João Pessoa
Feed de Notícias

Governo da Paraíba investe na humanização da rede hospitalar estadual

segunda-feira, 20 de abril de 2015 - 09:16 - Fotos:  Ricardo Puppe/Secom-PB

Dando continuidade a intensificação dos trabalhos de organização, humanização e qualificação, o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (SES), tem investido em melhorias na Rede Hospitalar Estadual. Um bom exemplo desse trabalho é o Hospital Geral de Mamanguape (HGM), que está implantando vários projetos de humanização dos serviços.

Um desses projetos, que foi implantando em março de 2015, é o SPA Gestacional, com o objetivo de promover e estimular o parto normal, diminuindo assim o número de cesarianas. Na sala, são realizados exercícios com bolas, bastões e também respiratórios, com relaxamento para estimular a dilatação do colo uterino e facilitar o trabalho de parto, promovendo uma assistência humanizada e de qualidade às gestantes do Vale do Mamanguape.

Os objetivos específicos do SPA Gestacional são aliviar as dores e desconfortos musculoesqueléticos durante a gestação; preparar fisicamente a gestante para se adaptar às alterações biomecânicas e fisiológicas da gestação; orientar exercícios respiratórios e de relaxamento para alívio da dor durante o parto; prevenir disfunções no assoalho pélvico decorrentes da gestação e parto; preparar as mamas para o aleitamento materno; aliviar constipação intestinal; fortalecer os membros superiores para suportar o peso do bebê; realizar exercícios pélvicos para facilitar o parto natural; orientar posicionamentos e posturas adequadas nas atividades diárias prevenindo sobrecargas indevidas na coluna e na pelve e estimular a circulação linfática e sanguínea para prevenir a instalação de edemas.

Já para os recém-nascidos é oferecida a Shantala, uma técnica de massagem milenar indiana, que, através do toque terapêutico, que abrange todo o corpo do bebê, é proporcionada a estimulação cutânea que ajuda na produção de endorfina (responsável pela sensação de alegria e bem estar). Consequentemente, a criança relaxa, seu sono fica mais calmo e resistente a barulhos externos e a amamentação é facilitada. Foi descoberta quando o médico francês Frédérick Leboyer, de passagem pela Índia, se deparou com a cena de uma mulher numa calçada pública massageando seu bebê. O objetivo principal da Shantala é promover uma melhor comunicação e interação entre mãe e filho, fortalecendo o vínculo afetivo que já existe entre eles.

A técnica da Shantala traz inúmeros benefícios para a saúde do bebê. A massagem pode acalmá-lo, facilitar o nascimento dos dentes, evitar cólicas, gases, doenças e insônia, melhorar a digestão e aumentar o poder sensorial e da ligação afetiva. A prática da Shantala traz benefícios tanto para a mãe quanto para a criança. A técnica será utilizada também durante o mutirão de cirurgias cardíacas pediátricas, no pré e pós operatório, previsto para acontecer na segunda quinzena de maio, no HGM.

Acompanhante – Outro projeto de humanização executado na unidade é o direito ao acompanhante, que permite à parturiente escolher uma pessoa que vai acompanhá-la na maternidade. Esse direito é assegurado pela Lei Federal nº 11.108, de 7 de abril de 2005. A lei garante que os serviços do Sistema Único de Saúde (SUS) ficam obrigados a permitir a presença, junto à parturiente, de um acompanhante durante todo o período de trabalho de parto, parto e pós-parto imediato. O acompanhante será indicado pela gestante, que tem livre escolha.

A presença de um acompanhante beneficia o apoio emocional que a mulher precisa para este momento, proporcionando conforto e encorajamento, o que reduz os sentimentos de solidão, ansiedade e os níveis de estresse originalizados pela vulnerabilidade da mulher, e outros fatores, como desconforto durante o trabalho de parto, medo diante do que está por vir, ambiente não familiar e contato com pessoas desconhecidas. Com isso, visa garantir um melhor atendimento para a gestante, aumentando a sensação de prazer e satisfação no parto e, principalmente, fortalecendo o vínculo entre a gestante, o bebê e a terceira pessoa envolvida.

A unidade possibilita ainda a presença do pai dentro da sala de cirurgia no momento do parto e, para isso, foi estruturada uma sala de acolhimento, onde ele aguarda o momento exato para ser convidado pela equipe médica a entrar na sala cirúrgica e presenciar o nascimento do filho. “O maior legado da humanização é o resgate ético de si mesmo”, diz a secretária de Estado da Saúde, Roberta Abath, durante as visitas técnicas nas unidades hospitalares da rede estadual.

Com o objetivo de auxiliar na implantação das ações de humanização nas unidades hospitalares da rede estadual, objetivando garantir a melhoria do atendimento integral ao usuário, a secretária Roberta Abath tem realizado visitas técnicas nos hospitais estaduais e acompanhado de perto o trabalho das equipes. A secretária destacou que, se cada um, dentro do exercício profissional, fizer o melhor pelo paciente como se fosse para si mesmo, teremos uma saúde melhor.

Música – Outro projeto implantado no HGM é a Musicoterapia, que tem como objetivo principal minimizar as mudanças, muitas vezes cruéis da hospitalização, fazendo com que o paciente possa ter uma adaptação ao seu novo momento, colaborando com a visão de humanização hospitalar, utilizando a música e seus elementos como suporte terapêutico no tratamento geral do paciente.

A música aplicada de forma terapêutica traz vários benefícios para o paciente. Conforme o ritmo musical é possível tanto aumentar como diminuir a energia muscular, acelerar a respiração ou alterar sua regularidade, reduzir ou aumentar a fadiga, aumentar a atividade voluntária, desenvolver a capacidade de interação inter e intrapessoal, equilibrar o grau de autoestima, trabalhar cada parte do corpo e a independência entre elas, produzir mudanças no metabolismo, entre outros.

A dona de casa Julia Maria de Oliveira, 73 anos, uma das pacientes da musicoterapia, diz que ela traz sensações boas. “Eu gosto de tudo aqui no hospital, mas a musicoterapia me traz uma sensação especial, de felicidade. É como se falasse com Jesus; só sensações boas”, destacou.

De acordo com a diretora-geral do Hospital Geral de Mamanguape, Isis Unfer, as visitas técnicas realizadas pela secretária de Saúde, Roberta Abath, e o comitê técnico de avaliação têm produzido um progresso muito grande. “Essa gestão partilhada tem construído uma nova rede e modelo de gestão, trabalhando mais próximo das unidades hospitalares que compõem a rede estadual. Com isso, temos conseguido estabelecer aqui no hospital um melhor vínculo e a gestão partilhada acontecendo em todos os sentidos. A iniciativa da humanização, por meio da Secretaria de Estado da Saúde, tem trazido várias melhorias e contribuído para a acolhida de forma segura da população, em relação ao cuidado”, disse Isis Unfer.

Foto – O Hospital Geral de Mamanguape também conta com o Projeto Meu Primeiro Click. Assim, desde o dia 18 de março, todos os bebês nascidos são fotografados e a mãe recebe uma arte com essa foto contendo nome, data e hora do nascimento, peso e estatura da criança, além do nome do obstetra e do pediatra responsáveis pelo parto. Todo o processo é feito antes que a mãe receba alta médica e não tem custo aos pacientes.

O projeto foi estruturado pensando na humanização do atendimento. Ele envolve emoções, aproximando mãe e filho, e tornando esse momento inesquecível com uma lembrança concreta do nascimento.

Programa Doula Comunitária – O Programa de Doulas voluntárias no HGM faz parte das ações de humanização no atendimento às pacientes que a SES vem priorizando na rede assistencial.

A palavra ‘doula’ vem do grego ‘mulher que serve’. Nos dias de hoje, aplica-se às mulheres que dão suporte físico e emocional a outras mulheres antes, durante e após o parto. Assim, o Programa Doula Comunitária tem por objetivo facilitar o processo de humanização da assistência ao trabalho de parto, parto e puerpério imediato, inserindo a Doula Comunitária como pessoa habilitada a trazer informações e apoio, funcionando como um elo entre a equipe de atendimento e a mulher no ambiente hospitalar.

De acordo com a secretária Roberta Abath, será ministrada uma qualificação para moradores do Vale do Mamanguape. “Essas pessoas estão sendo escolhidas dentro da comunidade. Esse é um trabalho voluntário e essas pessoas têm que ter um perfil e personalidade para realizar esse trabalho de caráter humanitário”, explicou.

A secretária de Saúde disse também que esse programa vem difundir na comunidade o elo entre o assistente e assistido, com sensibilização e inclusão, fazendo desta e de outras ações um diferencial na humanização.

Qualificação – A unidade conta com três projetos atualmente. O primeiro, fitoterápico, é fruto de uma parceria com a Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Inicialmente, o projeto foi implantado no Hospital Geral de Mamanguape e será expandido para toda a rede hospitalar, a exemplo do Hospital Geral de Itapororoca e Complexo Pisquiátrico Juliano Moreira.

Por meio de uma horta de plantas medicinais, cultivada nas instalações do Hospital Geral de Mamanguape (HGM), os pacientes da Unidade estão sendo beneficiados com tratamento natural. A finalidade do projeto é implementar a política de práticas integrativas de saúde, viabilizando estudos sobre plantas medicinais e fitoterapia, e, consequentemente, sua eficácia no tratamento de doenças.

O segundo projeto de qualificação é o Centro de Estudos, que visa promover um ambiente tranquilo para os profissionais de saúde da instituição, para que eles possam ler, estudar, incentivando assim o conhecimento. No Centro de Estudos, que foi implantado há uma semana, são encontrados livros de medicina, enfermagem, além de apostilas de cursos preparatórios.

O terceiro é a sala de estudos, um ambiente com livros especializados na área de saúde, onde os profissionais têm a oportunidade de se reciclar e de atualizar os conhecimentos. “Por causa dos plantões nas unidades de saúde, as equipes ficam sem tempo de atualizarem as informações e de estudar, então, esse foi um dos motivos que nos levou a elaborar a sala”, disse a diretora geral do Hospital Geral de Mamanguape.

Novos serviços – A unidade passará a oferecer o teste do pezinho e também o serviço da agência transfusional, que iniciará os trabalhos nos próximos dias.

O teste do pezinho é realizado uma única vez, após 48 horas do nascimento do bebê e até o quinto dia de vida. Na rede pública da Paraíba, o teste é feito em 175 postos de coleta instalados nas maternidades ou nas Unidades Básicas de Saúde da Família. O exame é essencial para o desenvolvimento da saúde do bebê, pois detecta precocemente doenças metabólicas, genéticas e infecciosas, que poderão causar alterações no desenvolvimento neuropsicomotor do bebê.

Estrutura – O Hospital Geral de Mamanguape conta com 70 leitos, sendo dez de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), dez de pediatria, 20 de clínica médica, 15 de clínica cirúrgica e 15 maternos.

A unidade é referência no atendimento de urgência e emergência clínica adulto e infantil, materno (partos de risco habitual), além de cirurgias eletivas. Realiza exames de Raios-X, laboratorial e eletrocardiograma. Mensalmente o hospital realiza uma média de 4,9 mil atendimentos, 100 cirurgias e chega a realizar até 104 partos, entre cesárea e normal. O HGM está localizado na Rua Walfredo de Almeida, Bairro Areal, s/n, telefones (083) 3090-9052/3292-9050.