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16 de outubro de 2015

Governo participa da VI Festa Estadual das Sementes da Paixão



O Governo da Paraíba, por meio da Secretaria de Estado da Agricultura Familiar e do Desenvolvimento do Semiárido (SEAFDS) participa nesta semana da VI Festa Estadual das Sementes da Paixão, que também celebra a Semana Mundial da Alimentação. O evento, promovido pela Articulação do Semiárido Paraibano (ASA Paraíba), foi realizado quarta (14) e quinta-feira (15) no Santuário de Padre Ibiapina Santa Fé, município de Arara, no Curimataú Paraibano, e é encerrado nesta sexta-feira (16), em Campina  Grande. O tema é “Agricultura Familiar guardiã da sociobiodiversidade, pela soberania alimentar, livre de transgênicos e agrotóxicos”.

Para o secretário da SEAFDS, Lenildo Morais, o evento tem como objetivos valorizar o papel das famílias agricultoras guardiãs das sementes crioulas no Estado da Paraíba; refletir importância dos Bancos de Sementes Comunitários (BSC) na produção de alimentos e enfrentamento da seca; promover o intercâmbio de experiências agroecológicas de valorização das sementes da paixão; fortalecer a Rede Sementes da ASA Paraíba como estratégia de luta e resistência pela conservação da agrobiodiversidade; refletir sobre o livre uso das sementes da paixão e as ameaças à agrobiodiversidade e, por fim, construir mecanismos para as políticas públicas de sementes no semiárido paraibano.

Sementes da Paixão foi o nome dado no Estado às sementes crioulas ou nativas, cultivadas e conservadas pelas famílias camponesas há várias gerações. Em outros estados, são conhecidas como “Sementes da Resistência” ou “Sementes da Fartura”.

A sexta edição da Festa Estadual das Sementes da Paixão reuniu, no seu primeiro dia, cerca de 300 pessoas, entre agricultoras e agricultores familiares, assessores técnicos, estudantes e pesquisadores da temática e gestores públicos. Nesta sexta-feira, último dia de evento, a programação é aberta ao público e são esperadas 1.200 pessoas no ato público em que o objetivo é dialogar com a sociedade sobre a importância do trabalho em torno das sementes da paixão para reprodução da vida na agricultura.

Nas mesas de diálogo, são debatidas a conjuntura da política de sementes para o Semiárido e o cenário de ameaças à agrobiodiversidade representada pelo uso de agrotóxicos e transgênicos. Houve ainda a realização de seis oficinas temáticas (gestão e organização de bancos de sementes, sementes de animais, sementes de hortaliças e florestais, o papel das mulheres enquanto guardiãs da biodiversidade e beneficiamento de frutas nativas e adaptadas) e feiras em Arara e Campina Grande com barracas expondo experiências e produtos da agricultura familiar, além de testes de transgenia de sementes com emissão de certificados “livre de transgênicos”.

Durante o evento, vários agricultores se pronunciaram, sobretudo a juventude. Uma delas foi Sabrina Maria Belo da Silva, de 16 anos, moradora do Sítio Aningas, em Massaranduba. “Cabe à gente escolher se quer a semente da vida ou da morte. A gente não precisa de muito para produzir, só precisamos da nossa semente, no momento certo de plantar. Cabe à gente seguir com o nosso trabalho, escolher se queremos uma vida de lutas e conquistas ou uma vida fácil, mas enganosa”, afirmou.

Ana Paula Cândido da Silva, da Comissão Regional de Juventude e do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Queimadas, defendeu a qualidade das sementes crioulas. “As nossas sementes são de qualidade, não é à toa que a juventude de hoje trabalha com elas. As nossas sementes vêm resistindo de geração para geração. As pessoas às vezes falam que o agricultor não é formado, mas nós somos doutores em agricultura e ninguém melhor do que nós para saber o que é melhor para a gente”, disse.

Para seu José Alves de Luna, conhecido como “Zé Pequeno”, guardião do Sítio São Tomé II, município de Alagoa Nova, as sementes da paixão são sinônimo de fartura. “Estou com 68 anos plantando essa semente e nunca plantei para dizer ‘perdi’, não. É sempre fartura. Eu nunca vi miséria na minha vida com essa semente, não tem inverno ruim com ela. Tenho orgulho de ser um defensor dessa semente. Eu considero um patrimônio meu”.

Na palestra realizada nessa quinta-feira (15), o secretário Lenildo Morais afirmou que a sexta Festa Estadual das Sementes da Paixão é um coroamento de um processo que mobilizou nos últimos meses, em todas as regiões do Semiárido Paraibano, milhares de famílias articuladas à Rede Bancos de Sementes Comunitários, atualmente composta por mais de 7.000 famílias associadas a mais de 200 bancos distribuídos pelo Estado.

“A criação da modalidade ‘Sementes’ no Programa de Aquisição de Alimentos deve ser ressaltada, uma vez que reconhece a importância das sementes crioulas para o desenvolvimento da agricultura familiar e aciona os mecanismos de compra públicas para fomentar a conservação e o uso desses materiais”, afirmou o secretário.