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6 de agosto de 2012

Governo apoia ações de equipes do Saúde da Família no combate ao colesterol



O Governo do Estado, por meio da Secretaria da Saúde, monitora e avalia os indicadores de saúde e oferece cooperação técnica e presta apoio institucional as 1.289 equipes do Programa de Saúde da Família (PSF) nos 223 municípios paraibanos. Entre as ações de saúde oferecidas por estes serviços está o acompanhamento de pessoas que apresentam taxa de colesterol alto, cujo dia nacional será lembrado neste dia 8.

De acordo com o cardiologista Fábio Almeida de Medeiros, que também é médico da Secretaria Estadual da Saúde, o colesterol é um tipo de gordura fundamental ao organismo, utilizada na formação das membranas celulares, na construção da película gordurosa que isola os nervos e na produção de hormônios sexuais masculinos e femininos. A maior parte do colesterol necessária às funções vitais são produzidas no fígado e o restante vem da alimentação.

Ele explica que as doenças cardiovasculares (infarto do miocárdio em primeiro e acidente vascular cerebral-AVC, em segundo lugar, respectivamente) são as principais causas de mortalidade no Brasil, levando a 360 mil mortes por ano.  Na Paraíba, nos últimos três anos 4.426 morreram de infarto agudo no miocárdio e 3.066 foram vítimas de AVC.

“O infarto e o AVC caracterizam-se pela falta de irrigação sanguínea no coração e cérebro, respectivamente, em geral devido à aterosclerose, que é a formação das placas de colesterol nas artérias. Quanto mais alto o nível do colesterol no sangue, maiores os riscos de desenvolver essa doença”, explica o cardiologista.

Segundo ele, o colesterol elevado (dislipidemia) quando associado a outros fatores de risco cardiovasculares como hipertensão arterial, tabagismo, diabetes mellitus, obesidade e inatividade física, a incidência de infarto, AVC e doença vascular periférica aumenta consideravelmente.

O cardiologista afirma que a estimativa é de que 6 milhões de brasileiros tenham altos níveis de colesterol no sangue e isto tende a aumentar devido a obesidade infantil que está alcançando níveis epidêmicos. Estudos brasileiros mostram números que variam de 28% a 35% de hipercolesterolêmica em crianças e adolescentes, que correm maior risco de desenvolver doença coronariana na idade adulta.  “A doença coronariana é rara em adultos jovens, mas crianças e adolescentes que não fazem atividade física e têm alimentação rica em gorduras e açúcares apresentam maior predisposição para tal problema”, observa.

Fábio Almeida enfatizou que a estimativa é que apenas 2% dos brasileiros tratem adequadamente o colesterol elevado, talvez porque não apresente sintomas até fazer estragos no coração. Quanto antes o problema for diagnosticado, melhor. “Por isto recomenda-se medir a taxa de colesterol no sangue após os 35 anos; se houver casos de doenças cardíacas na família, a dosagem deve ser feita antes, inclusive na infância”, alertou.

Ele afirma que a principal medida recomendada para baixar o colesterol elevado é fazer dieta hipogordurosa, evitando-se as gorduras saturadas como: carnes gordas, embutidos (linguiça, salame, por exemplo), pele de frango, leite integral e derivados, manteiga e frutos do mar.

Fábio Almeida alerta que as gorduras vegetais hidrogenadas, contida em biscoitos, bolos, massas e pães mais elaborados, são desaconselhadas, porém nem toda gordura é maléfica, pois a gordura contida no azeite é protetora ao coração, por reduzir o mau colesterol, assim como as gorduras polinsaturadas das margarinas, óleos vegetais (canola, girassol, soja, milho, etc) e dos peixes, desde que não sejam utilizadas como frituras.

O cardiologista garante que as fibras solúveis encontradas nas frutas, verduras, leguminosas: feijão, grão de bico, ervilha e lentilha, além de aveia, cevada, reduzem a absorção intestinal do colesterol. “A dieta reduz o colesterol sanguíneo em 30% dos casos e naqueles onde não se consegue baixar, os médicos têm a opção de medicamentos que, além de reduzir o colesterol, previnem infarto e AVC”, destacou.

Ele orienta que associado à dieta, os pacientes com colesterol elevado devem controlar a hipertensão arterial, o diabetes, fazer atividade física diariamente, no mínimo três vezes por semana, parar de fumar e diminuir a ingestão de bebidas alcoólicas para que assim haja diminuição da mortalidade por doenças cardiovasculares.

Doença na infância – O colesterol alto na infância e adolescência está relacionado, na maioria dos casos, à má alimentação e ao sedentarismo. Pode ser provocado por uma doença genética ou histórico familiar, como pais e avós que tenham tido infarto ou derrame. O estudo mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre a dieta alimentar do brasileiro mostra que os adolescentes de 14 a 18 anos de idade são os que mais ingerem alimentos com colesterol, aqueles de origem animal, como carnes, leite, queijos, manteiga ou iogurte.

Entre os meninos, a média de consumo foi de 282,1 miligramas por dia e, entre as meninas, de 237,9 miligramas – as maiores médias em comparação às faixas etárias analisadas dos dois sexos. O recomendado é ingerir de 200 a 300 miligramas de colesterol por dia.