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Governo garante recuperação genética de bovinos na Emepa

terça-feira, 7 de maio de 2013 - 12:10 - Fotos:  José Lins/Secom-PB

A Empresa Estadual de Pesquisa Agropecuária da Paraíba (Emepa) é reconhecida nacionalmente como a matriz responsável pela formação dos principais rebanhos de zebuínos leiteiros do Brasil. Um convênio de cooperação técnica para a recuperação e multiplicação intensa pelo uso de biotecnologia em reprodução, firmado entre o Governo da Paraíba e a Universidade de Uberaba-MG, vai renovar os rebanhos da empresa; disponibilizá-los aos produtores paraibanos e expandir a genética pelo país. “A genética base do rebanho que o país tem hoje passou pela Emepa”, revela o pesquisador em produção e melhoramento animal do órgão, Daniel Benitez.

O presidente da Emepa, Manoel Duré, comemora a parceria histórica. “São notícias ótimas e depois da recuperação do patrimônio genético da Emepa, a meta agora é a democratização desses animais para que eles cheguem aos produtores da agricultura familiar”, planeja.

Nessa primeira etapa da parceria, 200 animais chegarão da Universidade de Uberaba para as estações da Emepa em Alagoinha e Umbuzeiro. Os primeiros desembarcam no mês de agosto. Todos nascidos por meio da biotecnologia em reprodução in vitro.

O pesquisador Daniel Benitez esclarece que os animais, fêmeas e machos reprodutores de alto padrão genético envelheceram e era preciso recuperar a máquina produtora genética que estava quase sem condições reproduzir. Um estudo realizado pela Universidade de Uberaba identificou, através do DNA, que os rebanhos mais puros, comparados aos que vieram da Índia, no passado, são os da Emepa.

Daniel Benitez citou um caso de uma vaca da raça Guzerá, de 18 anos, que deixou, em apenas em um ano e meio, 10 bezerros pelo processo de biotecnologia de fertilização in vitro.  “A Emepa não tinha a infraestrutura de biotecnologia em reprodução e tínhamos genética. A Uniube tinha biotecnologia, mas não tinha genética. Foi um convênio de cooperação e complementação”, destacou Benitez.

Com 33 anos de experiência em produção e melhoramento animal, Benitez destacou o trabalho. “É fundamental para o país, para a pecuária nacional que volta a recuperar um tesouro perdido”. No projeto também estão integrados os pesquisadores da Emepa, Ricardo de Miranda Leite (coordenador) e Rômulo Pontes de Freitas Albuquerque.

Em um ano e meio já foram selecionados 40 animais, sendo 32 da raça Guzerá e oito da raça Sindi, todos com mais de sete meses de idade. Neste processo pioneiro, a Emepa não teve qualquer custo. Em dezembro, chegarão à Paraíba novos animais.

O diretor técnico da Emepa, Wandrick Hauss de Sousa, comemora o salto de qualidade que o Governo da Paraíba disponibiliza ao recuperar a genética bovina. “Há 20 anos, a reprodução in vitro era estudo e hoje virou realidade. Essa técnica diferente da transferência de embrião é muito mais refinada, com a formação de embrião feita no laboratório. Isto possibilita à Emepa um salto qualitativo do melhoramento genético”, avalia.