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Governador prestigia lançamento de livro e concerto do Prima Mulher no Teatro Paulo Pontes

quarta-feira, 9 de março de 2016 - 11:16 - Fotos:  Alberi Pontes

O governador Ricardo Coutinho acompanhou, na noite dessa terça-feira (8), o lançamento do livro “Catação: olhar juvenil sobre catadores e catadoras”, bem como a apresentação da Orquestra de Mulheres da Paraíba (OMPB) – modalidade do Projeto de Inclusão Social através da Música e das Artes (Prima), no Teatro Paulo Pontes, no Espaço Cultural da Paraíba, em João Pessoa.

A obra retrata, através da fotografia, o esforço e resistência cotidiana de milhares de catadores de materiais recicláveis da Paraíba que buscam o sustento das famílias através da seleção e comercialização desses materiais que não são facilmente descartáveis. Para o governador, esse modelo de produção reforça a importância da implantação de políticas públicas de apoio e fomento às organizações. “O trabalho de catação dos resíduos sólidos é essencial para a humanidade que produz e consome mais do que realmente precisa. É preciso ter capacidade e inteligência, organizando as cooperativas para que eles tenham dignidade, melhorem suas condições de vida e ainda contribuam para o equilíbrio ambiental”, exaltou.

De acordo com a secretária executiva de Segurança Alimentar, Ana Paula Almeida, o livro relata o cotidiano de catadores por meio do registro da realidade de cada um vivenciada na luta pela sobrevivência. “Queremos contribuir com a política nacional de resíduos sólidos, conscientizar a população da importância desse trabalho, acompanhar e fortalecer as cooperativas para que tenham visibilidade e poder de comercialização de seus produtos”, pontuou. As imagens foram captadas em vários municípios da Paraíba, como Uiraúna, Patos, Itabaiana, Pedras de Fogo, Campina Grande, Cajazeiras e Bananeiras, entre outros.

O livro também teve a participação especial de cinco membros do projeto Capacitação de Jovens em Fotografia, do Serviço Pastoral dos Migrantes do Nordeste. O projeto está focado na capacitação de adolescentes e jovens em fotografia com o intuito de dinamizar a comunicação social na comunidade onde estão inseridos. Nesta etapa, as oficinas técnicas foram realizadas no município de Bayeux.

O jovem fotógrafo Alan Jorge dos Santos revelou que na primeira fase do projeto foram adquiridos conhecimentos sobre o instrumento da fotografia. Em seguida, houve as visitas e catalogação nas associações. “A gente rodou a Paraíba inteira, do Litoral ao Alto Sertão, e o que era para ser apenas uma exposição fotográfica se transformou em um livro rico em detalhes e conteúdo. Antes de conhecer a rotina deles, eu tinha uma visão distorcida. Hoje mudei minha forma de enxergar, pois tem um trabalho muito honroso, que todos deveriam respeitar”, disse.

Presente nos lixões, nas ruas, nos centros urbanos e na periferia, o catador Kelson Galdino, de 52 anos, é mais um dos cooperados que se orgulham da profissão e da renda que provém dela.  “Com minha bicicleta saio pelas ruas todos os dias, rodo vários quilômetros e consigo sustentar minha família com o salário no final do mês. Além disso, a gente cuida do ambiente, da água, do ar e da nossa terra. Tive várias profissões na minha vida, eu era multiuso, mas foi na reciclagem que me encontrei, mesmo tendo os estudos completos e sabendo ler e escrever. O lixo é minha fonte de renda, pois com ele sou o patrão e ao mesmo tempo o empregado”, comemorou.

Atualmente, na Paraíba, existem 14 organizações que se encontram sistematicamente e participam da Rede Estadual Lixo e Cidadania (Relici–PB). São grupos de associações e cooperativas e outros informais que estão em processo de organização e têm o objetivo de discutir e elaborar projetos. Além do apoio dos jovens do projeto Fotocomunicação, o livro tem como organizadores Luciene Martins Ferreira e Ricardo Rian Galdino.

Prima - Em seguida foi a vez da apresentação do Concerto Prima Mulheres e do show da paraibana Flávia Wenceslau. Cerca de 50 meninas que atuam no projeto em cidades polo encantaram o público com a apresentação de composições como Carinhoso, de Pixinguinha, Salut D’Amour, de Edward Elgar e alguns clássicos, a exemplo de Mulher Rendeira, do paraibano Zé do Norte.

Dayane Roque, 18 anos, aluna do Polo Cabedelo, tocou clarinete ao lado das amigas. “Conheci o projeto no dia da fundação por curiosidade quando estava largando da escola. Agora estou prestes a entrar no curso de música da universidade e pretendo não parar tão cedo. Eu não sabia o que queria para minha vida e, hoje, a música me proporciona experiências incríveis como esta e me faz pensar em voos mais altos”, afirmou.

Ricardo Coutinho destacou ainda a importância do Prima para as futuras gerações. “Estamos melhorando a estrutura, o conteúdo e a transversalidade. Criamos 12 orquestras em áreas de vulnerabilidade social. As crianças são oriundas de famílias de baixa renda que, independente de se tornarem músicos no futuro, já vão tomar outros caminhos mais dignos. Pude conhecer a realidade deles de perto e sei como aumentou a disciplina deles nas escolas. Independentemente da existência de crise, vamos ampliar este projeto para beneficiar cada vez mais crianças”, finalizou.

As ações fazem parte da programação do Mês da Mulher, realizada pelas Secretarias de Estado da Mulher e Diversidade Humana, Desenvolvimento Humano, Executiva de Segurança Alimentar e Economia Solidária, além do Serviço Pastoral dos Migrantes do Nordeste e Incubadora de Empreendimentos Solidários/UFPB, em parceria com a Fundação Espaço Cultural da Paraíba (Funesc) e Programa de Artesanato Paraibano (PAP).