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Governo do Estado viabiliza exames de compatibilidade para transplantes

segunda-feira, 28 de setembro de 2009 - 16:01 - Fotos: 

O Laboratório de Biologia Molecular do Hemocentro da Paraíba, em João Pessoa, está realizando em fase experimental, há 15 dias, exames de compatibilidade entre doadores e receptores de medula óssea e rim, que são fundamentais para o sucesso de transplantes de órgãos. O laboratório foi construído e equipado em 2002, no último ano do Governo Maranhão II, mas os exames continuaram sendo encaminhados para Recife-PE. Só agora, seis anos depois, o serviço foi colocado em funcionamento. A expectativa da Secretaria de Estado da Saúde (SES) é economizar recursos e reduzir o tempo de espera pelos resultados dos exames, de 30 para apenas dois dias.

Segundo Patrícia Freitas, diretora-geral do Hemocentro da Paraíba e coordenadora da Hemorrede do Estado, em janeiro deste ano, o governo anterior chegou a inaugurar o laboratório, mas os equipamentos nunca foram utilizados.   “Em 2002, deixamos tudo pronto, mas a gestão seguinte ignorou a importância do laboratório e não deu continuidade ao nosso trabalho”, disse. Os equipamentos, de tecnologia de ponta (PCR), foram adquiridos por R$ 500 mil, pela SES e Ministério da Saúde, por meio do convênio 4276/2001.

Os exames – Os exames realizados são tipagem HLA, PRA e Cross Match. A tipagem HLA é realizada tanto nos doadores, como nos pacientes que farão transplante de medula óssea e rim. Já o PRA e o Cross Match, são exames de histocompatibilidade que servem para avaliar o perfil sorológico do doente, reduzindo os riscos de rejeição do órgão.

Por enquanto, os testes realizados no laboratório ainda são enviados para o Hemocentro de Recife (PE), para a confirmação dos resultados e a equipe – formada por quatro bioquímicos, um biólogo e dois técnicos – está sendo acompanhada por um biomédico do Hemocentro de Pernambuco. “Ele ficará conosco por uns três meses, orientando e tirando as dúvidas da equipe, mas antes disso, esperamos ter condições de realizar os testes sozinhos. No entanto, isso só acontecerá quando tivermos total segurança no trabalho”, disse Rosineide Pontes, coordenadora do laboratório.

300 exames por mês – O laboratório tem capacidade para realizar uma média de 300 exames por mês, sendo 200 de PRA, 50 de HLA e 50 de Cross Match. Quando os testes estiverem sendo realizados apenas na Paraíba, além de ganhar tempo, a SES vai economizar recursos porque, apesar dos exames serem pagos pelo SUS, a secretaria precisa arcar com as despesas relativas ao envio das amostras de sangue pelos Correios, além de transporte, nos casos em que os pacientes precisam se deslocar até o estado vizinho.

Mas a principal vantagem será a redução de tempo no resultado dos exames, aumentando as chances de cura de quem precisa de um transplante de rim ou medula óssea. “Os exames feitos no Recife demoram em média 30 dias para ficar pronto. Aqui, queremos ter o resultado em dois dias”, informou Patrícia.

Nos transplantes relacionados à morte encefálica, haverá diminuição dos casos de isquemia fria do rim (tempo em que o órgão fica fora do corpo até a hora da cirurgia). Quanto mais tempo o órgão fica fora do corpo, maiores são as chances de rejeição.

Atualmente, existem 384 pacientes na lista de espera para transplante renal, cadastrados na Central de Transplante da Paraíba. Em relação aos pacientes que precisam do transplante de medula óssea, não há como precisar a quantidade exata porque, além de surgirem diariamente casos novos, existe um cadastro nacional, para onde são enviados os dados de todos os pacientes do Brasil. 

Exames sorológicos – Segundo Patrícia, no próximo ano, o laboratório também deverá fazer a confirmação dos exames sorológicos do Hemocentro, que são: HIV, hepatites B e C, sífilis, chagas e HTLV, um vírus que causa leucemia e lesão cerebral. “Todas estas doenças têm uma janela imunológica, que é o período em que a pessoa está infectada, mas os exames sorológicos ainda não conseguem detectá-las. Com o teste de biologia molecular, vamos reduzir este tempo, diminuindo significativamente os riscos de contaminação por meio das transfusões de sangue”, explicou.

Assessoria de Imprensa da SES-PB