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Governo do Estado lembra Dia Mundial Sem Tabaco com serviços de saúde

sexta-feira, 29 de maio de 2015 - 16:21 - Fotos:  RICARDO PUPPE

O Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (SES-PB)/Vigilância em Saúde / Núcleo de Doenças e Agravos Não Transmissíveis, realizou nesta sexta-feira (29) uma série de atividades alusivas ao Dia Mundial Sem Tabaco, que transcorre no dia 31 de maio. A ação começou às 9h e se estendeu até o meio-dia, no Ponto de Cem Reis, no Centro da Capital.

Vários serviços de saúde foram disponibilizados gratuitamente para a população, entre eles os testes de monoximetria (medida da concentração de monóxido de carbono); espirometria (exame do pulmão), Fargerstrom (analisa o grau de dependência à nicotina) e verificação de pressão arterial. Além disso, foram desempenhadas atividades com orientações sobre a Lei Antifumo, explicações relativas à saúde bucal e apoio psicológico.

Para a chefe do Núcleo de Doenças e Agravos Não Transmissíveis da SES-PB, Gerlane Carvalho, a intenção de promover ações como esta é sempre levar informação para a população. “Aproveitamos datas pontuais para oferecer nossos serviços de saúde em pontos estratégicos, como é o caso do Ponto de Cem Reis. Trabalhamos acima de tudo com prevenção, mas também mostramos os locais de tratamento e onde buscar ajuda profissional”, disse ela.

Gerlane comentou que muitos fumantes já conhecem os malefícios que o uso contínuo do cigarro pode causar. “Geralmente, quem fuma já sabe o mal que o cigarro faz, mas continua fumando – seja por falta de estímulo, carência de apoio familiar ou psicológico, ou por falta de motivação. Aqui neste evento, além de mostrarmos os malefícios do uso do cigarro, mostramos também os benefícios que o ato de parar de fumar pode trazer à saúde e na melhora da qualidade de vida”. O cigarro figura como potencializador de doenças crônicas.

“Se a pessoa, por exemplo, não faz atividades físicas, não tem uma alimentação saudável e, ainda por cima, fuma, as consequências podem ser irreversíveis, com sequelas para toda a vida. Nosso papel é orientar, mostrar que existem maneiras de parar de fumar, oferecer apoio psicológico, para que, consequentemente, o paciente se sinta motivado a procurar ajuda profissional, deixar o vício e mudar de vida”, explicou.

Presente durante as atividades e orientando a população, o cardiologista da SES-PB, Fábio Almeida de Medeiros, salientou a importância de eventos como este para fumantes e não-fumantes. “É de suma relevância conscientizar as pessoas de que o hábito de fumar é extremante nocivo à saúde. O que muita gente não sabe é que o fumante passivo sofre tantas consequências quanto o fumante ativo – a fumaça do cigarro tem mais de 4600 substâncias e 40 delas são cancerígenas”. São inúmeras as consequências do hábito de fumar. “Mães que fumam têm mais propensão a abordar ou aumentar os casos de filhos prematuros, com baixo peso e com problemas respiratórios. Atualmente, 80% dos casos de câncer têm relação com o tabagismo. 90% dos casos de câncer de pulmão estão intimamente ligados com o uso do cigarro. 25% dos infartos e 30% dos AVCs acontecem em decorrência do tabagismo. Precisamos mudar isso e é uma luta de todos nós”, alertou ele. E as conquistas já começaram. “Cada campanha sensibiliza mais pessoas e, assim, conseguimos diminuir cada vez mais a incidência de fumantes. Sem falar na aprovação e execução de leis proibitivas como a Lei Antifumo que proíbe, entre outras coisas, fumar em ambientes fechados públicos e privados”, disse o cardiologista.

José Augusto tem 70 anos e há 63 é fumante. Aproveitou o momento para receber orientações profissionais. “Fui estimulado pelos meus pais a fumar. Comecei a aprender com 7 anos de idade e não parei mais. Já tive câncer e 95% do meu estômago foi retirado. Vendo esta campanha estou querendo parar de fumar. Sei que é muito difícil, mas quero tentar e vou conseguir”, disse ele.

O pedreiro Josemar Amâncio dos Santos, com 65 anos, não fuma, mas tem um filho que fuma há 10 anos. “Passei por aqui e resolvi ficar para aferir a pressão. Além disso, vou pegar dicas para estimular meu filho a parar de fumar, já que esse hábito faz mal não só a ele, mas para toda a família”, afirmou.

As atividades foram realizadas em parceria com outros órgãos, a exemplo da Agência Estadual de Vigilância Sanitária da Paraíba (Agevisa-PB); Sociedade Brasileira de Cardiologia – Região Paraíba; Associação Médica da Paraíba (AMPB); Secretaria de Saúde Municipal de João Pessoa (SMS-JP); Liga Acadêmica de Pneumologia da Paraíba (LAP-PB); Faculdade de Enfermagem e Medicina Nova Esperança (Famene); planos de saúde: Cassi, Geap, Unimed, Funasa e Afrafep.

Cigarro – A nicotina, presente no cigarro, causa dependência e age na região do cérebro relacionada com o prazer. Além das alterações físicas, emocionais e comportamentais, cerca de 50 doenças graves estão relacionadas ao tabaco, entre elas: câncer de pulmão, boca, laringe, estômago; leucemia; infarto; bronquite; infecções respiratórias; trombose vascular. A fumaça do cigarro tem mais de 4600 substâncias, entre elas 40 são cancerígenas.

Tratamento – Na Paraíba, existem hoje 37 Centros de Referência para Tratamento dos Fumantes, onde se pode buscar apoio para se livrar do vício em nicotina. O serviço é oferecido em Unidades de Saúde da Família; em Centros de Atenção Psicossocial (Caps); Centros de Atenção Integral à Saúde (Cais); Núcleos de Apoio à Saúde da Família (Nasf) e Centros de Saúde. Em alguns casos, os pacientes abandonam o cigarro com menos de um mês de acompanhamento.

O tratamento nesses locais é mantido pelo Ministério da Saúde, que repassa medicamentos ao Estado. Este, por sua vez, é responsável pela qualificação das equipes, monitoramento do trabalho nos centros e pelo encaminhamento do material enviado pelo Ministério. Os municípios entram com a administração das unidades de saúde.

Referência – Os hospitais de referência no Estado no combate aos tipos de câncer relacionados ao uso do tabaco – pulmão, esôfago e laringe – são o Napoleão Laureano; Oncoclínica e Hospital Universitário Lauro Wanderley, em João Pessoa; e Hospital da Fundação Assistencial da Paraíba (Fap) e Hospital Universitário Alcides Carneiro (HUAC), em Campina Grande.

Dados – O tabagismo é considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) a principal causa de morte evitável em todo o mundo. A OMS estima que um terço da população mundial adulta – cerca de 1 bilhão e 200 milhões de pessoas – seja de fumantes.

De acordo com estimativas do Instituto Nacional do Câncer, a Paraíba possui hoje 453.546 fumantes e, destes, 89.784 estão em João Pessoa. Este ano, 140 pessoas morreram em virtude do câncer de pulmão. Em 2014, foram 388 óbitos pela mesma causa.