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Governo investe e aumenta número de transplante de fígado na Paraíba

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010 - 12:47 - Fotos: 

Uma espera longa e dolorosa. Assim é a vida das pessoas que precisam de um transplante de órgão. Para amenizar essa dor e tornar mais célere todo esse processo, o governo do Estado da Paraíba, através da Secretaria de Saúde (SES), está colocando em prática várias ações. Uma delas foi à formação de uma equipe de médicos, composta por um cirurgião geral, um cirurgião cardíaco, um urologista e um anestesiologista, que vem atuando efetivamente na captação de múltiplos órgãos a serem transplantados. O grupo foi instituído no mês de novembro de 2009 após a secretaria constatar que a média de transplante de fígado no Estado estava bem abaixo da nacional.

“No mês de outubro, foi realizada uma reunião onde se discutiu o baixo índice de transplante aqui na Paraíba. Além da Associação Brasileira para Transplante de Órgãos (ABTO), também participaram dessa discussão várias entidades e médicos. O objetivo foi reunir toda a equipe na busca de se identificar quais eram as necessidades para que o processo se tornasse ágil”, explicou o chefe da equipe transplantadora de fígado na Paraíba, Cássio Oliveira.

A captação de múltiplos órgãos é realizada no Hospital de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena (HETSHL) e as cirurgias de transplante acontecem em hospitais particulares da Capital, através de convênio com o Sistema Único de Saúde (SUS) ou até mesmo em outros Estados. Em poucos meses, o projeto já alcançou ótimos resultados.

Integrante também da equipe, o médico José Eymard Filho, clínico responsável pelo transplante de fígado, relatou que com o investimento que vem sendo realizado pelo atual governo no setor, já se observa um avanço considerável no número de transplantes de fígado no Estado.

De acordo com ele, entre meados de novembro de 2009 até a primeira quinzena de janeiro de 2010, já foram realizados cinco transplantes de fígado na Paraíba, sendo o último no dia 14. “Temos muito que comemorar, pois a Paraíba passou cerca de oito meses sem efetuar nenhum transplante de fígado. Com a mudança de governo, se passou a investir mais na área de transplante. Com essa nova política, em apenas dois meses, conseguimos alcançar esse número, o que representa mais esperança para quem está na lista de espera”, afirmou o médico José Eymard Filho.

Em cinco anos, de 2004 a 2009, a Paraíba realizou apenas 45 transplante de fígado, o que representa uma média anual de 9 ou uma média mensal de 0,75. Com a instituição dessa equipe, o atual governo pretende, para este ano de 2010, realizar três transplante por mês, o que representa uma média de 36 cirurgias ao ano.

Outro beneficio que os pacientes que precisam de um transplante terão será um ambulatório especifico para esse tipo de atendimento. A unidade vai funcionar no mesmo prédio do Instituto de Previdência Estadual (IPEP), no bairro 13 de maio. O local está passando por uma reforma e deve ser inaugurado ainda neste primeiro semestre. No ambulatório, o governo quer otimizar o atendimento e para tanto vai atuar em três frentes, que são: a identificação do paciente, o suporte que ele precisa e o acompanhamento.

O médico anestesiologista Ruy Evangelista, que integra a equipe de transplante de fígado e coração, informou que com a inauguração do ambulatório, o paciente não ficará mais peregrinando em busca de atendimento. “Todos os serviços que o paciente precisar, ele vai encontrar em um único lugar. Neste ambulatório, ele será avaliado, vai se inscrever na lista de espera por um transplante, vai realizar todos os exames e recebê-los no mesmo local, ou seja, vai ser acompanhado por toda uma equipe antes e após a cirurgia”, explicou Dr. Ruy.
        
O governo montou, no último mês de maio, uma equipe que atua no diagnóstico de morte encefálica de possíveis doadores de órgãos e tecidos no Hospital de Trauma de João Pessoa. O serviço funciona em regime de plantão 24 horas e conta com a atuação de quatro profissionais, sendo três neurologistas e um neurofisiologista especialista em imagem. No HT também foi reestruturada e ativada a Comissão Intra-hospitalar de Doação de Orgãos e Tecidos para transplante (CIHDOTT). “A grande maioria dos doadores é encontrada no hospital de Trauma. Por isso, foi capacitada essa equipe que fica de plantão para o diagnóstico preciso da morte encefálica e a identificação do possível doador, o que agiliza o processo de captação do órgão”, frisou.
        
De acordo com a equipe de transplante de fígado que trabalha no HT, dois outros projetos devem ser implantados ainda este ano com o apoio estrutural da Secretaria de Saúde. Um deles será o início de cirurgias de transplante pediátrico e o outro de transplante entre doador vivo. “Pretendemos sedimentar e ampliar as captações e transplantes na Paraíba. Com o aumento do número de cirurgias, a idéia é criar um centro formador, onde serão treinados profissionais para fazerem essa captação em outros municípios do Estado”, planeja o clínico José Eymard Filho.
        
Depois de ser retirado do doador, o tempo ideal para o fígado ser transplantado é de 12 horas. Já os rins, o prazo são de 24 horas e o coração  apenas quatro horas. Em condições normais, qualquer pessoa até os 65 anos pode doar seus órgãos e tecidos. Na última semana, a Paraíba comemorou o 50° transplante de fígado desde que foi inaugurada Central de Transplante, há cerca de 10 anos. O chefe da equipe transplantadora de fígado na Paraíba, Cássio Virgilio de Oliveira, vê com muito otimismo o crescimento no número de doações de órgãos no Estado, o que tem proporcionado aos futuros candidatos ao transplante, uma esperança de vida. Segundo o especialista, essa é a primeira vez no Estado que o assunto é tratado de forma profissional por seus governantes.

“Hoje, há uma grande diferença na estrutura hospitalar. E essa melhoria reflete justamente em mais captações e, consequentemente, em doações. Os doadores sempre estiveram lá, mas era difícil identificá-los pela estrutura frágil que existia. Agora, se há uma condição de manter esse potencial doador até que seja concluído todo o processo para a realização do transplante“, comemora o chefe da equipe.
        
Associado a essa melhoria estrutural, as famílias começaram a acreditar no serviço e mesmo sem uma campanha efetiva, estão concordando com as doações. “Noventa e nove por cento das mortes de doadores acontecem de forma brusca, ou seja, a pessoa é vítima de um assalto, acidente ou até mesmo um suicídio. Mesmo nesse momento de dor, a família se sensibiliza com a causa e autoriza a doação. Hoje, quase não temos negação dos parentes, pois estes observam que a estrutura hospitalar está bem mais equipada e tudo o que poderia ser feito para manter o ente vivo foi realizado. Isto é, o paciente está sendo bem mais tratado e com isso a família, mesmo recebendo a notícia da morte de forma abrupta, concorda com a doação. E esse apoio que recebemos das famílias dos doadores é fundamental para a continuidade do nosso trabalho, que é devolver a esperança de vida para uma pessoa que muitas vezes passou anos em uma lista de espera por um órgão”, frizou Cássio Virgilio de Oliveira. Atualmente, 12 pacientes na Paraíba estão na lista de espera por um fígado.
        
Na região Nordeste, segundo o chefe da equipe, o Estado do Ceará ocupa o primeiro lugar na lista de transplante de fígado. Porém, com todos os investimentos e projetos, a Paraíba teve se igualar ou até mesmo ultrapassar essa margem em pouco tempo. “Com a inauguração do ambulatório vamos ampliar ainda mais essa rede de serviço. Além de concentrar todos eles em um único lugar, também vamos priorizar o atendimento humanizado, onde vamos acompanhá-los no pré e pós-operatório. Cada paciente terá seu prontuário cadastrado na central e com isso, facilitar ainda mais sua identificação. Todo esse trabalho só tem um objetivo: amenizar cada vez mais o sofrimento dessas pessoas”, destacou.
 
OS ÓRGÃOS

Um único doador pode ajudar a salvar a vida de mais de 10 pessoas. Podem ser doados: as córneas; o coração; o pulmão; os rins; o fígado; pâncreas; ossos; medula óssea (se compatível, feita por meio de aspiração óssea ou coleta de sangue); mais pele e válvulas cardíacas. Para mais informações sobre doação de órgãos, os interessados podem acessar o endereço eletrônico www.saude.pb.gov.br/transplante ou ligar para a Central de Transplante nos telefones 3244 6192 ou 9981 1085. O telefone do Banco de Olhos é 3216-5744.

Assessoria de Imprensa do Hospital de Emergência e Trauma