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26 de maio de 2017

Governo acompanha finalização dos serviços do inventário florestal



O Governo do Estado, por meio da Secretaria de Infraestrutura, Recursos Hídricos, Meio Ambiente e Ciência e Tecnologia (Seirhmact), acompanhou a finalização dos serviços do Inventário Florestal Nacional (IFN-Br) na Paraíba, realizado pelo Serviço Florestal Brasileiro, órgão do Ministério do Meio Ambiente, por meio da empresa Nordeste Reflore Ltda contratada pela Fundação das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).

De acordo com o secretário Executivo do Meio Ambiente, Fabiano Lucena, os dados coletados no inventário serão de grande importância para o estado da Paraíba. “A partir de agora com esse documento público, repleto de dados, nós vamos ter a dimensão da nossa floresta e do nosso estoque e periodicamente avaliar projetos e políticas públicas na área”, destacou.

Segundo Itaragil Marinho, assessor técnico da Seirhmact, o IFN-PB trará informações da realidade atual da cobertura do solo e das relações das comunidades com as florestas da Paraíba. “No litoral temos a oportunidade de aumentar a cobertura da Mata Atlântica e incentivar o plantio de florestas comerciais. No Sertão devemos aumentar as áreas de preservação de Caatinga, como o estudo para criação de unidade de conservação na Serra de Santa Catarina onde o Governo do Estado pretende proteger legalmente uma área de 36 mil hectares. Além disso, vamos incentivar o manejo adequado das áreas remanescentes passíveis de uso sustentável”, acrescentou.

Como resultados prévios, a Nordeste Reflore coletou aproximadamente 600 amostras botânicas com 1500 duplicatas, e executou mais 600 entrevistas socioambientais com a população residente no entorno dos 151 pontos amostrais. A partir de agora, todas as análises quali-quantitativas serão realizadas e processadas pelo SFB para futura publicação oficial dos resultados do Inventário Florestal Nacional da Paraíba.

Inventário – O Inventário Florestal levou cinco meses para ser concluído e durante os estudos foram coletados dados de campo em 151 pontos, distribuídos a cada 20 km de forma a cobrir todo o estado, por meio da metodologia de inventário conhecida como conglomerado. Nesses pontos foram coletadas informações da vegetação, incluindo identificação das espécies arbóreas, e variáveis qualitativas e quantitativas que permitirão a caracterização do ecossistema florestal. Além dessas informações, também aconteceu de maneira simultânea um levantamento socioambiental com moradores do entorno dos pontos de coleta, para gerar informação sobre como as comunidades e os moradores de áreas rurais percebam e utilizam os seus recursos florestais.

Técnicos da Nordeste Reflore relataram que nos fragmentos florestais da cidade de Guarabira foram registradas variadas espécies de ocorrência de Mata Atlântica e Cerrado na cidade de Areia, principalmente com vegetação que ultrapassava os 20 m de altura  contrastando com áreas mais antropizadas (características originais alteradas) que predominavam espécies do bioma caatinga, com abundância de espécies do gênero da jurema (Mimosa sp.).

Na zona litorânea, abrangendo toda a porção dos fragmentos de Mata Atlântica, verificou-se que as áreas de florestas, em sua maioria, pertenciam a reservas legais de grandes latifúndios do ramo sucroalcooleiro ou unidades de conservação estadual. Já na região da Borborema, predominaram espécies florestais do bioma Caatinga, que apresentaram estrutura vertical abaixo dos 12 m correlacionados ao solo raso, com presença de cactáceas e bromeliáceas no extrato herbáceo. Essa região foi marcada por pequenos fragmentos de caatinga preservada na região do cariri ocidental.

No Sertão do estado, os técnicos coletaram dados em Sousa, Pombal, Cajazeiras, Coremas e Brejo do Cruz, onde o bioma caatinga foi predominante, com algumas regiões próximas ao Ceará que apresentaram indivíduos florestais com ocorrência em áreas de cerrado e enclaves (localizado dentro dos limites de outro território) em serras, como no caso do complexo da Serra de Santa Catarina com registros de espécies de ocorrência em Mata Atlântica como palmeiras e cedros de grande porte.

Os estudos também foram realizados na região de Itaporanga caracterizada pela predominância do bioma caatinga com enclaves de cerrado nas regiões serranas mais preservadas, onde a topografia mais acidentada contribui para formação de uma vasta rede de drenagem com presença de muitas cachoeiras e vegetação associada. Na região de Patos, que abrangeu toda microrregião da serra de Teixeira, Seridó oriental e ocidental, predominou a vegetação de caatinga antropizada em solos rasos e pedregosos com vertical até 12m, com maior diversidade na serra de Teixeira.