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Governo e sociedade assinam pacto de prevenção e combate às drogas

sexta-feira, 23 de abril de 2010 - 16:46 - Fotos: 

As crianças e jovens paraibanos vão ser orientados a nunca experimentar ou se envolver com drogas. O Programa Estadual de Políticas sobre Drogas (PEPD/PB) foi assinado no Palácio da Redenção, em João Pessoa, no final da manhã desta sexta-feira (23), pelo governador José Maranhão, diversos secretários de Estado e representantes do Ministério Público Estadual, polícias Federal, Militar e Civil, igreja católica, igrejas evangélicas, Ordem dos Advogados do Brasil, Conselho Estadual da Juventude, entidades de classe, dentre outras instituições públicas e organismos da sociedade civil.

Maranhão destacou que as drogas hoje são um flagelo da sociedade atingindo especialmente a juventude, sobretudo com o surgimento do crack que tem vitimado milhares de crianças e jovens no Brasil. “Nós estamos fazendo esta campanha, este programa cujo êxito vai depender em grande parte da adesão das entidades representativas da sociedade”, afirmou o governador.

Ele considerou que o lançamento do Programa Estadual de Políticas sobre Drogas (PEPD/PB), com o engajamento de diversas lideranças no campo social, religioso, e da gestão pública, é fundamental na prevenção e no combate às drogas. E agradeceu a todas as autoridades que assinaram o pacto.
 
MP parceiro – O procurador geral de Justiça, Oswaldo Trigueiro do Vale Filho, avaliou que a criação do programa é uma proposta importante, necessária à prevenção e ao combate das drogas. “São iniciativas dessa natureza, aproximando os órgãos de controle que tem o dever de combater a violência, que fazem com que de fato a gente possa ter esperança de dias melhores”, revelou. “O Ministério Público será sempre absolutamente parceiro nessas iniciativas de combate às chagas, uma delas essa questão das drogas”, concluiu o procurador.
 
Alcance social – O jovem Mateus Firmino, falando em nome do Conselho Estadual da Juventude, afirmou que o programa lançado pelo Governo do Estado tem grande alcance social. Destacou que a violência causada pelas drogas faz muitas vítimas, principalmente na periferia, e muitos mortos são jovens negros. O crack, segundo Mateus, tem causado um verdadeiro genocídio, jovens matando jovens por conta dessa droga. “Esse programa tem a possibilidade de não só reprimir o narcotráfico, mas também contribuir com a prevenção e com a política de redução de danos”, observou. 

O arcebispo da Paraíba, Dom Aldo Pagotto, que também assinou o pacto, revelou ser preciso livrar as crianças e jovens das mãos de traficantes. “É fundamental a reconstituição do núcleo familiar, envolver a família na prevenção e no combate às drogas. Em praticamente toda questão da violência está presente a droga. A base é a educação e juntos, governo e sociedade devem contribuir com ações que salvem crianças e jovens das drogas”, afirmou o religioso.
 
Gestor estadual – Já o policial federal aposentado Deusimar Guedes, idealizador do programa, foi nomeado pelo governador José Maranhão como gestor estadual do conjunto de ações preventivas de proteção aos jovens e crianças das drogas em todo o território paraibano. Deusimar afirmou ser preocupante “o aumento do uso do crack que tem feito crescer a violência na Paraíba em todo o País”. Revelou que os maiores consumidores de drogas estão concentrados em dois extremos: na periferia e na classe alta.
 
O gestor estadual do programa destacou que a sociedade contemporânea se encontra diante do maior problema de saúde pública da atualidade, que é o uso indevido de drogas. Afirmou que o Governo da Paraíba, ao lançar o programa, “está demonstrando que igualmente a cidadãos e cidadãs paraibanos também está preocupado com o crescimento da violência”.
 
Força tarefa – O secretário de Estado da Educação e Cultura (SEEC), Francisco Sales Gaudêncio, declarou que o Programa Estadual de Políticas sobre Drogas vem se somar a outras iniciativas de políticas preventivas contra as drogas. A secretária do Desenvolvimento Humano (SEDH), Giucélia Figueiredo, afirmou que a Secretaria estará empenhada de forma intensa no programa com os assistentes sociais e psicólogos.

“Será uma força tarefa, uma ação em defesa da cidadania das crianças e jovens paraibanos e a palavra de ordem é prevenção, fortalecer a rede de proteção social, motivando os jovens para atividades culturais, de lazer, é esse nosso grande papel”, destacou Giucélia. Por sua vez, secretária executiva da Saúde do Estado, Lourdes Aragão, afirmou que o programa terá a participação da SES na prevenção, combate e no tratamento de jovens vítimas das drogas.

Orientação – O membro do Conselho Tutelar da Região Norte João Pessoa, Sérgio Lucena, avalia que a proposta lançada nesta segunda-feira é muito importante diante da necessidade de campanhas de prevenção e conscientização, “com o objetivo de orientar a criançada e a juventude quanto aos males que causam as drogas. Esse programa chega em boa hora para que a gente possa ter uma perspectiva de melhorar as condições de combate às drogas na Paraíba”, revelou.

O curador do Cidadão, Valberto Lira, definiu como “de suma importância a iniciativa do Governo do Estado de desenvolver, em parceria com a sociedade civil, uma ação que vai focar sobretudo a orientação de professores e alunos nas escolas”.
 
Funcionamento – O programa vai desenvolver ações preventivas e cuidar de dependentes, além de aumentar o rigor contra o tráfico de entorpecentes. Professores da rede pública e equipes da Saúde serão treinados e capacitados. A iniciativa pretende ainda oferecer condições a esses profissionais para identificarem e ajudar o dependente químico ainda na fase inicial.

Os cursos serão ministrados em parceria com agentes da Polícia Federal, igrejas e universidades. Além disso, serão criadas novas unidades de atendimento e tratamento dos usuários e serviços de assistência à família do paciente.

Números – O policial federal aposentado Deusimar Guedes, idealizador e agora gestor estadual do programa, é autor do livro ‘Drogas, problema meu e seu’, para ajudar pais e professores a lidar com os casos envolvendo crianças e adolescentes.

Estatísticas revelam que pelo menos 2,5% dos alunos dos ensinos fundamental e médio de João Pessoa já experimentaram o crack uma vez na vida. O percentual é maior do que o registrado em São Paulo e Belo Horizonte, onde o índice ficou abaixo de 2%. Isso faz João Pessoa ocupar o primeiro lugar no ranking de capitais com o maior número de estudantes usuários de droga do Brasil. Os dados são do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid), da Universidade Federal de São Paulo.

Também assinaram o pacto os secretários Marcelo Weick (Casa Civil), Lourdes Aragão (executiva da Saúde), Sales Gaudêncio (Educação), Lena Guimarães (Comunicação), Giucélia Figueiredo (Desenvolvimento Humano), Hamilton Cordeiro, (executivo da Segurança e Defesa Social), coronel Wilde Monteiro (comandante geral da Polícia Militar) e Cristiano Zenaide (Juventude, Esporte e Lazer).

Josélio Carneiro, com fotos de manodecarvalho, da Secom-PB