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Governo e criadores festejam nova classificação para aftosa

quarta-feira, 25 de novembro de 2009 - 20:28 - Fotos: 

A mobilização do Governo do Estado, Ministério da Agricultura e de criadores e produtores paraibanos contribuiu para que a Paraíba mudasse a classificação sanitária sobre a febre aftosa de risco desconhecido para risco médio. Em entrevista coletiva na tarde desta quarta-feira (25), na Secretaria de Comunicação Institucional (Secom), o secretário de Desenvolvimento da Agropecuária e da Pesca, Ruy Bezerra Cavalcanti, acompanhado do secretário-executivo de Agricultura, Newton Marinho, e de três dirigentes de entidades representativas de criadores de bovinos e equinos, comemorou a notícia que o governador José Maranhão recebeu na terça-feira (24) do ministro Reinhold Stephanes, da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Com a mudança histórica de classificação, pela primeira vez os 119 mil produtores paraibanos poderão vender seu rebanho para outros Estados, além de participar de feiras e transportar seus animais. Os demais estados, a partir de agora, também podem circular com seus animais na Paraíba e realizar negócios, participar de leilões em feiras e exposições agropecuárias.
Vitória de todos – “Eu acho que é uma grande vitória da Paraíba, do Governo do Estado e dos produtores que agora não possuem mais a restrição de mercado”, comemorou Ruy Bezerra. A Paraíba hoje tem um rebanho bovino de 1 milhão e 250 mil animais. Na segunda etapa de vacinação contra aftosa foram vacinados 89% do rebanho estadual. O índice de vacinação exigido pelo Ministério é de 80%.

Diversas ações foram implementadas para que o Estado chegasse à classificação de risco médio em relação à aftosa. 27 Unidades Locais de Serviço de Sanidade Animal e Vegetal foram recuperadas ou implantadas; seis postos de fiscalização também passaram a funcionar com eficiência; o cadastro das propriedades rurais foi concluído com o mapeamento de 119 produtores e 109 propriedades rurais. O secretário agradeceu o apoio da imprensa na divulgação das campanhas de vacinação.

Investimento – O Estado de Pernambuco saiu do risco desconhecido há quatro anos e o Rio Grande do Norte há um ano. A partir de agora, a Paraíba pode receber em seus eventos agropecuários animais de outros estados e também transportar seus animais para os demais entes da federação. O Ceará investiu cerca de R$ 14 milhões este ano e não conseguiu ainda a classificação de risco médio de aftosa. A Paraíba, incluindo recursos do Governo Federal, investiu até agora apenas R$ 2 milhões.

O secretário destacou que a meta agora é manter as condições para o risco médio e trabalhar mais ainda para que o Estado chegue à classificação de risco mínimo e posteriormente a zona livre de aftosa, sem a necessidade da vacinação.

Criadores avaliam conquista – O presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Sindi (ABCSindi), com sede em João Pessoa, Paulo Roberto de Miranda Leite, afirmou que durante vários anos, criadores, governo e outros segmentos da sociedade se reuniam discutindo soluções para o problema da classificação da Paraíba como de alto risco de aftosa.
Ele lembrou que a genética sindi na Paraíba é referência nacional e a partir de agora a situação mudará em benefício de todos os criadores no Estado. O rebanho sindi na Paraíba, registrado na ABCSindi, é de seis mil animais. A raça, originária do Paquistão, é boa de corte e de leite e se adaptou muito bem ao semi-árido nordestino.

Nau dos Anjos, presidente do Núcleo de Criadores de Pônei da Paraíba e presidente da Associação Paraibana dos Criadores de Cavalo, avalia que a pecuária paraibana acaba de obter “um grande ganho, um resultado significativo; o Estado sai da condição de território ilhado e isso satisfaz aos estados vizinhos, que também poderão realizar negócios aqui na Paraíba”.

O presidente da Associação Rural da Paraíba, pecuarista Josenildo Alcântara, afirmou que com o Estado fora do risco desconhecido de aftosa, “os criadores paraibanos tiraram a mordaça de suas mãos e agora estão livres para realizar a venda de seus animais em outros estados. Temos quer buscar o risco mínimo e depois a zona livre de aftosa, para que a gente possa circular no Brasil todo”, declarou.

 

Josélio Carneiro, com fotos de João Francisco, da Secom-PB