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1 de fevereiro de 2012

Governo conclui pesquisa sobre lavadores de carros da orla



A Secretaria de Estado de Desenvolvimento Humano (Sedh) entregou, nesta quarta-feira (1º), à Empresa Paraibana de Turismo (PBTur), uma pesquisa sobre os lavadores e guardadores de carro da orla de João Pessoa. Essa foi a primeira etapa do Projeto Flanetur, uma parceria entre a PBtur, a Sedh, a Polícia Militar e a Prefeitura de João Pessoa, cujo intuito é qualificar esses trabalhadores.

A pesquisa aconteceu no período de7 a12 de janeiro com uma equipe de sete técnicos da Sedh e o apoio da Polícia Militar. Foram aplicados 80 questionários com 14 tópicos para extrair um perfil dos lavadores e guardadores. “O que mais nos chamou a atenção foi o baixo grau de escolaridade das pessoas entrevistadas, pois 19% afirmaram não ser alfabetizados e 45% possuem o Ensino Fundamental incompleto”, destacou a assistente social Thais Macêdo, da Sedh, a partir de agora será possível pensar ações voltadas para a demanda.

Segundo Thais, a equipe da Sedh encontrou um trabalhador com nível superior, formado no curso de Contabilidade pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Ele contou aos pesquisadores que o envolvimento com drogas e os desentendimentos familiares o levaram a morar na rua e a trabalhar lavando carros.

A pesquisa revelou ainda que a maioria (51%) é natural de João Pessoa, enquanto os demais (49%) são de outras cidades paraibanas e de estados vizinhos.

Documentação – O levantamento revela que, com relação à documentação dos entrevistados, 47% não possuem documentos básicos, como RG e CPF, e os 53% que têm a documentação exibiram um material em péssimo estado de conservação.

Outra informação importante: 64% nunca teve emprego formal, com carteira assinada. “Os dados sobre carteira assinada deixam claro o quanto a baixa escolaridade e a falta qualificação profissional interferem neste aspecto. Aliadas, estas duas características contribuem para a dificuldade de inserção no mercado formal de trabalho e para a melhoria das condições de vida dos trabalhadores pesquisados”, frisou Thais.

Maioria masculina – Nessa atividade, 96% dos trabalhadores são do sexo masculino, com faixa etária entre 18 e 65 anos – há ainda um percentual de 4% que desconhece a própria idade.

Trinta por cento dos entrevistados afirmaram trabalhar no local há um período de cinco a dez anos, e apenas 6% trabalham há menos de um ano no endereço.

 

Na variável estado civil, 56% dos entrevistados se declararam solteiros, 23% casados e 21% vivendo em união estável.

 

Família – Na observação do perfil das famílias, o primeiro quesito observado foi o número de membros residindo na mesma residência. A pesquisa constatou que 64% dos entrevistados possuem entre um e três membros na mesma casa, 22% têm entre quatro e cinco pessoas e 14% possuem de seis a 10 pessoas residindo juntas.

 

Os técnicos da Sedh também observaram a constituição familiar, nas variáveis criança e idoso, para saber a necessidade de assistência a este público mais vulnerável. Constatou-se que 26% dos entrevistados possuem crianças em sua família, 9% possuem idosos e 2% possuem crianças e idosos, e as demais faixas-etárias dizem respeito a 63% da constituição familiar.

 

Renda – Com relação ao sustento individual e familiar, 84% dos entrevistados são os responsáveis, o que mostra a importância da atividade para a manutenção de forma básica das despesas familiares. Os 16% restantes não são responsáveis pelo sustento de toda família, porém contribuem significativamente para as despesas da casa.

 

A renda familiar de 40% dos entrevistados gira em torno de R$300 aR$ 599. Outro aspecto relevante diz respeito ao fato de 8% não saber o valor recebido por mês, segundo os pesquisadores, fato que se deve à incerteza da atividade, em que a remuneração varia de acordo com o dia e a época do ano.