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26 de dezembro de 2011

Governo do Estado promove aula inaugural para 440 trabalhadores do SUS



O Centro Formador de Recursos Humanos (Cefor-PB), vinculado à Secretaria e Estado da Saúde (SES), promove nesta terça-feira (27) a aula inaugural dos cursos técnicos em Hemoterapia e Vigilância em Saúde para 120 funcionários da área de saúde. A solenidade será às 19h, no auditório da instituição, situada no Complexo Psiquiátrico Juliano Moreira, em João Pessoa.

Na quarta-feira (28), às 9h, em Campina Grande, será promovida a aula inaugural do curso técnico de vigilância em saúde, no auditório do Hospital de Trauma, para as duas turmas daquela região, com 80 participantes do Sistema Único de Saúde (SUS). As aulas serão ministradas pela professora Anízia Aguiar Neta, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Além de João Pessoa e Campina Grande, o curso de vigilância em saúde acontecerá em mais seis municípios: Patos, Cajazeiras, Catolé do Rocha, Monteiro, Itaporanga e Cuité. Nestes locais, as aulas inaugurais ocorrerão no dia 9 de janeiro de 2012, com exceção de Itaporanga, que será no dia 10.

“O momento será de grande importância, porque simboliza um marco para a saúde pública do Estado”, disse Márcia Rique Carício, diretora do Cefor-PB.  Ela explicou que os cursos serão oferecidos por meio de uma iniciativa pioneira do Governo do Estado, com base em uma necessidade nos serviços de saúde. A realização será em parceria com o Ministério da Saúde.

O curso técnico de vigilância em saúde capacitará 400 trabalhadores do SUS de 166 municípios paraibanos e terá uma carga horária de 1.440 horas de teorias, práticas e estágios. Já o curso de hemoterapia será oferecido, inicialmente, somente em João Pessoa, para 40 trabalhadores do Hemocentro e das Agências Transfusionais dos principais hospitais da Capital, com carga horária de 1.700 h/aula. Para 2012, estão previstas mais três turmas com 40 educandos, cada, com o objetivo de ampliar e fortalecer a Hemorrede do Estado.

Material didático – Além do pioneirismo, outro aspecto importante sobre os cursos é que todo material didático foi elaborado pelos professores a partir de diretrizes curriculares lançadas em março deste ano pela Secretaria de Gestão do Trabalho e Educação na Saúde (SGTES), do Ministério da Saúde. “A partir dessas diretrizes, cada escola teve a liberdade de produzir o material didático com base na realidade local. Nós, do Cefor, apostamos nos professores”, disse Fátima Silva, diretora pedagógica da Escola. “Para isso, fizemos uma seleção bastante criteriosa, onde foi levada em consideração, principalmente, a experiência nas áreas de Vigilância e Hemoterapia”, explicou.

Roseneide Soares Porto é uma das professoras de hemoterapia. Bioquímica, com especialização em administração de serviços de saúde pública e em imunologia pela Sociedade Brasileira de Hemoterapia e Hematologia (SBHH), há 15 anos trabalha no Hemocentro, onde participou da criação e implantação da Hemorrede no Estado. “Está sendo extremamente interessante participar desse processo, porque vamos suprir uma grande necessidade na área de Hemoterapia que é a qualificação técnica”, disse.

Bergson Vasconcelos também é um dos professores de hemoterapia. Farmacêutico analista clínico, com especialização em saúde coletiva e mestrando em saúde pública, trabalha no Laboratório Central (Lacen), com pesquisa e extensão, e é gestor da Agência Transfusional da Maternidade Frei Damião. “Todo material elaborado foi pensado para que o trabalhador possa utilizar nas suas práticas, de forma imediata. É praticamente online”, afirmou.

“O maior desafio foi adequar os nossos conhecimentos adquiridos na área, ao longo dos anos, com uma linguagem que fosse acessível para o nível técnico”, explicou a professora de Vigilância, Flávia Castelo Branco, graduada em fisioterapia e concluinte do mestrado em saúde coletiva, pela Universidade de Pernambuco (UPE).

Pedagogo sanitarista, com 23 anos de experiência divididos em sala de aula e na Agência de Vigilância Sanitária (Agevisa), onde trabalhou na área de saúde do trabalhador, o professor de vigilância, Alberto José dos Santos, destacou os resultados esperados a partir dessa nova metodologia. “Tivemos que valorizar os dados que os educandos já têm e fazer com que consigam levar, da sala de aula, um olhar diferenciado para a sua prática, tendo como consequência um SUS mais humanizado e com atendimento de maior qualidade”.

Humanização do SUS – Desde o início de 2011, o Cefor-PB tem implantado uma nova prática educativa: a de vivenciar o processo de humanização em todos os momentos pedagógicos. “A ideia é a de que não se humaniza o serviço se as pessoas não passam por um processo de humanização. E este processo deve ser realizado nos lugares de trabalho e também durante os próprios cursos de formação, não apenas como conteúdo teórico mas, sobretudo, como prática”, disse a doutora Elisa Gonsalves, assessora pedagógica do Cefor-PB.  “         Pensando nisso, o Cefor colocou como “matéria obrigatória” para todos os profissionais de saúde, que serão facilitadores dos cursos, o que chamamos de Competência Afetiva”, explicou.

“Os profissionais de saúde devem ser competentes teórica e tecnicamente, mas, para desenvolver uma prática humanizada no serviço, precisa adquirir uma competência afetiva, que tem o poder de dar mais qualidade às relações humanas”, observou a diretora geral, Márcia Rique.

Segundo ela, com esta marca diferenciada, o Cefor dá um salto na organização dos seus cursos, colocando à disposição dos estudantes-trabalhadores um conteúdo específico sobre competência socio-afetiva, para, efetivamente, promover o aprendizado da humanização.