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Governo lembra Dia Estadual de Combate ao Fumo com ações de saúde

terça-feira, 14 de março de 2017 - 16:44 - Fotos:  Ricardo Puppe/Secom Pb

O Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (SES), realizou nesta terça-feira (14), no Shopping Tambiá, em João Pessoa, diversas atividades para lembrar o Dia Estadual de Combate ao Fumo – celebrado no dia 15 de março. A programação começou às 9h e seguiu até 12h, com ações visando à prevenção do tabagismo.

Entre os serviços, foram oferecidos testes de Fagerstrom (avalia o grau de dependência à nicotina) e Peak Flow (avalia a capacidade respiratória); aferição de pressão arterial; além de orientações sobre os malefícios do tabagismo, os locais de tratamento disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS), explicações sobre a Lei Anti-Fumo e distribuição de material educativo.

De acordo com a chefe do Núcleo de Doenças e Agravos não Transmissíveis da SES-PB, Gerlane Carvalho, a receptividade da população ao evento foi, como sempre, positiva. O público frequentemente se interessa por novas informações de saúde. “Nosso foco foi atender os fumantes, sejam eles ativos ou passivos. Os testes foram realizados, fizemos análise de quanto tempo o indivíduo fuma, sua capacidade respiratória e, assim, desenvolvemos tanto o trabalho de prevenção, quanto de alerta”, disse ela.

Para Gerlane, a intenção de promover ações como esta é levar informação para a população, visando uma melhor qualidade de vida e proporcionando ambientes livres do cigarro. “O Dia Estadual de Combate ao Fumo é mais uma data em que podemos alertar a população para a prevenção do tabagismo, bem como seu tratamento e a proibição do uso do cigarro em ambientes de uso coletivo total ou parcialmente fechados, conforme a Lei Federal de Anti-Fumo que fortalece a Lei Estadual nº 8958, de 30 de outubro de 2009. É um evento pontual que reafirma o trabalho feito durante todo o ano”, informou.

O cigarro figura como potencializador de doenças crônicas. “Nosso papel é orientar, mostrar que existem maneiras de parar de fumar, oferecer apoio psicológico, para que, consequentemente, o paciente se sinta motivado a procurar ajuda profissional, deixar o vício e mudar de vida”, pontuou Gerlane.

Os fumantes passaram ainda pela avaliação psicológica para receberem orientações sobre os tratamentos adequados e mudança de comportamento para deixar de fumar. Querer parar de fumar é o primeiro passo! O segundo é entender que a ajuda psicológica, através de terapias coletivas, é essencial. São nas sessões de terapia que o fumante percebe que o problema não é só dele, pelo contrário, tem muita gente querendo deixar o vício. A abordagem cognitivo-comportamental é de suma importância, com ela o fumante consegue descobrir quais são os pensamentos e sentimentos que o levam a fumar e, consequentemente, aprende a driblar as situações”, explicou a psicóloga da SES, Maria da Guia Machado Costa.

Também passando orientações para a população, o médico cardiologista da SES, Fábio Medeiros, explicou que as campanhas são muito importantes porque alerta a todos sobre os problemas que o cigarro traz. Segundo ele, o tabagismo é responsável por 90% de todos os cânceres; 80% dos casos de problemas respiratórios (efizema pulmonar, asma); 25% dos casos de AVC e infarto estão ligados ao cigarro; problemas de pele; abortamento precoces e problemas no bebê ao nascer e em outras fases da vida da criança; impotência sexual.

“São inúmeros os problemas e não conseguimos visualizar nenhum benefício, mesmo assim, é um vício difícil de largar. Infelizmente, muitas pessoas só param de fumar quando acontece algo de grave com elas ou alguém próximo. Pouco tempo após parar de fumar, o indivíduo já pode sentir novamente o sabor dos alimentos e cheiros – por isso é comum vermos pessoas que engordam quando deixam o vício. A mudança tem que ser completa! Alimentação saudável e atividades físicas devem entrar na rotina”, orientou Fábio, que lembrou, ainda, que não é só o cigarro que faz mal. O rapé, cachimbo, fumo de rolo e o narguilé também trazem prejuízo à saúde.

Jacira Rodrigues é empregada doméstica e tem um filho fumante. Aproveitou o evento para buscar orientações sobre tratamentos e serviços. “Nunca fumei na vida. Meu filho tem 22 anos e fuma desde 15, aprendeu com os amigos na escola. Ele chega a fumar até duas carteiras por dia. Já tentei convencê-lo de que faz mal, mas ainda não consegui. Neste evento consegui orientações de profissionais capacitados e vou fazer o possível para ajudar meu filho a sair dessa”, comentou.

As atividades foram realizadas por meio de parcerias com a Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa; Agência Estadual de Vigilância Sanitária (Agevisa); Associação Médica da Paraíba (AMPB); Sociedade Paraibana de Pneumologia; Hospital Clementino Fraga; planos de saúde: Cassi, Geap e Afrafep.

 

 

Dados – O tabagismo é considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) a principal causa de morte evitável em todo o mundo. A OMS estima que um terço da população mundial adulta – cerca de 1 bilhão e 200 milhões de pessoas – seja de fumantes.

De acordo com estimativas do Instituto Nacional do Câncer, a Paraíba possui hoje 453.546 fumantes (11,5% da população) e, destes, 92.197 estão em João Pessoa.

Em 2014, em todo o Estado, 426 pessoas morreram vítimas de cânceres relacionados ao fumo. Em 2016, este número caiu para 359. Em João Pessoa, 85 pessoas morreram em 2015 em decorrência dos principais cânceres ligados ao fumo. Já em 2016, foram 87 mortes na Capital paraibana.

Cigarro - A nicotina, presente no cigarro, causa dependência e age na região do cérebro cerca de 50 doenças graves estão relacionadas ao tabaco, entre elas: câncer de pulmão, boca, laringe, estômago; leucemia; infarto; bronquite; infecções respiratórias; trombose vascular. A fumaça do cigarro tem mais de 4600 substâncias, entre elas 40 são cancerígenas.

Tratamento – O paciente é atendido na Unidade Básica de Saúde (UBS) do seu município e, posteriormente, encaminhado ao serviço adequado para sua necessidade. Na Paraíba, existem atualmente 37 Centros de Referência para Tratamento dos Fumantes, onde se pode buscar apoio para se livrar do vício em nicotina. O serviço é oferecido em Unidades de Saúde da Família; em Centros de Atenção Psicossocial (Caps); Centros de Atenção Integral à Saúde (Cais); Núcleos de Apoio à Saúde da Família (Nasf) e Centros de Saúde. Em alguns casos, os pacientes abandonam o cigarro com menos de um mês de acompanhamento.

O tratamento nesses locais é mantido pelo Ministério da Saúde, que repassa medicamentos ao Estado. Este, por sua vez, é responsável pela qualificação das equipes, monitoramento do trabalho nos centros e pelo encaminhamento do material enviado pelo Ministério. Os municípios entram com a administração das unidades de saúde.

Referência – Os hospitais de referência no Estado para atendimento pelo SUS no combate aos tipos de câncer relacionados ao uso do tabaco são: Napoleão Laureano e Instituto Walfredo Guedes (Hospital São Vicente) em João Pessoa e Hospital Universitário Alcides Carneiro (HUAC) e Hospital da Fundação Assistencial da Paraíba, em Campina Grande.