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Governo do Estado discute finanças solidárias com demais estados nordestinos

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017 - 16:10 - Fotos: 

O Governo da Paraíba realiza, até esta sexta-feira (03), o Seminário Regional de Finanças Solidárias. Representantes de oito Estados do Nordeste e 17 integrantes dos Bancos Comunitários, junto aos quatro da Paraíba, reúnem-se para discutir sobre esta temática. Piauí, Rio Grande do Norte, Ceará, Pernambuco, Bahia, Alagoas entre os municípios paraibanos, Remígio, Guarabira, Lagoa de Dentro, Pombal, e demais participam do evento. Fizeram parte da abertura gestores estaduais do Procase e Empreender.

O evento acontece no Centro de Atividades Padre Juarez Benício (Cejube), no Colinas do Sul, em João Pessoa, e é uma ação do Projeto Ações Integradas, executado pela Secretaria Executiva de Segurança Alimentar e Economia Solidária (Sesaes), vinculada à Secretaria de Estado do Desenvolvimento Humano (Sedh), em parceria com a Incubadora de Empreendimentos Econômicos e Solidários (Incubes-UFPB) e Incubadora Tecnológica de Economia Solidária (ITES-UFBA).

O foco central do evento é promover um debate e integração entre os Fundos Rotativos Solidários e Bancos Comunitários estimulando, com isso, uma discussão e afunilamento das suas ações de forma integrada.

A Paraíba atualmente é o estado do Nordeste que mais possui Fundos Rotativos no Brasil, sendo considerado um celeiro com cerca de 600 Fundos Rotativos Solidários em comunidades espalhadas em todo o Estado, e são ações que trabalham com diferentes experiências, tal como cisternas, criação de ovelhas, e demais. A concentração maior dos Fundos está localizada na Zona Rural e no Semiárido Paraibano. O primeiro Fundo Solidário na Paraíba nasceu no município de Soledade, em julho de 1993, com a multiplicação de cisternas.

Três segmentos compõem as Finanças Solidárias: os Bancos Comunitários de Desenvolvimento, Fundos Rotativos Solidários e Cooperativas de Credito. Os Fundos Solidários na Paraíba funcionam como uma organização comunitária que atuam nas comunidades com autogestão, e têm o papel de apoiar as realizações dessas famílias.

Simaia Barreto, técnica da Incubadora de Economia Solidária da Universidade Federal da Bahia (ITES-UFBA) e no projeto Bancos Comunitários de Desenvolvimento no Nordeste, declara que este evento na Paraíba é valioso, devido o Estado ser referência em Fundos Rotativos. Ela veio para promover um debate dessas dinâmicas entre as regiões do nordeste. “Aqui iremos pensar e dialogar no que devemos fazer para operacionar e interagir entre as bases das Finanças Solidárias”, informou.

Para Daniel Pereira, coordenador da Incubes-UFPB, este é um dos seminários mais relevantes. “Será um momento onde iremos discutir um novo modelo de finanças solidárias aqui no estado com os fundos e os bancos, pra que a gente de fato possa fazer com que mais pessoas tenham acesso ao microcrédito produtivo e orientado”, disse.

Já o técnico José Waldir de Souza, representante de uma organização não governamental, a Patac, que trabalha assessorando famílias agricultoras no processo de transição agro ecológica e na perspectiva organizativa, afirmou que o seminário servirá para aprendizado e troca de experiências. “É importante esse elo que se cria na Paraíba e que vem fortalecer as duas dinâmicas de Finanças Solidárias, onde vai enriquecer muito a questão dessas metodologias. A gente precisa dessa troca de ações em conjunto, inclusive para o fortalecimento político dessa dinâmica. A minha expectativa é a melhor possível”, observou

A secretária executiva da Sesaes, Ana Paula Almeida, considera que o Projeto Ações Integradas tem como missão estimular os municípios no fortalecimento das suas iniciativas. “Essa ação conjunta foi bacana do Governo do Estado, articular um intercâmbio com diferentes regiões do Nordeste. Essa troca servirá também de novos incrementos para a economia. É a partir dessas permutas que a gente consegue desenvolver atividades alternativas na economia, nas quais são experiências que não são dos modos tradicionais, mas que conseguem reproduzir economicamente riquezas e alternativas de renda e trabalho e que muda as economias locais, atividades estas, realizadas nas próprias comunidades.”

O seminário finaliza nesta sexta-feira (3) com uma construção de carta política que discutirá entre os integrantes presentes a conjuntura nacional da economia solidária e finanças solidarias; pautando ainda que o movimento das finanças solidárias conquiste seu espaço como uma política de governo e de estado. A carta será disponibilizada para todos os Bancos, Fóruns e Fundos Solidários do Nordeste.