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Governo promove atividades alusivas ao Dia Nacional da Doação de Órgãos

terça-feira, 27 de setembro de 2016 - 15:40 - Fotos:  Ricardo Puppe/Secom Pb

O Governo do Estado, por meio da Central de Transplante, lembrou o Dia Nacional da Doação de Órgãos, na manhã desta terça-feira (27), com atividades no Terminal de Integração do Varadouro. No evento, que marcou o encerramento da 16ª Campanha Estadual para Doação de Órgãos e Tecidos, cujo tema foi “Mais doação, mais vida”, teve panfletagem, música ao vivo com grupo de forró pé-de-serra e equipe de profissionais passando orientações sobre a importância da doação de órgãos.

“A campanha tem o objetivo de sensibilizar a população e, consequentemente, aumentar o número de doadores. Além de querermos a sociedade como aliada, também vamos focar nossas ações nos profissionais de saúde e estudantes da área, pois, a partir do momento em que há o conhecimento, existe também o compromisso em ajudar no que for possível”, disse a diretora da Central de Transplante, Gyanna Lys Montenegro.

Ela enfatizou que doar órgãos é um ato de solidariedade e amor ao próximo. “Hoje você é convocado para doar, mas, em algum momento, você também pode precisar dessa doação. A gente pede que a sociedade reflita sobre isso, que se coloque no lugar de quem está precisando de uma doação de órgãos, avise sobre sua vontade, pois só a família pode decidir sobre a doação”, esclareceu Gyanna Lys.

O Terminal de Integração do Varadouro foi escolhido para o encerramento da campanha por ser um local de grande circulação de pessoas. “Aqui nossa equipe está em contato direto com o público, tirando dúvidas e informando sobre a importância da doação. É preciso que a população perca o receio que ainda existe em torno da doação de órgãos e veja que vidas podem ser salvas por meio desse gesto de amor”, apelou a diretora da Central.

A auxiliar de serviços gerais Rosilda Soares estava aguardando o ônibus e achou louvável a iniciativa da Central de Transplantes. “Conhecia pouco sobre como funciona o processo de doação de órgãos, mas já tinha optado por doar meus órgãos (tem identificação até no meu RG). Fiquei muito feliz em receber essas orientações e vou repassá-las aos meus filhos que ainda são resistentes quanto à ideia de doar meus órgãos quando eu morrer”, disse ela.

Quando há resistência da família, existe solução. “A cultura brasileira, infelizmente, ainda não é muito despojada quando se fala em doação de órgãos. É preciso deixar claro que o órgão de uma pessoa que se vai e não é doado será consumido pelo ambiente. Se ainda assim a família resistir, o possível doador pode acionar a Justiça e deixar por escrito que quer doar os órgãos”, informou a diretora administrativa da Central de Transplante, Ana Emília Souza.

Para ela, fazer o bem ao próximo com a doação dos órgãos do parente que se vai pode aliviar o sofrimento da perda. “Lidar com a morte é sempre difícil. Ajudar alguém, salvar uma vida, pode suavizar a angústia. Todos os relatos mostram que as pessoas se sentem muito melhores ao optar pela doação dos órgãos dos parentes que morreram. A população deve entender que se trata de um ato de amor”, disse Ana Emília.

Transplantes – De acordo com o Ministério da Saúde, a Paraíba realizou no primeiro semestre deste ano 92 transplantes, número 41,5% maior em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram feitos 65 procedimentos. Quanto à recusa das famílias, no estado o número está 47% menor em relação ao mesmo período de 2015, quando a porcentagem era de 62%. Isso significa que quase metade das famílias ainda rejeita a doação de órgãos de um parente com diagnóstico de morte encefálica.

“Mesmo sabendo que quem decide é a família, cada um precisa externar o seu desejo de ser doador de órgãos, pois assim será formada uma grande rede de consciência para a importância do ato de doação de órgãos e tecidos”, sugeriu Gyanna.

Sobre o Serviço – A Central de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos da Paraíba, vinculada à Secretaria de Estado da Saúde, foi criada com a finalidade de fazer busca ativa, receber notificação, captação e distribuição de órgãos e tecidos. A Central desenvolve o Programa de Educação Continuada com cursos de capacitação profissional nas universidades, hospitais, escolas públicas, privadas e estabelecimentos empresariais.

Para ser doador, basta manifestar o desejo à família. Cabe a ela a decisão sobre a doação. A Central de Transplante disponibiliza o telefone: (083) 3244-6192 para outras informações.

A coordenadora da Central de Transplante, Gyanna Lys Montenegro, pede que a sociedade utilize, também, as redes sociais (Facebook; Twitter; Instagram; WhatsApp), para se declarar doador de órgãos e tecidos. “Comunique a todas as pessoas próximas sobre o seu desejo de ser doador para que a família atenda seu desejo após a morte”, sugeriu Gyanna Lys.

Dia Nacional de Doação de Órgãos e Tecidos – É celebrado em 27 de setembro e o principal objetivo desta data é conscientizar a população em geral sobre a importância de ser doador de órgãos, com o intuito de ajudar a milhares de pessoas que lutam por uma oportunidade de salvarem as suas vidas.

De acordo com a legislação brasileira (lei nº 10.211, de 23 de março de 2001), a retirada dos órgãos e tecidos para doação só pode ser feita após autorização dos membros da família.Para a doação, o doador deve ter sofrido de morte encefálica, pois somente assim os seus principais órgãos vitais permanecerão aptos para serem transplantados para outra pessoa.

Pessoas vivas também podem ser doadoras de órgãos, mas apenas aqueles que são considerados “duplos”, ou seja, que não prejudicarão as aptidões vitais do doador após o transplante. Um dos rins ou pulmões, parte do fígado, do pâncreas e da medula óssea são exemplos de órgãos que podem ser doados por pessoas ainda em vida.