Fale Conosco

31 de maio de 2012

Governo oferece serviços de saúde para PMs no Dia Mundial Sem Tabaco



A Secretaria de Estado da Saúde (SES) promoveu, na manhã desta quinta-feira (31), no 1° Batalhão da Polícia Militar, diversas ações de saúde e de esclarecimento sobre os danos causados pelo tabagismo, em alusão ao Dia Mundial Sem Tabaco.

O evento atendeu ao contingente de cerca de 100 policiais e bombeiros militares lotados no 1° Batalhão da Polícia Militar, localizado no Centro da Capital. Além de orientações nutricionais e distribuição de material educativo acerca do tabagismo, a SES ofereceu serviço de verificação da pressão arterial, Teste Rápido de HIV e imunização de gripe (H1N1). Os policiais fumantes ainda puderam verificar o grau de oxigênio e de monóxido de carbono em seus pulmões, através da utilização de aparelhos como o respirômetro e o monoxímetro, respectivamente.

De acordo com a coordenadora do Núcleo de Doenças e Agravos não Transmissíveis, Gerlane Carvalho, a ação foi destinada aos PMs com o objetivo de prestar um serviço necessário de avaliação de saúde para profissionais que não possuem muito tempo para cuidar de si.

“Nós sempre procuramos envolver públicos diferentes nas ações da Secretaria de Estado da Saúde e assim atingir cada vez mais pessoas. Sabemos que a rotina dos policiais militares é muito corrida e estressante, o que os impede, muitas vezes, de tomar certos cuidados com a saúde. Acreditamos que a ação de hoje seja o primeiro passo para muitos deles, especialmente os fumantes, começarem a refletir sobre os perigos do tabagismo”, explicou.

Para o subcomandante do 1° Batalhão da Polícia Militar, Major Fortes, a iniciativa da SES é de extrema relevância e vem atender uma necessidade latente dos policiais militares. “Infelizmente, não temos o costume de realizar avaliações constantes acerca de nosso estado de saúde. Cuidamos da saúde de nossos familiares e, de certa forma, do bem estar da população, mas muitas vezes esquecemos de cuidar de nós mesmos. Com esta iniciativa, a equipe de saúde acabou vindo até nós, o que encurta a distância e nos ajuda imensamente. A Secretaria de Saúde está de parabéns pela realização”, disse o subcomandante.

Este é o caso do bombeiro militar da reserva, Leidgan Oliveira. Ele foi um dos profissionais atendidos que recebeu um alerta a respeito de suas condições de saúde. Fumante há 30 anos, Leidgan apresentou 25% de monóxido de carbono no ar que sai de seus pulmões. A elevada taxa causou espanto na equipe da SES. Para se ter uma ideia, níveis de 10 a 13% já representam um fumante perigosamente viciado. Taxas acima desse nível causam danos permanentes e provocam envenenamento por monóxido de carbono. “Fique espantando com a taxa. Já tentei parar de fumar por várias vezes, mas nunca consegui, até porque faltava apoio. Agora que fiquei sabendo que há centros de tratamento, com certeza vou fazer uma nova tentativa, e desta vez pretendo conseguir”, afirmou o bombeiro aposentado.

Leidgan recebeu informações a respeito do trabalho realizado nos 37 Centros de Referência para Tratamento dos Fumantes implantados em toda a Paraíba, que oferecem apoio, de maneira gratuita, para os interessados em se livrar do vício provocado pela nicotina. O serviço é oferecido em Unidades de Saúde da Família, em Centros de Atenção Psicossocial (Caps), Centros de Atenção Integral à Saúde (Cais), Núcleos de Apoio à Saúde da Família (Nasf) e Centros de Saúde, que recebem apoio do Governo do Estado no que diz respeito à capacitação das equipes e monitoramento dos trabalhos realizados, além da coordenação do repasse dos medicamentos enviados pelo Ministério da Saúde.

Em 2011, foram atendidos 252% de usuários a mais do que no ano anterior. Conforme os dados da SES, foram 2,6 mil atendimentos no ano passado e 738 em 2010.

Segundo Gerlane Carvalho, qualquer pessoa pode procurar os centros de referência, mas é preciso ter em mente a real vontade de parar de fumar. “O tabagismo é uma doença e o paciente precisa querer parar de fumar. Quando ele toma esta decisão, pode procurar a administração desses centros para iniciar uma avaliação. O fumante é recebido por assistentes sociais que vão agendar o primeiro atendimento psicológico a fim de verificar as reais condições do paciente. Depois disso vem uma avaliação clínica e só então se define se o tratamento será realizado apenas através do atendimento psicológico ou se há necessidade de iniciar o tratamento medicamentoso”.

O uso dos medicamentos acontece sob monitoramento da equipe do Centro. As recaídas são possíveis e, quando ocorrem, os dependentes voltam a ser acompanhados e precisam retomar o trabalho do zero.

Dados – De acordo com a estimativa  do Instituto Nacional de Câncer (Inca) para este ano, na Paraíba, 240 pessoas deverão ser acometidas de câncer de traqueia, brônquios e pulmão, órgãos diretamente afetados pelo consumo do tabaco. Segundo dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), só neste ano já foram registrados 16 óbitos por câncer de esôfago, laringe e pulmão na Paraíba.

O tabagismo é considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) a principal causa de morte evitável em todo o mundo. A OMS estima que um terço da população mundial adulta, isto é, 1 bilhão e 200 milhões de pessoas, sejam fumantes. Na Paraíba há 511.480 fumantes paraibanos e 99.720 deles (19,49% do total) estão em João Pessoa, de acordo com o  Inca.  Em todo o Estado, 2.560 pessoas morrem por ano em decorrência do uso do cigarro.