João Pessoa
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Governo orienta população na véspera do Dia Internacional de Combate à Aids

sábado, 30 de novembro de 2013 - 21:00 - Fotos:  Ricardo Puppe/Secom-PB

Quem passou neste sábado (30) pela Praça Rio Branco, no centro de João Pessoa, recebeu orientações de prevenção à Aids. A ação integra a programação para a mobilização do Dia Internacional de Combate à doença, que ocorre neste domingo (1º).

Aproximadamente 40 profissionais de saúde e membros de ONGs, entre farmacêuticos, enfermeiros, assistentes sociais e psicólogos, realizaram testes rápidos de detecção de HIV, hepatite B e C e sífilis. Houve também distribuição de camisinhas e apresentações dos grupos de teatro municipal do Centro de Tratamento da Aids (CTA) Ambulatório da Saúde, além do grupo Cia da Saúde e do Sorriso, do Hospital Clementino Fraga.

No local foram instalados estandes para atender as pessoas com a testagem rápida e distribuição de preservativos. A atividade foi desenvolvida em uma parceria entre o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Saúde e Complexo Hospitalar de Doenças Infecto Contagiosas Clementino Fraga, Secretaria Estadual da Mulher e da Diversidade Humana, instituições não governamentais e a secretaria municipal de Saúde. Neste domingo, o mesmo trabalho será realizado a partir das 7h no Busto de Tamandaré, entre as praias de Tambaú e Cabo Branco.

Há 16 anos V.G.A, de 41 anos descobriu que é portador da doença. De acordo com ele, na época não havia muita informação sobre o assunto, ele estava concluindo Medicina Veterinária na UFPB e, por conta do problema, não pode exercer a profissão que tanto queria, já que o trabalho coloca em exposição pessoas com baixa imunidade. Hoje é educador social e garante que leva uma vida natural regrada de uma boa alimentação, prática de esportes, além de dormir bem e tomar os medicamentos no horário certo.

“Minha família e meus amigos me acolheram super bem, só passei por discriminação uma vez em um consultório odontológico. É importante que as pessoas se cuidem mais, conversem mais sobre esse assunto. Hoje existe muito mais informação do que antigamente, além de todos os métodos de segurança que existem para evitar a contaminação”, finalizou.

Para o casal Aluísio Francisco da Silva, de 55 anos, e Meuriane Dias dos Santos, de 35 anos, o Governo está de parabéns pela iniciativa em promover ações tão importantes. “Eventos como esse devem acontecer de forma contínua, especialmente indo pessoalmente à população, pois acho que as campanhas em rádio ou televisão são importantes, mas acredito que o contato diretamente com as pessoas consegue alcançar de forma mais rápida o objetivo esperado que é o de conscientizar a população a fazer o exame e assim prevenir a doença”, disse Aluísio, que juntamente com a mulher fez o teste rápido e aguardava ansioso pelo resultado.

A conselheira nacional de Saúde LGBT, Fernanda Bevenutti, destacou que os movimentos na rua são importantes no sentido de conscientizar a população, além de mostrar os problemas da doença. Fernanda ainda disse que é importante o diálogo especialmente com os jovens, que continuam praticando sexo sem camisinha. Ela esclareceu também que a concepção de grupo de risco caiu. “A Aids não escolhe grupo de risco. Quem tem vida sexual ativa e não usa camisinha tem possibilidade de contrair a doença, por isso tem que se cuidar e se prevenir”, afirmou.

De acordo com a chefe do Núcleo de DST/Aids e Hepatites Virais da SES, Ivoneide Lucena, a Aids existe há 30 anos no Brasil, sendo o 1º caso registrado em 1982. Ivoneide destaca que o uso da camisinha não evita apenas a contaminação de doenças sexualmente transmissíveis, mas também evita a gravidez indesejada. Ela ainda alertou sobre a importância de diagnosticar precocemente a doença, por meio do teste rápido e que as ações são importantes para desmistificar e levar informação à população. No caso das gestantes, Ivoneide destacou que é necessária a realização do exame no 3º e 7º mês, além de repetir na hora do parto. No caso da mãe ser positiva, o bebê deve ser medicado com coquetel (xarope de AZT) até os dois anos de idade, além do acompanhamento médico.

Dados – Durante o ano de 2013, a SES mobilizou uma força-tarefa para implantar o teste rápido na Atenção Básica, com o objetivo do diagnóstico precoce. Foram realizadas várias ações de testagem rápida para as populações vulneráveis, pessoas privadas de liberdade, profissionais do sexo, homossexuais, travestis, como também para a população em geral.

De acordo com dados da SES, em 70% dos municípios paraibanos já existe o teste rápido, e só este ano 314 pessoas que fizeram essa testagem foram diagnosticadas com o vírus da Aids na Paraíba. De 1985 até o momento, 5.412 pessoas, entre adultos e crianças, foram diagnosticadas com HIV no Estado. Até o mês de outubro, 2.905 adultos e 29 crianças estavam em tratamento.

Os locais de atendimento para Aids/HIV são o Hospital Clementino Fraga e o Hospital Universitário Lauro Wanderley (HU), em João Pessoa, o Hospital Universitário Alcides Carneiro e o Serviço de Atendimento Especializado (SAE), em Campina Grande, os SAE Municipais de Santa Rita, Cabedelo e Patos, além da 9ª Gerência Regional de Saúde, em Cajazeiras.

“O atendimento no interior é realizado por infectologistas nos SAE municipais, e a cada três meses o paciente é encaminhado para o Clementino Fraga, em João Pessoa, para a coleta de CDS e carga viral”, explicou Ivoneide.

Em alusão ao Dia Mundial de Combate à Aids, 2 milhões de preservativos foram distribuídos em todo o Estado.