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Governo promove seminário sobre incidência do tabagismo no público feminino

quarta-feira, 29 de maio de 2013 - 19:12 - Fotos:  Ricardo Puppe

O Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Saúde, promoveu, durante toda esta quarta-feira (29), um seminário com o objetivo de discutir a importância da prevenção e do controle do tabagismo e seus  fatores de risco, enfatizando a elevação da incidência no sexo feminino. O evento foi iniciado às 9 h, no Conselho Regional de Medicina, com a presença de vários profissionais ligados a área da Saúde e da Educação de vários municípios paraibanos e faz parte das ações alusivas ao Dia Mundial Sem Tabaco, que será lembrado no próximo dia 31. De acordo com dados da Secretaria de Estado da Saúde, a Paraíba possui hoje 414.318 mil fumantes e desse total 223.347 são mulheres.

A gerente operacional de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado da Saúde, Bernadete Moreira de Moura, que representou o secretário da Saúde, Waldson Dias de Souza, destacou que o Governo tem realizado ações e serviços, com o objetivo de combater e prevenir o tabagismo, não só no público feminino como também no masculino. Entre as ações, ela destacou as campanhas e os Centros de Atendimento ao Fumante instalados em vários municípios paraibanos.

De acordo com pneumologista Sebastião Costa, que vai participar de uma das mesas redondas sobre o caso, enquanto o homem tem reduzido o consumo de cigarro tem-se registrado um aumento no público feminino e o problema tem se agravado devido à instabilidade emocional dessas mulheres produzida pela oscilação hormonal o que tem dificultado muito o tratamento do tabagismo nesse público. “ Temos que enfocar nossas ações conscientizando essas mulheres para que façam uma reflexão sobre sua saúde, sua beleza e sua qualidade de vida”, destacou o pneumologista.

Sebastião Costa lembrou que antes praticamente não existia câncer de pulmão em mulheres, mas agora os casos vêm aumentando devido ao uso do cigarro. A previsão, segundo o médico, é de que o câncer de pulmão ultrapasse o de mama em quantidade. Ele disse também que o câncer de colo de útero é cada vez menor do que o câncer de pulmão entre as mulheres.

De acordo com a cardiologista do Instituto do Coração, (Incor), Jaqueline Issa e que coordena o Programa de Tabagismo, a mulher tem mais dificuldade de deixar o cigarro do que o homem por questões emocionais. De acordo com ela, a mulher, devido a sua vida corrida pelo fato de aliar a jornada de trabalho em casa com a do trabalho na empresa ou instituição se estressa mais “e nesse sentido, o cigarro funciona como um redutor tensão” destacou a cardiologista. Na sua opinião, para o tratamento da mulher, além da parte terapêutica, deve-se ser usado o tratamento medicamentoso com acompanhamento médico durante um período de pelo menos três meses.

Sobre o seminário – Durante o encontro acontecerão três mesas redondas para a discussão dos seguintes temas: “Tabagismo Feminino e Gênero”, “ Morbimortalidade nas Doenças Tabaco Relacionadas” ; e “ Repercussão do Tabagismo na Saúde da Mulher”. Também será feita uma análise do tabagismo na Paraíba relacionado ao câncer de mama, colo de útero e problemas gestacionais.

De acordo com a chefe do Núcleo de Doenças e Agravos Não Transmissíveis da SES, Gerlane Carvalho de Oliveira, ainda dentro da programação alusiva ao Dia Mundial Sem Tabaco, a Secretaria de Estado da Saúde Encaminhou ofício para asGerências Regionais de Saúde orientando quanto a importância dos municípios realizarem atividades alusiva ao Dia Mundial Sem Tabaco com o objetivo de alertar e sensibilizar a população quanto aos malefícios do Tabaco.

No dia 31, vários planos de saúde também vão se engajar na luta contra o tabagismo. A Secretaria de Estado da Saúde disponibilizou material educativo para que sejam realizadas atividades internas voltada a prevenção e combate ao Tabagismo. O objetivo é sensibilizar esses planos para implantar serviços de tratamento as pessoas dependentes do cigarro. “Se for feita uma comparação veremos que os custos com o tratamento são bem menores que os empregados na prevenção”, disse Gerlane Carvalho, ao lembrar que outro evento alusivo a data aconteceu na ontem (terça-feira) que foi uma Capacitação de Atualização sobre Tabagismo para profissionais de saúde entre, médicos, enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais que trabalham nos Centros de Atendimento ao Fumante dos municípios de Santa Rita, Bayeux e Cabedelo.

Dados: Pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) constatou que o percentual de meninas que começaram a fumar antes dos 15 anos é 22% superior ao de meninos. Para aprofundar a questão e reafirmar o compromisso do governo em implementar as ações do Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das Doenças Crônicas Não-Transmissíveis (DCNT), o Instituto Nacional do Câncer (Inca), em parceria com a Fundação do Câncer, o Instituto de Estudos em Saúde Coletiva (Iesc) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Organização Pan-americana da Saúde (Opas) e as Secretarias Estaduais de Saúde estão promovendo ações direcionadas à prevenção da iniciação e cessação do tabagismo entre o sexo feminino.

As pesquisas comprovam ainda que aproximadamente 47% de toda a população masculina e 12% da população feminina no mundo fumam. Enquanto nos países em desenvolvimento os fumantes constituem 48% da população masculina e 7% da população feminina, nos países desenvolvidos a participação das mulheres mais do que triplica: 42% dos homens e 24% das mulheres têm o comportamento de fumar.

Para a saúde da mulher, o tabaco também pode causar danos de forma específica. De acordo com informações do Instituto Nacional do Câncer (Inca), as mulheres têm risco maior de ter câncer de pulmão com exposições menores do que os homens. Calcula-se que o tabagismo seja responsável por 40% dos óbitos nas mulheres com menos de 65 anos e por 10% das mortes por doença coronariana nas mulheres com mais de 65 anos.

Ainda com relação à mulher, segundo o Ministério da Saúde, fumar durante a gravidez traz sérios riscos. Abortos espontâneos, nascimentos prematuros, bebês de baixo peso, mortes fetais e de recém-nascidos, complicações com a placenta e episódios de hemorragia (sangramento) ocorrem mais frequentemente quando a grávida é fumante. Tais problemas se devem, principalmente, aos efeitos do monóxido de carbono e da nicotina exercidos sobre o feto, após a absorção pelo organismo materno.