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Estado valoriza educação indígena com ações de melhoria e preservação da cultura

sexta-feira, 27 de abril de 2012 - 17:20 - Fotos:  Kleide Teixeira/Secom-PB

“Hoje na Paraíba a educação escolar indígena é bem vista pelo novo governo, que está dando muito apoio à nossa educação e espero que no futuro melhore cada vez mais”, afirma Rosildo Fidelis da Siva, presidente da Organização dos Professores Indígenas da Paraíba (Opip). Atualmente na Paraíba vivem 12 mil índios potiguaras distribuídos nos municípios de Baía da Traição, Rio Tinto e Marcação. O Governo do Estado está realizando uma série de melhoria nas escolas indígenas da rede estadual, investindo na qualificação e valorização dos professores indígenas e na preservação da cultura de 512 anos desse povo.

No último dia 19 foi comemorado o Dia do Índio com celebrações realizadas na aldeia São Francisco, no município de Baia da Traição, que contaram com a presença do governador Ricardo Coutinho. Na ocasião o governador assinou uma ordem de serviço para reforma e ampliação da escola Matias Freire e mais uma série de ações que juntas representam um investimento de mais de R$ 1 milhão.

“Este governo tem tido um relacionamento aberto e muito caloroso com os povos indígenas e tem valorizado a questão da diversidade e da cultura”, destacou o secretário de Estado da Educação Harrison Targino.

Atualmente o Estado oferece educação escolar indígena em nove escolas, que atendem a cerca de  2,5 mil índios potiguaras. “A educação escolar indígena é diferenciada e específica quando respeita a cultura e seus valores, suas crenças e sua maneira de viver”, explica Hígia Margareth, da gerência de integração Escola Comunidade (Goiesc) da Secretaria de Estado da Educação (SEE), setor responsável por acompanhar e auxiliar a educação indígena no Estado. A gerência, por meio do núcleo de Educação Indígena, realiza encontros mensais de monitoramento pedagógico com os professores e gestores das escolas indígenas do Estado. Por meio desses encontros, a SEE ouve as necessidades dos professores indígenas, da Organização dos Professores Indígenas da Paraíba (Opip) e do cacique geral.

Investimentos – Um dos pleitos dos índios potiguara apresentados ao Governo do Estado em 2011 foi a construção da Escola Índio Antonio Sinésio, na aldeia Brejinho. A reivindicação está sendo atendida pelo Governo do Estado e, quando concluída, a unidade contará com seis salas de aula. Estão sendo investidos na obra R$ 752.799,60.

Capacitação – Cerca de 150 professores indígenas do Estado participam de cursos de formação continuada nos quais são trabalhados aspectos como a preservação da cultura e língua, além dos encontros de monitoramento pedagógicos. De acordo com a chefe do Núcleo de Educação Indígena da SEE, Guiomar Ramos, no segundo semestre deste ano será oferecido a 60 professores indígenas do Estado um curso de Tupi, língua que já faz parte do currículo dos alunos das escolas indígenas do Estado. O curso acontecerá no segundo semestre deste ano para 60 professores do Ensino Fundamental I. “Com o curso queremos valorizar a língua e a cultura indígena levando para seus alunos do 1º ao 5º ano a valorização da sua identidade, pois revitalizando a língua materna a mantemos viva”, completou Guiomar Ramos.

“Temos poucos professores de Tupi, então este curso capacitará mais profissionais que serão multiplicadores”, destaca Rosildo Fidelis da Silva, presidente da Opip.

A formação continuada dos professores indígenas é regulamentada por uma legislação específica e será realizada também no segundo semestre deste ano com a carga horária de 120 horas, onde será trabalhada uma proposta pedagógica dentro da diversidade abordando os costumes e valores da cultura indígena.

Preservação da cultura – O povo indígena tem uma cultura rica e um dos objetivos da Secretaria de Estado da Educação é a preservação dessa cultura de forma que ela seja repassada a todos os alunos das escolas estaduais indígenas. Os professores dessas escolas são pessoas escolhidas pela comunidade, que tem como missão educar e manter viva a memória do seu povo. “O contexto atual da educação indígena garante que o professor tenha como obrigação entrevistar os anciãos da comunidade e vivenciar as danças e rituais por meio das aulas de campo com seus alunos para manter a nossa cultura viva”, explicou Rosildo Fidelis da Siva, da Opip.

De acordo com o presidente da Opip, as escolas indígenas escolhem um dia na semana para realizar a apresentação cultural onde também acontece a celebração do ritual com a dança do Toré. O ensino da língua Tupi é mais uma disciplina que também faz parte do currículo dessas escolas. “As crianças do ensino fundamental 1 acham fácil e aprendem rápido, mas no fundamental 2 em diante já acham mais difícil pois o ensino dessa língua é muito lúdico”, explicou Rosildo Silva, da Opip, que também é professor de Tupi em duas escolas indígenas do Estado.

A questão da interdisciplinaridade e da religiosidade também são trabalhadas em sala de aula pelos professores das escolas indígenas do Estado. “O artesanato indígena e o ritual sagrado da dança do Toré são realizados dentro da escola para manter viva a cultura indígena do povo potiguara na Paraíba”, contou Guiomar Ramos.

Na Escola Estadual Indígena Cacique Iniguaçu, localizada na aldeia Tramataia, no município de Marcação, as aulas acontecem nos três turnos para 178 alunos do ensino fundamental e da Educação de Jovens e Adultos (Eja). Na arquitetura da escola observa-se o cuidado com a preservação da cultura indígena, com uma construção em forma de Oca, modelo das tradicionais construções dos povos indígenas.

Antes da construção da escola, os alunos tinham que se deslocar para as cidades vizinhas de Rio Tinto ou Baía da Traição para terem acesso à educação. Professor da escola Cacique Iniguaçu há nove anos, Joseilson Lima de Moura descreve a importância do local para a aldeia e seus habitantes: “Esta escola foi uma mina de ouro para a nossa aldeia, pois ela abriu as portas para os professores da comunidade e promoveu educação para as nossas crianças”.

Semestralmente, acontece a semana cultural, como ressaltou o professor Joseilson Lima de Moura. O objetivo do projeto é resgatar os valores da cultura indígena e passá-los para os alunos. “Queremos preparar essas crianças para o futuro, para que elas tenham orgulho da sua origem e do seu povo”, conta. Joseilson informou ainda que todas as sextas-feiras o ritual sagrado da dança do Toré é realizado na escola como forma de manter viva a cultura indígena. Os alunos também estudam o Tupi, que faz parte do currículo das escolas indígenas do Estado.

Outro projeto realizado pela escola indígena Cacique Iniguaçu foi premiado com o 14º salário para todos os servidores da escola por meio do Prêmio Educação Exemplar, oferecido pelo Governo do Estado em 2011. O projeto de reflorestamento de uma área chamada “Ilha das Moças” envolveu escola e comunidade com palestras e pretende recuperar a área desmatada devido à construção de viveiros de camarão e carvoeiras.

“Nas escolas estaduais indígenas, a educação em sala de aula é realizada por meio da interdisciplinaridade, com o artesanato, com a questão da religiosidade, por meio da realização do ritual sagrado da dança do Toré, onde os alunos participam dessas celebrações”, explica Guiomar Ramos, chefe do Núcleo de Educação Indígena da SEE.

Plano Estadual de Educação Indígena – O Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Educação (SEE), está realizando encontros para a construção do Plano Estadual de Educação Indígena. No último dia 24 aconteceu o 1º Encontro Intersetorial voltado para Educação dos Povos Indígenas da Paraíba, na cidade de Rio Tinto.

Durante o encontro, foram elaboradas propostas que defendem a qualificação profissional dos professores indígenas, a criação de uma proposta pedagógica que atenda às necessidades da cultura indígena e uma melhoria na infraestrutura das escolas indígenas da Paraíba. Após o encontro foi constituída uma comissão que ficou responsável pela elaboração do Plano Estadual de Educação Indígena da Paraíba, formada por representações diversas.

Por meio do Plano Estadual de Educação Indígena serão criadas diretrizes que mostrarão os caminhos para a preservação da cultura e a garantia dos direitos dos povos indígenas. “Ouvindo os professores e a comunidade indígena, que por tanto tempo foi excluída e nesse governo tem vez e tem voz, teremos condições de traçar nossas metas em prol de uma educação indígena de qualidade”, avaliou Elaine Cristina Pereira da Silva, gerente da 14ª Gerência Regional de Educação (GRE).