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Governo abre programação alusiva à Semana Mundial de Aleitamento Materno

segunda-feira, 1 de agosto de 2016 - 17:39 - Fotos:  Ricardo Puppe

Com o objetivo de aumentar o número de doações de leite materno, a Secretaria de Estado da Saúde (SES), por meio do Banco de Leite Anita Cabral e da Rede de Bancos de Leite e Postos de Coleta de Leite Humano, iniciou nesta segunda-feira (1º) uma programação especial alusiva a 25ª Semana Mundial de Aleitamento Materno.

De acordo com a diretora do Banco de Leite Anita Cabral, Thaíse Ribeiro, nos meses de junho e julho as doações de leite materno caíram em torno de 40%, em relação ao mês de maio. Isso sempre ocorre por conta do período junino e das férias. “Normalmente recebemos, por mês, cerca de 250 litros de leite de 200 doadoras. Nesta época do ano o número cai para 180 litros de 170 doadoras. Além disso, em outros meses do ano costumamos atender 150 bebês prematuros e em junho e julho caiu para 100 bebês”, disse Thaíse.

A 25ª Semana Mundial de Aleitamento Materno acontecerá até o dia 4 de agosto, com a realização de rodas de conversa; café da manhã; encontro com empresários para apresentar proposta de instalação de salas de apoio de aleitamento nas empresas; reunião com Hospitais Amigo da Criança e avaliadores da iniciativa “Hospital Amigo da Criança e da Mulher” para orientações quanto ao processo de reavaliação das unidades hospitalares. A Semana terá como tema “Amamentação: faz bem para o seu filho, para você e para o planeta”.

“A iniciativa Hospital Amigo da Criança e da Mulher comemora neste ano 25 anos de atuação no Brasil e o fortalecimento dessa política se dá através do processo de reavaliação das unidades hospitalares. Neste ano, os avaliadores, formados pelo Ministério da Saúde, serão orientados pela SES para reavaliarem as unidades, segundo os critérios estabelecidos pela iniciativa, fortalecendo, assim, a política de incentivo ao aleitamento materno e trabalho de parto e parto humanizado nesses hospitais”, pontuou Thaíse Ribeiro.

As atividades começaram nesta segunda-feira (1º), no Banco de Leite Anita Cabral, com um café da manhã para as mães que amamentam e com roda de conversa para esclarecimento sobre os benefícios da amamentação. “Nós recebemos na manhã de hoje por volta de 15 mães em período de lactação, aquelas que amamentam seus bebês e também as que ainda doam o excedente lático. Elas sempre recebem muito bem esses eventos pontuais e aproveitam para se informar sobre os benefícios da amamentação e a importância da doação”, comentou Thaíse.

A dona de casa Maria Luisa deu à luz a Moisés há quatro dias. Aos 19 anos de idade, ela já passou por cinco gestações e desde a primeira é doadora de leite. “Sempre produzi muito leite e desde que tive meu primeiro filho me tornei doadora. As enfermeiras da Maternidade Frei Damião me orientaram muito bem e é muito boa a sensação de ajudar outras mães e bebês que precisam”, disse ela.

Já Jéssica Leite, por causa de um pico de pressão arterial, teve a primeira filha prematura, aos sete meses de gestação. A criança, logo que nasceu, foi para a UTI Neonatal e a mãe para a UTI Materna e, por isso, não conseguiu amamentar o bebê nos primeiros dias de vida. “Minha filha passou 12 dias na UTI, se alimentando através de uma sonda. Enquanto estive na UTI, eu não tinha condições de ordenhar o leite para alimentá-la e ela também não tinha forças para sugar o peito. A doação foi fundamental para que ela sobrevivesse. Hoje sou muito grata. Mesmo tendo passado um mês e dez dias, ainda seguimos internadas, mas em breve teremos alta”, comentou.

Programação – As atividades da 25ª Semana Mundial de Aleitamento Materno seguem até o próximo dia 4 de agosto. Nesta terça-feira (2), haverá encontro no Banco de Leite de Cajazeiras com os dirigentes da CDL, para apresentação dos objetivos de desenvolvimento sustentável e a proposta de instalação de Salas de Apoio ao Aleitamento Materno e às Mulheres Trabalhadoras nas empresas.

Ainda na terça-feira (2), será realizada capacitação para profissionais em maternidades para assistência em aleitamento materno, nas Maternidades Frei Damião e Edson Ramalho, na capital; de Sousa; Patos e nos hospitais Universitário Lauro Wanderley e de Mamanguape.

Na quarta-feira (3), das 14h às 17 h, no auditório do Cerest, na capital, será promovida reunião com hospitais “Amigo da Criança” e avaliadores da iniciativa “Hospital Amigo da Criança e da Mulher” para orientações quanto ao processo de reavaliação das unidades hospitalares.

No dia 4, das 13h  às 14 h, no auditório da Maternidade Frei Damião, haverá reunião com representantes das Salas de Apoio à Mulher Trabalhadora que Amamenta e, das 14h às 17h, atualização em Segurança Alimentar e Nutricional no Uso do Leite Humano em unidades neonatais e setor de porcionamento.

Doação de leite materno – A disseminação de informações sobre como funciona o serviço de bancos de leite no estado, a sensibilização da população e a desmistificação de algumas idéias errôneas são atitudes fundamentais. As mães que estão no período de amamentação às vezes esquecem ou desconhecem os serviços de banco de leite, por isso a necessidade de divulgação intermitente.

É preciso alertar às mães  que elas podem fazer a doação sem esforços, apenas com a extração do leite e a conservação na sua própria casa. “Existem muitas mães com excesso de leite e que ainda ficam em dúvida com relação à possibilidade da doação. Algumas mulheres ainda têm medo de doar, pois imaginam que vai faltar para seu bebê, no entanto, isso é um mito! Quanto mais se estimula as mamas para a doação e amamentação do bebê, mais leite será produzido. O leite não vai secar e as doadoras não ficarão fracas! É um processo natural e indolor”, explicou a diretora.

Thaíse salienta, ainda, que a consciência da solidariedade precisa ser implantada em todos. “Antes de tudo, é preciso acreditar na causa e apoiar. Incentivando as mães a doarem um pouco de seu leite, apoiar a prática da amamentação, comentar com amigos e conhecidos sobre o serviço de bancos e doar vidros para a arrecadação do leite. Tudo isso ajuda muito”, observa.

A doação de leite materno também faz bem a quem doa. “Além de ser um gesto de solidariedade, a mãe doadora também evita problemas mamários, como o ingurgitamento ou mastite. Sem falar que ela dá continuidade ao aleitamento do seu bebê e daquele que precisa da doação”, disse Thaise.

Para doar – Quem quiser ser doadora basta apenas amamentar o seu filho, apresentar bom estado de saúde e ter leite materno de sobra; ligar para o banco de leite ou posto de coleta mais próximo e aderir ao programa. O banco de leite se responsabiliza por passar as orientações quanto à coleta e armazenamento, enviar o material para coleta segura (luvas, gorro, máscara e vidros estéreis) e, semanalmente, volta à casa da mulher para recolhimento do leite coletado.

Após passar por um processo de pasteurização e controle de qualidade, o leite será oferecido aos bebês internos em unidades neonatais para recuperação do seu estado clínico. Em geral, são bebês prematuros e de baixo peso ao nascer.

Para mais informações, entrar em contato com o Banco de Leite Anita Cabral, no telefone 3215-6047.

Leite humano – O leite doado tem como objetivo alimentar a criança, oferecendo a ela a energia calórica e macronutrientes (como proteínas, carboidratos, lipídios, sais minerais, potássio, fósforo e cálcio) necessários para o funcionamento e nutrição do organismo humano. No entanto, pelos fatores imunológicos que apenas o leite humano oferece, ele age no organismo – em especial do bebê prematuro – como um fármaco, favorecendo a recuperação da saúde, através dos agentes imunológicos, e proteção contra doenças e infecções que podem vir a acontecer durante a permanência do prematuro em unidade neonatal.

“Se formos falar em composição de leite humano, temos uma gama de mais de 250 substâncias interagindo umas com as outras que atuam em caráter antiinflamatório, além de proteger a visão e o funcionamento do cérebro”, informou a nutricionista da Maternidade Frei Damião Janilda Moraes.

Ela comentou que existem relatos de o que leite materno também estimula o coeficiente de inteligência do indivíduo que o ingere. “Os benefícios do leite materno são inúmeros e há estudos que mostram, também, que eles são em longo prazo. Na vida adulta, nota-se que quem ingeriu leite materno tem menos chance de ter colesterol alto, doenças cardiovasculares e obesidade, por exemplo”, enfatizou Janilda.

De acordo com a nutricionista, há mães que em apenas uma ordenha consegue doar até 300 ml de leite. Os bebês prematuros são acompanhados por nutricionistas e profissionais de saúde. Através disso, uma dieta é estabelecida para a necessidade de cada um deles. “Existem bebês prematuros (que nascem de 700g a 1kg de peso corporal) que consomem apenas 1 ml de leite a cada três horas – totalizando 8 ml por dia. Apenas uma ordenha de uma mãe doadora pode ajudar vários que precisam bastante do leite para sobreviver”, explicou.

Janilda acrescentou, ainda, que não existe regra quanto ao prazo das doações. “Temos relatos de mães que doaram seu excedente lático até os dois anos de vida dos seus bebês. As doadoras podem ajudar até que tenham produção de leite, não existe um limite de tempo regular”, finalizou.