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Governo do Estado encerra formação da metodologia Liga pela Paz

terça-feira, 14 de junho de 2016 - 13:08 - Fotos:  Secom-PB

Criar uma cultura de paz e não-violência na sala de aula, melhorar a aprendizagem, incluir socialmente as crianças e elevar a autoestima de toda a comunidade escolar, por meio da boa convivência. Esse é o objetivo da metodologia Liga pela Paz, que vem sendo implantada nas escolas estaduais pelo Governo da Paraíba desde 2014. Educadores das 14 Gerências Regionais de Educação (GREs) foram formados para repassar o conteúdo para os alunos. As formações mais recentes aconteceram nas regionais de João Pessoa (1ª GRE), Guarabira (2ª GRE), Campina Grande (3ª GRE), Cuité (4ª GRE), Monteiro (5ª GRE), Patos (6ª GRE), Itabaiana (12ª GRE) e Mamanguape (14ª GRE).

Natália Machado Agra, educadora do 4º ano da Escola Adauto Cabral Vasconcelos, do Riachão do Bacamarte (12ª GRE), acredita que a metodologia Liga pela Paz melhora a relação dos alunos. “Já teve situação, aqui na escola, que tivemos que conversar com os alunos envolvidos e chamar os pais, seguindo a orientação da Liga pela Paz”, lembrou. “Hoje tudo foi superado e os dois têm comportamento amigável”.

O educador Alex Sandro Alves, da Escola João Fagundes de Oliveira, em Itabaiana, diz que a formação da Liga pela Paz foi uma importante aprendizagem. “A Liga possibilita aos alunos resolverem seus conflitos de maneira mais respeitosa, educada, com diálogo, sem necessidade de partir para agressão verbal ou física. Assim, eles se tornam conscientes também para procurarem o professor ou a direção escolar para resolver alguma desavença, sem a necessidade de ato violento”, afirmou Alex Sandro.

Em Cuité (4ª GRE), a formação contou com 100% dos educadores convidados. A gerente regional de educação, Maria das Graças Medeiros de Almeida, falou da repercussão que tem sido a metodologia nas escolas, pelo envolvimento e comprometimento dos educadores, que abraçaram a iniciativa. “Alguns alunos passam por problemas que nem os pais têm conhecimento e não sabem como conduzir a formação do filho. Nesses anos de Liga pela Paz houve melhoria de relacionamento entre professores e alunos, redução de conflitos, da indisciplina e presença marcante da família na escola”, ressaltou.

Para a coordenadora pedagógica da 4ª GRE, Solange Crispim, “os resultados em sala de aula são bastante satisfatórios nesses anos de Liga pela Paz. Muitas das emoções nas crianças são conturbadas, existem muitos conflitos internos, na família, na rua, no convívio social. Quando esses sentimentos são trabalhados as crianças se transformam”.

A cada encontro de formação, os educadores renovam seus conhecimentos para enfrentar, também, novos desafios levados à sala de aula pelos educandos. “São muitos desafios, histórias de violência, drogas, famílias disfuncionais e até prostituição. Usamos a metodologia Liga pela Paz para trabalhar a relação, não somente com os alunos, mas também com seus pais”, concluiu a professora Auderivânia da Costa Lima, da Escola Benedito Marinho da Costa, em Nova Floresta.

Formação nos presídios – Na 6ª Gerência Regional de Educação (GRE), em Patos, o destaque é para a formação da Liga pela Paz nos presídios masculino e feminino. Maria do Socorro Maia, professora de Língua Portuguesa, Inglês e Artes, faz parte do grupo que ensina nos presídios de Patos. São aproximadamente 100 alunos inseridos. “Como a metodologia Liga pela Paz é voltada para a emoção, ela nos ajuda a direcionar e a perceber a necessidade de cada aluno. Nosso trabalho é de ressocialização pela educação. O presídio é um lugar de muitos conflitos violentos e precisamos nos capacitar para mediar melhor essas situações”, comentou a educadora.

Maria das Graças Leite, da Escola de Poços, comunidade rural do município de Teixeira (6ª GRE), também comentou sobre a formação. “Além de oferecer novos e importantes conhecimentos para o cotidiano da escola, integra os educadores e facilita a troca de experiências. Existe maior carência de uma educação emocional na zona rural, mas as mudanças são profundas com a implantação da Liga pela Paz”, afirmou.

O gerente regional da 6ª GRE, Luiz Carlos Gabi, destacou a importância do ensino de educação emocional nos presídios, não somente por dar maior qualificação aos educadores, mas também para atender o processo de ressocialização dos apenados. “A educação emocional permite aos detentos entender melhor as relações, não só interpessoais”, conclui.

Na terra da poesia – Monteiro (5ª GRE), distante 311 Km de João Pessoa, é uma das maiores referências em cultura popular nordestina, com destaque para a cantoria de viola. A região também teve formação da Liga pela Paz direcionada a gestores e professores.

A descoberta das habilidades emocionais dos educandos está transformando os alunos, segundo Lindalva Vasconcelos de Almeida, professora do 5º ano da Escola Miguel Santa Cruz. “Tenho um aluno que antes da Liga pela Paz, por exemplo, era muito retraído, calado, não participava das atividades coletivas. Hoje está bem integrado e interagindo bastante, com uma desenvoltura fantástica, aprende com mais facilidade, participa dos jogos, apresenta trabalhos”, disse com satisfação.

Essa formação para a professora Jordânia Maria Barbosa da Silva, da Escola Santa Filomena, em Monteiro, foi um momento que irá somar muito no trabalho em sala de aula. “Trata-se de um conteúdo que nos oferece caminhos para lidar com as emoções de nossas crianças, contribuindo para o engrandecimento delas”, comentou.

O gerente regional de educação da 5ª GRE, Arysttótenes Silva Prata, falou das mudanças alcançadas nesses anos da metodologia e analisou a ampliação da Liga pela Paz para alunos de 6º e 7º anos, sob orientação de professores de Artes. “O aluno que está inserido no programa de Artes segue uma sistemática diferente daquele que segue a atividade da base curricular, como Português e Matemática. Mas tudo faz parte do processo de melhoria das relações interpessoais”, finalizou.