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21 de agosto de 2012

Governo do Estado lança programação do Festival de Areia 2012



sec de cultura chico cesar anuncia programacao do festival de areia foto jose lins 35 Foto: José Lins/Secom-PB

O secretário de Estado da Cultura, Chico César, anunciou oficialmente nesta terça-feira (21) a programação da 13ª edição do Festival Nacional de Artes de Areia, que acontece de 28 de agosto a 2 de setembro. Com mais de 100 atrações, envolvendo oficinas, música, circo e artes plásticas, o evento é uma realização do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Cultura, e tem por objetivo resgatar a herança cultural do tradicional festival, devolvendo-lhe a poeticidade.

O lançamento oficial do Festival de Areia aconteceu em coletiva de imprensa realizada na Fundação Casa de José Américo (FCJA), em João Pessoa, e o local não poderia ser mais simbólico. O paraibano José Américo de Almeida, um célebre cidadão de Areia, foi um escritor político, advogado, professor universitário, folclorista e sociólogo, autor do famoso livro “A Bagaceira”. Formando a mesa da solenidade estavam o secretário de Estado da Cultura, Chico César; a secretária executiva de Cultura, Amazile Vieira; o presidente da FCJA, Flávio Sátiro; e o vice-presidente da Fundação Espaço Cultural da Paraíba (Funesc), William Tejo.

A coletiva começou com a exibição de um vídeo com imagens da edição 2011 do Festival de Areia – ano em que o evento foi retomado pela atual gestão estadual. O secretário de Cultura começou lembrando a tradição do Festival, que teve seus tempos áureos na década de 1970. “Desde que retomamos o Festival, quisemos que tivesse o sentido de reunir pessoas e a cultura de todo o Estado. Em 2011, o evento foi focado na ‘paraibanidade’, com programação majoritariamente paraibana e presença de ilustres artistas da terra, como Ariano Suassuna, Fernando Teixeira, Vladimir Carvalho e tantos outros”, relatou Chico César.

Para 2012, o secretário afirmou que resolveu abrir o foco. “Partimos da efeméride dos cem anos do livro “Eu”, de Augusto dos Anjos, para então abrirmos o leque a outros temas. Também este ano nos sentimos seguros para lançar parte da programação via edital – o que dá uma abrangência de participações – e tivemos uma resposta muito positiva”, disse.

Na oportunidade, o secretário Chico César aproveitou para anunciar o lançamento oficial do Edital do Fundo de Incentivo à Cultura (FIC), nesta quarta-feira (22), às 10h, no Palácio da Redenção, com a presença do governador Ricardo Coutinho.

Histórico – A importância cultural de Areia remonta a seu passado culturalmente efusivo e até já se disse que o que Paris era para a Europa no século XIX, Areia estava para o Brasil no início século XX. Exagero ou não, o fato é que o Festival Nacional de Artes de Areia, criado em 1976 por professores da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), inexistiu entre os anos 1982 e 1998. Entre 1998 e 2008, foi retomado sem muito fôlego, com ações partindo especialmente da iniciativa privada. Foi restabelecido oficialmente e totalmente financiado pelo Governo do Estado em 2011, no primeiro ano da gestão Ricardo Coutinho, como prometido em sua campanha para governador.

A conjuntura na qual foi criado o Festival foi tida como atitude de firmeza diante do quadro conjuntural marcado pelos chamados “anos de chumbo”, momento em que a maioria dos artistas e intelectuais brasileiros aproveitavam brechas para contestar o autoritarismo vigente. No projeto defendido pelo Festival, consta a frase de Ignácio de Loyola Brandão: “Melhor gastar com cultura do que com a segurança nacional” – resposta dada pelo escritor a um jornalista, em plena época da ditadura, que o perguntou se era justo um Estado pobre gastar dinheiro com cultura.

O mesmo Loyola Brandão fez simpáticos comentários sobre a cidade de Areia, localizada no alto da Serra da Borborema. Seu clima ameno favoreceu o cultivo da cana de açúcar e produção da rapadura. Há atualmente quase 30 engenhos remanescentes, na maioria em bom estágio de conservação e funcionamento, além de possuir um casario arquitetônico bem conservado, o que levou o IPHAN, em 2005, a outorgar-lhe o título de Patrimônio Histórico Nacional.

Em 2011, o governo estadual criou a Secretaria de Estado da Cultura com o propósito de tratar a cultura como uma política pública no mesmo patamar de outras já consagradas, como saúde e educação. A nova secretaria elegeu como uma de suas metas prioritárias renovar e requalificar o Festival Nacional de Artes de Areia, com o compromisso de consolidá-lo no calendário cultural brasileiro. “Com esse pensamento, realizamos a 12ª edição, ano passado, cumprindo a promessa de campanha do governador. Este ano, o festival continua sendo financiado pelo Governo do Estado”, disse a secretária executiva de cultura, Amazile Vieira.

Temas e atrações – O projeto 2012 do Festival de Artes de Areia elegeu o tema “EU e os Outros” – tentativa de mensurar a importância da cultura nordestina, refletida pelas artes, não apenas no âmbito regional, mas também nacional. O evento contará com apresentações artísticas, fóruns de debate, oficinas, performances e mesas redondas, todos com acesso gratuito. Entre artistas, oficineiros e palestrantes, o evento terá cerca de 1.300 pessoas trabalhando, gerando um público que abrange professores, estudantes, artistas, intelectuais, jornalistas, residentes e visitantes de todas as classes econômicas e de todas as faixas etárias, estimado em 100 mil pessoas.

As apresentações artísticas serão com os cantores Elba Ramalho, Antônio Nóbrega e Tulipa Ruiz, além de artistas plásticos, companhias de teatro e dança do Nordeste, artistas de circo, escritores, críticos e pensadores de todas as áreas artísticas.

sec de cultura chico cesar anuncia programacao do festival de areia foto jose lins 21 Foto: José Lins/Secom-PB

Movimentação econômica e ações de sustentabilidade – Este ano, o investimento do Governo do Estado no evento é de cerca de R$ 600 mil. Em sua última edição, o Festival de Artes de Areia promoveu a contratação direta de aproximadamente 1.200 pessoas entre artistas (atores, bailarinos, artistas plásticos e circenses, escritores, músicos, realizadores, cineastas e expressões da cultura popular), técnicos (iluminadores, sonoplastas, montadores, assistentes, cinegrafistas, editores de vídeo) e produtores culturais. O Festival impulsionou a economia local injetando aproximadamente R$ 900.000,00; através da contratação de serviços de hospedagem, alimentação e transporte.

As ações de sustentabilidade se darão com a instalação de lixeiras para realização de coleta seletiva ao longo do Calçadão João Cardoso, espaço onde acontecem os grandes shows do festival e reúne por noite cerca de 25.000 pessoas. A instalação será viabilizada através de parceria com a associação local de catadores, que destinará o material reciclável para as estações de reaproveitamento.

Areia – É uma cidade do brejo paraibano e está localizada a 132 km de João Pessoa. Com muitas riquezas naturais, situada em local elevado, Areia, no inverno, é coberta por uma leve neblina, e suas terras possuem diversas fontes e balneários aquáticos. É também muito conhecida por suas riquezas culturais, particularmente o Museu de Pedro Américo e o Museu da Rapadura, localizado dentro do Campus da UFPB na cidade, onde o turista pode observar as várias etapas da fabricação dessa iguaria e dos outros derivados da cana de açúcar, como a cachaça.

Areia foi considerada por muito tempo “terra da cultura”, tendo seu Teatro Minerva sido edificado 50 anos antes que o da Capital do Estado. Na cidade, está localizado o campus II da UFPB e com 76 anos, é a mais antiga Instituição de Ensino Superior da Paraíba. Também foi a primeira cidade da Paraíba a usar o jornal impresso. Com tanta história cultural para contar, quiçá a comparação com Paris não seja mero exagero.