objetos, bancadas e chão utilizando hipoclorito de sódio a 2,5% ou água sanitária. A vacina não é feita de rotina, estando disponibilizada nos Centros de Referência de Imunobiológicos Especiais (CRIES) apenas para situações especiais como, por exemplo, para pessoas com outras doenças crônicas no fígado ou que fizeram transplante de medula óssea”, acrescentou Ivoneide.

Hepatite B – O vírus da Hepatite B está presente no sangue, no esperma e no leite materno. A hepatite tipo B é considerada uma doença sexualmente transmissível. Entre as causas de transmissãoestão: relações sexuais sem camisinha com uma pessoa infectada, a mãe infectada transmite para o filho durante a gestação, o parto ou a amamentação (caso o recém nascido não tenha recebido a vacina nas primeiras 12 horas de vida); compartilhar material para uso de drogas (seringas, agulhas, cachimbos), de higiene pessoal (lâminas de barbear e depilar, escovas de dente, alicates de unha ou outros objetos que furam ou cortam) ou por transfusão de sangue contaminado. A maioria dos casos de hepatite B não apresenta sintomas, mas os mais frequentes são cansaço, tontura, enjoo e/ou vômitos, febre, dor abdominal, pele e olhos amarelados, urina escura e fezes claras. Esses sinais costumam aparecer de um a seis meses após a infecção.

O diagnósticoda hepatite B é feito por meio de exame de sangue específico. Após o resultado positivo o paciente deve ser encaminhado aos centros de referência onde será realizado o tratamento com medicações específicas disponibilizadas pelo SUS. O tratamento deverá ser realizado apenas por infectologistas ou hepatologistas.

Evitar a doença é muito fácil. Basta tomar as três doses da vacina, usar camisinha em todas as relações sexuais e não compartilhar objetos de uso pessoal, equipamentos para uso de drogas, confecção de tatuagem e colocação de piercing. O preservativo está disponível na rede pública de saúde. Além disso, toda mulher grávida precisa fazer o pré-natal e os exames para detectar a hepatite B e C. Esse cuidado é fundamental para evitar a transmissão de mãe para filho. Em caso positivo, é necessário seguir todas as recomendações médicas, sendo fundamental a vacinação do recém nascido nas primeiras 12 horas de vida, podendo ser feito também a imunoglobulina. Apenas a vacina já confere uma boa imunidade à criança. Neste caso a amamentação não está contraindicada”, explicou a gerente da SES.

Hepatite C – O vírus C, assim como o vírus causador da hepatite B, está presente no sangue e sua forma de transmissão é a mesma. O surgimento de sintomasem pessoas com hepatite C aguda é muito raro. Entretanto, os que mais aparecem são cansaço, tontura, enjoo e/ou vômitos, febre, dor abdominal, pele e olhos amarelados, urina escura e fezes claras. O diagnósticoprecoce da hepatite amplia a eficácia do tratamento. Existem centros de assistência do SUS em todos os Estados do país que disponibilizam tratamento para a hepatite C.

O diagnósticoé realizado por exame de sangue no qual se procura por anticorpos anti-HEV. Na maioria dos casos, a doença não requer tratamento, sendo proibido o consumo de bebidas alcoólicas, recomendado repouso e dieta pobre em gorduras. A internação só é indicada em pacientes com quadro clínico mais grave, principalmente mulheres grávidas. A melhor forma de se evitar a doença é melhorando as condições de higiene e de saneamento básico.

Atualmente, existem vacinas para a prevenção das hepatites A e B. O Ministério da Saúde oferece vacina contra a hepatite B nos postos de saúde do SUS e contra a hepatite A nos Centros de Referência de Imunobiológicos Especiais (CRIE). Não existe vacina contra a hepatite C, o que reforça a necessidade de um controle adequado da cadeia de transmissão no domicílio e na comunidade, bem como entre grupos vulneráveis, por meio de políticas de redução de danos.

Para mais informações sobre hepatites virais, a população pode procurar o Núcleo de DST/AIDS e Hepatites Virais da SES pelo número (83) 3218 7327.