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Governo do Estado inicia conferências temáticas discutindo políticas públicas para agricultores

quinta-feira, 23 de abril de 2015 - 09:35 - Fotos: 

Debater e construir políticas públicas e ações que possam municiar órgãos públicos para que toda família paraibana tenha o direito ao acesso a terra e a água foi um dos principais objetivos da primeira das quatro Conferências Temáticas e Regionais realizada nessa quarta-feira (22), no auditório da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), em Patos.

“A iniciativa visa discutir políticas públicas para efetivação do Direito Humano a Alimentação Adequada e Saudável, que promovam o acesso a terra e a água aos agricultores familiares da Paraíba”, explicou o secretário de Estado da Agricultura Familiar e do Desenvolvimento do Semiárido, Lenildo Morais. No encontro, o secretário ministrou palestra sobre programas de acesso a terra e a água e alertou para a atual crise mundial, que é fruto de um modelo de gestão baseado no consumo, onde os EUA consomem 40% do que se produz no mundo e a China adota a mesma política, restando pouco para o resto do planeta.

Na opinião de Lenildo Morais, a chamada ‘revolução verde’, que se refere à invenção e disseminação de novas sementes e práticas agrícolas que visam aumentar a produção agrícola no mundo por meio da alteração genética de sementes, uso intensivo de insumos industriais, mecanização e redução do custo de manejo, não é o parâmetro correto para se analisar a agricultura familiar.

“Olhar a agricultura apenas pelo olhar da produtividade não traz benefício para os agricultores familiares. Ela é importante, mas do ponto de vista na relação com o semiárido é equivocada. No nosso ponto de vista, a agricultura familiar foi construída por homens e mulheres que vivem no meio rural. Tem os conceitos das vias, do campesinato, dos pesquisadores, das cooperativas, dentre outros. Portanto, a agricultura familiar tem que ser protagonista nesse processo”, afirmou o secretario, lembrando que do ponto de vista econômico, a agricultura familiar representa um importantíssimo aporte financeiro para o Estado, pois somente no ano passado, a Paraíba recebeu, de aposentadoria rural, R$ 2,7 bilhões, valor maior do que os repasses do Fundo de Participação do Estado, que foi de R$ 2,4 bilhões e do Fundo de Participação dos Munícipios, R$ 1,9 bilhão.

O público presente ao evento foi composto por integrantes da Gestão Unificada (GU) Emater/Emepa/Interpa – vinculada à Secretaria de Estado do Desenvolvimento da Agropecuária e da Pesca –, pela representante da Câmara Intersecretarial de Segurança Alimentar e Nutricional (Caisan-PB), Ana Paula, e técnicos da Secretaria de Estado da Agricultura Familiar e do Desenvolvimento do Semiárido.

O secretário ainda destacou pontos estratégicos que vem defendendo. Um deles é o acesso a agua, que segundo Lenildo não deve ser apenas uma politica da Secretaria da Agricultura Familiar, mas uma ação unificada de todas as pastas e órgãos da sociedade civil de forma sustentável. Ele citou ainda, como ações permanentes da sua pasta, a construção de barragens subterrâneas (para captação e irrigação de forragem, visando sensibilizar agricultoras e agricultores familiares quanto à gestão da água, e a capacidade de replicar a técnica por toda a Paraíba), a utilização de energia solar pelos agricultores, bem como a produção sementes agroecológicas.

“O estabelecimento do suporte hídrico é o primeiro passo para o desenvolvimento sustentável das comunidades que enfrentam o problema da crise hídrica. Com a água, e a partir de tecnologias sociais replicáveis, poderemos estabelecer unidades intensivas de produção de alimentação animal”, afirmou Lenildo.

Ao final das etapas regionais, o Governo do Estado realizará a etapa estadual, que ocorrerá em 21 de agosto, quando serão definidos os 45 delegados que representarão o Estado na etapa nacional, marcada para novembro deste ano, em Brasília.