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28 de dezembro de 2015

Funesc abre o ano com Desafio De Repente no Espaço e reúne seis duplas de repentistas



Seis duplas de repentistas de diferentes estados nordestinos se preparam para uma verdadeira batalha. As armas são as violas, a ironia e o sarcasmo presentes em versos afiados como punhais. É que o projeto De Repente no Espaço começa o ano com uma edição especial – o Desafio, que acontece na quarta-feira (6), com a participação de 12 cantadores. O evento começa às 19h, no mezanino 2 do Espaço Cultural, com entrada gratuita.

As duplas confirmadas são Ivanildo Vila Nova e Antonio Lisboa, Gilmar de Oliveira e Zé Carlos do Pajeú, Hipólito Moura e Zé Viola, Miro Pereira e Erasmo Ferreira, Luciano Leonel e João Lourenço, Edvaldo Zuzu e Raulino Silva. Na comissão julgadora estão Djair Olimpio, Jonh Morais, Junior Farias, Edezel Pereira e José Dantas.

A atividade promovida pelo Governo do Estado, por meio da Fundação Espaço Cultural da Paraíba (Funesc), dá continuidade ao projeto permanente De Repente no Espaço, realizado mensalmente. A atração se repete na primeira quarta-feira de cada mês com uma dupla de convidados.

Sobre o projeto – A Funesc lançou o projeto em julho de 2015 com o intuito de valorizar a arte genuinamente nordestina, que tem como berço a Paraíba. Logo na sua primeira edição, o De Repente no Espaço já se mostrou um sucesso com público crescente a cada mês. Nas cinco edições realizadas de julho a dezembro deste ano, dez poetas populares com notório reconhecimento pelo Brasil e exterior passaram pelo mezanino 2 do Espaço Cultural José Lins do Rego, a exemplo de Ivanildo Vila Nova, que recentemente completou 50 anos de carreira e em sua trajetória, além da sofisticada cantoria, é um artista que fez a diferença na profissionalização do repentista. Ele fez dupla com Rogério Meneses, que também tem carreira expressiva com participações e notoriedade em festivais por todo Brasil.

Na sequência, as duplas: Raimundo Caetano e Raulino Silva, João Lourenço e Luciano Leonel, Hipólito Moura e Gilmar de Oliveira, Miro Pereira e Antonio Silva e fechando o ano, Erasmo Ferreira com o notável poeta Zé Viola. Todos esses nomes marcaram presença na capital paraibana.

A cada mês, um repentista paraibano se apresenta fazendo dupla com um convidado vindo de outro Estado, apresentando duelos, poesias e canções da melhor qualidade do universo dos versos da cultura popular nordestina. O apresentador oficial e declamador é Iponax Vila Nova, coordenador do projeto que além conduzir as cantorias realiza oficina de declamação e versos pelo Estado, dentro do projeto De Repente no Espaço.

Repente – No Brasil, a tradição medieval ibérica dos trovadores deu origem aos cantadores – poetas populares que vão de região em região, com a viola nas costas, para cantar os seus versos. Eles apareceram nas formas da trova gaúcha, do calango (Minas Gerais), do cururu (São Paulo), do samba de roda (Rio de Janeiro) e do repente nordestino. Ao contrário dos outros, o repente se caracteriza pelo improviso – os cantadores fazem os versos “de repente”, em um desafio com outro cantador. Não importa a beleza da voz ou a afinação – o que vale é o ritmo e a agilidade mental que permita encurralar o oponente apenas com a força do discurso.

A métrica do repente varia, bem como a organização dos versos: há a sextilha (estrofes de seis versos, em que o primeiro rima com o terceiro e o quinto, o segundo rima com o quarto e o sexto), a septilha (sete versos, em que o primeiro e o terceiro são livres, o segundo rima com o quarto e o sétimo e o quinto rimam com o sexto) e variações mais complexas como o martelo, o martelo alagoano, o galope beira-mar e tantas outras. Todos se baseiam em métrica, rima e oração poética.

O extremo rigor quanto à métrica e a rima perfeita é  característico na cantoria dos repentistas violeiros. O instrumental desses improvisos cantados também varia: daí que o gênero pode ser subdividido em embolada (na qual o cantador toca pandeiro ou ganzá), o aboio (apenas com a voz) e a cantoria de viola.

Cordéis musicados – O repente se insere na tradição literária nordestina do cordel, de histórias contadas em caudalosos versos e publicadas em pequenos folhetos, que são vendidos nas feiras por seus próprios autores. Uma tradição que, por sinal, inspirou clássicos da literatura brasileira, como o “Auto da Compadecida”, de Ariano Suassuna, e “Morte e Vida Severina”, de João Cabral de Melo Neto. O repente foi para o Sudeste em meados do século XX, junto com a migração de nordestinos para os grandes capitais. Chegou a São Paulo em 1946 com o alagoano Guriatã de Coqueiro (Augusto Pereira da Silva) e, no Rio, instalou-se na Feira de São Cristóvão.

Repentistas do desafio

Ivanildo Vila Nova – Com mais de 50 anos de carreira, Vila Nova foi uns dos principais personagens na profissionalização do repente. Pernambucano com residência em Gravatá (PE), é conhecido por muitos como o maior cantador da atualidade. Já levou a cantoria nordestina para todos os cantos do Brasil e continua sendo figura constante nos festivais.

Antonio Lisboa – Nascido no Rio Grande do Norte, atualmente reside em Recife (PE), onde se formou em Música. Com 30 anos de carreira, Lisboa já participou de inúmeros festivais com premiação na grande parte deles. É também conhecido por sua militância artística pela luta da organização da categoria.

Gilmar de Oliveira – Natural de São José de Piranhas (PB), atualmente reside em Cajazeiras, onde tem um programa diário na rádio Alto Piranhas. Com 13 anos de carreira, já participou de mais de 200 festivais, com destaque no realizado em Campina Grande recentemente, Estado contra Estado.

Zé Carlos do Pajeú – Natural de Tabira (PE), atualmente atua também como secretário municipal de juventude e meio ambiente da cidade. Com 12 anos de profissão já participou de mais de 100 festivais, com destaque nas cidades de Teresina (PI) e Recife (PE).

Hipólito Moura – Nascido em Picos (PI), atualmente reside em Caruaru (PB). Com 20 anos de carreira, também é veterano em festivais pelo Brasil. É um dos cantadores que mais tem se destacado nos últimos festivais.

Zé Viola – Dono de uma voz privilegiada e um dos cantadores mais requisitados para os festivais de repentistas que acontecem pelo país. Além de CDs solo, onde interpreta belas canções da essência nordestina, esse piauiense de Bocaina já gravou discos com Moacir Laurentino, Ivanildo Vila Nova, Dedé Laurentino, entre outros feras do repente.

Erasmo Ferreira – É natural de Aroeiras (PB) e reside há seis anos em Serra Branca. Desde os seus 15 anos de idade, canta e encanta os amantes da poesia popular, dedilhando a sua viola, parceira de muitas alegrias de norte a sul do Brasil. É destaque em festivais e encontros de violeiros pelo País. Com três CD’s gravados, várias participações em álbuns de festivais e parceiros de poesia; autor de várias composições, dentre elas “Pedindo perdão” em parceria com Heraldo Salviano, e “Apaixonado por essa mulher”, regravadas por bandas de forró. Já conquistou vários prêmios, como o 3º lugar no festival em homenagem ao poeta Pinto de Monteiro e 1º lugar no Festival de Violeiros, na cidade de São Vicente (RN).

Miro Pereira – Potiguar nascido em Patu, já tem mais de 30 anos de estrada. Contabiliza em suas andanças mais de 300 participações em festivais. Também é conhecido por promover importantes eventos de cantoria em cidades do Rio Grande do Norte.

Luciano Leonel – Pernambucano de Cachoeirinha, atualmente reside em Vertentes (PE). Com 17 anos de profissão, já marcou presença em centenas de festivas e cantorias pelo Brasil, principalmente pelo Nordeste.

João Lourenço – Nasceu em Pilar (PB), nas terras do Engenho Corredor, na mesma propriedade rural onde nasceu o romancista José Lins do Rego. Começou a cantar em 1977. Dedicou-se por sete anos ao coco e depois adotou a viola. Mudou-se para Pernambuco em 1984, quando começou a atuar em dupla com Rogério Menezes. Começou a carreira de repentista na zona rural e depois veio para a cidade com a intenção de se profissionalizar. Atualmente João Lourenço reside em Caruaru (PE). É considerado, pelos amantes da cantoria, como um dos melhores poetas cantadores do Nordeste.

Edvaldo Zuzu – Com mais de 30 anos de carreira, Edvaldo Zuzu – Violeiro – é herdeiro da poesia crítica dos trovadores e jograis da península Ibérica.

Raulino Silva – Nascido no Rio Grande do Norte, na cidade de Antônio Martis, atualmente reside em Caruaru (PE). Com 17 anos de profissão, já participou de centenas de festivais e ganhou exatamente dez deles. Já gravou em três CDs e um DVD e agora se aventura no universo da música romântica.

 

Serviço:

Desafio De Repente no Espaço

Duplas confirmadas: Ivanildo Vila Nova e Antonio Lisboa, Gilmar de Oliveira e Zé Carlos do Pajeú, Hipólito Moura e Zé Viola, Miro Pereira e Erasmo Ferreira, Luciano Leonel e João Lourenço, Edvaldo Zuzu e Raulino Silva. Na comissão julgadora estão Djair Olimpio, Jonh Morais, Junior Farias, Edezel Pereira e José Dantas

Data: 6 de janeiro

Hora: 19h

Local: Mezanino 2 do Espaço Cultural

Entrada: Gratuita

Comissão julgadora: Djair Olimpio, Junior Farias, José Dantas e John Morais

Direção geral: Renata Mora

Coordenação: Iponax Vila Nova

Realização: Governo do Estado/Funesc