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Governo discute tecnologias para geração de emprego e renda a produtores de Sisal

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015 - 13:28 - Fotos:  Secom-PB

O Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Agricultura Familiar e do Desenvolvimento do Semiárido (SEAFDS), em parceria com a Embrapa e a Assembleia Legislativa da Paraíba, promoveu nesta sexta-feira (4), no auditório da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), campus de Cuité, um seminário para tratar da safra 2015 com tema no “Reordenamento da cadeia produtiva do sisal – Fibra forte da Paraíba”. Na oportunidade, foram debatidas as tecnologias para a geração de emprego e renda para os agricultores familiares produtores de Sisal.

Segundo o secretário da agricultura familiar da Paraíba, Lenildo Morais, pesquisadores, técnicos, professores universitários e secretários de Estado participaram do evento, que teve por objetivo promover um workshop com todos os agentes dessa cadeia produtiva do sisal da base primária e do mercado e instituições de apoio ao desenvolvimento da cultura do sisal na Paraíba. “Estamos buscando soluções definitivas”, disse o secretário.

Lenildo destacou que inúmeras pesquisas direcionadas ao uso do sisal estão sendo desenvolvidas e algumas já estão em fase de conclusão. “As pesquisas estão trazendo resultados surpreendentes, o sisal é capaz de produzir novos produtos, como xampu contra caspa, remédio para doenças de pele, acaricidas e ração animal”, destacou o secretário, lembrando ainda que a fibra do sisal pode ser usada na indústria automobilística, nos eletroeletrônicos, em móveis e construção civil, além de servir para ração animal e produção de etanol.

Para o deputado estadual Buba Germano, que participou do evento juntamente com os deputados Charles Camaraense e Edmilson Soares, representante da região de Cuité, o evento demostrou uma união da sociedade paraibana para proporcionar o crescimento dessa cultura na Paraíba. “Estamos aqui nessa reunião de esforços para resgatar essa política pública fundamental para o Curimatáu. Se essa cultura deu certo na Bahia, vamos trazer essas boas experiências, transformando-as em políticas públicas no Estado”, afirmou.

Charles Camaraense destacou que o sisal é um dos principais produtos agroindustriais do semiárido brasileiro, pois é uma das poucas culturas produzidas na região com alto potencial econômico e viabilidade diante do clima. Líder mundial na produção da fibra, o deputado lembra que o Brasil chegou a produzir, em 2009, cerca de 50% do volume total do produto no mundo, segundo dados da FAO. “A demanda pela fibra de sisal vem crescendo com a procura por parte das indústrias automobilísticas, imobiliária, moveleira e aeronáutica por materiais naturais em substituição à fibra de vidro e amianto (proibido em diversos países)”, disse o parlamentar.

“É um momento de se apresentar soluções para cultura do sisal na Paraíba”, disse o pesquisador da Embrapa Odilon Rene Ribeiro. Ele destacou que o sisal é a principal fibra dura produzida no mundo, contribuindo para mais da metade da produção comercial de todas as fibras desse tipo. A produção no Brasil concentra-se no Nordeste, nos estados da Bahia, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará.

O pesquisador lembra as espécies cultivadas de sisal na Paraíba como no mundo, a exemplo, da Agave Sisalana, que é a predominante muito produzida em Pocinhos, e a Agave Híbrido 11648, oriunda da região Oeste da África e resultante do cruzamento entre Agave Angustifólia e Agave  Amanaiensis, introduzida no Brasil logo após a sua criação, que tem lavouras em Monteiro na Paraíba.

O sisal é uma planta xerófila, que suporta secas prolongadas e temperaturas elevadas e é uma cultura que tem preferência por solos silicoargilosos, permeáveis, de média fertilidade e relativamente profundos, podendo ser cultivado em terrenos com PH variando entre 6 e 8, evitando-se áreas encharcadas ou compactadas.

Preparo do solo – O pesquisador afirma que essa é uma etapa mais importante para a preparação da cultura, pois é necessário se restringir o uso de máquinas no solo, adotando-se o cultivo mínimo. “É recomendado realizar uma grandagem, usando uma grade niveladora com o solo úmido.

Aproveitamento da mucilagem – Com o uso de uma peneira rotativa, pode separar a bucha da mucilagem do sisal, tornando possível utilizar na alimentação animal in natura, fenada ou em silagem. A mucilagem é um alimento volumoso e deve ser servida aos animais ruminantes na composição de rações em mistura com outros alimentos, tais como torta de algodão, farelo de trigo, milho moído, capim buffel e palma forrageira.

Plantio – Deve ser feito em nível, no sentido leste oeste, com mudas plantadas em sulcos ou em covas, em época de plantio no período chuvoso. “Para o sucesso dessa cultura na Paraíba se faz necessário a união de todas essas entidades, seja o Governo do Estado, as universidades e instituições de pesquisa, pois estamos com quatro anos de forte estiagem e mesmo o sisal sendo uma cultura resistente já houve uma redução nesse período de área cultivada de 10 mil hectares para pouco mais de 4 mil hectares. Então esperamos que o período chuvoso volte a se normalizar para que as áreas cultivadas anteriormente voltem com essa cultura que tem uma enorme demanda, principalmente para a indústria automobilística”, comentou Odilon.