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Fórum discute metas e estratégias de melhoria do atendimento materno-infantil no Estado

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015 - 17:16 - Fotos:  Alberi Pontes

O Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (SES-PB), promoveu nesta segunda-feira (14) o II Fórum Estadual Perinatal de Atenção Materno Infantil. O objetivo foi discutir temas relacionados com a organização da rede materno-infantil e como está a assistência da mulher no que diz respeito à atenção materno-infantil no Estado. O evento aconteceu no auditório do Centro de Ciências Médicas da Universidade Federal da Paraíba e contou com a participação de representantes de 22 maternidades do Estado, representantes das gerências regionais, apoiadores institucionais, obstetras e pediatras dos serviços estaduais e sociedade civil organizada.

Segundo a coordenadora do Núcleo de Saúde da Mulher da SES-PB, Fátima Morais, a intenção do Fórum é debater a atual situação da rede materno-infantil no Estado. “Vamos discutir como está o panorama da rede cegonha, levantando o perfil epidemiológico da mortalidade materna no Estado. Atualmente atendemos em maternidades de alto risco de maneira descentralizada. São quatro maternidades em João Pessoa (Frei Damião, Cândida Vargas, Edson Ramalho e Hospital Universitário Lauro Wanderley), Instituto de Saúde Elpídio de Almeida (Isea) em Campina Grande, o Hospital Peregrino Filho, em Patos, e várias outras maternidades de risco habitual espalhadas em todo o estado”, informou.

A microcefalia e o manejo clínico das doenças relacionadas ao mosquito Aedes aegypti também entram em pauta. “Apresentamos o protocolo clínico elaborado pela SES-PB, com as modificações dos conceitos trazidas pelo Ministério da Saúde. Para os recém-nascidos no tempo correto, o Ministério pede que nós notifiquemos os casos com perímetro cefálico de 32 centímetros ou menos, antes eram 33 centímetros. Essa mudança de parâmetro vem ajustar de uma forma mais correta para evitar notificar casos normais como casos de microcefalia”, afirmou o médico pediatra e diretor do Hospital Arlinda Marques, Bruno Leandro Sousa. Ele informou, ainda, que durante o Fórum foram apresentados os locais de referência para tratamento e os protocolos a serem tomados do ponto de vista de seguimento da criança. “Este é o assunto mais importante que temos no último trimestre e deve ser o principal foco de discussão hoje”, comentou.

Para a apoiadora do Ministério da Saúde na Rede Cegonha, Ana Renata Lemos, o debate promovido no II Fórum Estadual Perinatal de Atenção Materno-Infantil vem para construir encaminhamentos coletivos para a rede materno-infantil na Paraíba. “Para a construção de uma rede efetiva e integrada precisamos que ela seja compactuada com diversos níveis: Ministério da Saúde, Estados, municípios, os diversos gestores que compõem a rede, assim como trabalhadores e a sociedade como um todo”, disse.

Ana Renata observou que este é o momento para os gestores colocarem em pauta suas conquistas e pontuarem suas dificuldades. “Trouxemos algumas apresentações, mas a ideia é abrir a discussão para a plenária. Queremos ouvir de cada gestor qual sua realidade local, fazendo uma retrospectiva de avanços, conquistas e anseios para que, de fato, criemos encaminhamentos efetivos e um planejamento sólido para 2016”, destacou. 

Rede Cegonha – É uma estratégia do Ministério da Saúde que visa implementar uma rede de cuidados para assegurar às mulheres o direito ao planejamento reprodutivo e a atenção humanizada à gravidez, ao parto e ao puerpério, bem como assegurar às crianças o direito ao nascimento seguro e ao crescimento e desenvolvimento saudáveis.

Esta estratégia tem a finalidade de estruturar e organizar a atenção à saúde materno-infantil no País e será implantada, gradativamente, em todo o território nacional, iniciando sua implantação respeitando o critério epidemiológico, taxa de mortalidade infantil e razão mortalidade materna e densidade populacional.

Na Paraíba, a Rede Cegonha foi implantada em 2011 com o objetivo de reduzir a mortalidade materna no Estado. De acordo com Fátima Morais, é um grande desafio reduzir o número de óbitos maternos. “Em 2013 foram 40 óbitos, em 2014 reduzimos para 31, mas em 2015 já visualizamos um leve aumento, totalizando 36 casos de óbitos maternos. Vislumbramos uma reorganização dessa rede para que possamos seguir diminuindo esse número. Além disso, queremos assistir a mulher de uma forma mais humanizada e qualificada desde o pré-natal até o parto e o puerpério, de forma que ela não precise estar peregrinando de uma unidade para outra”, disse.

Além da assistência à mãe, nos primeiros dois anos de vida da criança, a Rede Cegonha compreenderá a atenção integral à saúde da criança, desde a promoção do aleitamento materno até a oferta de atendimento médico especializado para eventuais necessidades de cada criança.