Fale Conosco

22 de novembro de 2011

Festa da Colheita marca resgate da cultura do algodão agroecológico



Para comemorar o resgate do algodão, que gera renda e cidadania aos agricultores familiares da Paraíba, o Governo do Estado, por meio da Secretaria do Desenvolvimento da Agropecuária e da Pesca (Sedap), se tornou parceiro na realização da 3ª Festa da Colheita do Algodão Agroecológico, que acontece desta quinta-feira (24) até o próximo domingo (27), no município de Remígio. O evento é uma realização da Embrapa Algodão e da ONG Arribaçã.

O objetivo da festa é resgatar e enaltecer os valores da agricultura familiar, que constroem a identidade cultural dos agricultores familiares do Território da Borborema. O evento será dividido em quatro momentos: exposições, seminário sobre a cultura do algodão agroecológico, desfile de moda e apresentações artísticas. “Será um momento de confraternização, em que os agricultores organizados em torno da Rede Paraíba de Algodão Agroecológico vão comemorar o início da colheita do algodão”, destacou o secretário da Sedap, Marenilson Batista – um dos idealizadores do evento.

A festa já faz parte do calendário de eventos do município de Remígio, que este ano também sedia o Seminário da Rede de Algodão Agroecológico do Semiárido. Agricultores de todo o Nordeste vão participar do seminário, além de técnicos e empresários ligados à moda sustentável da Europa e da América Latina. Um dos pontos fortes será o desfile de moda, que apresentará coleções de grifes como Coopnatural do Brasil, Tudo Bom e Veja Fair Trade, da França. Também haverá apresentações culturais com Gente Boa, Baixinho do Pandeiro e Os 3 do Nordeste.

Durante os quatro dias de festa, todas as entidades e agricultores envolvidos na Rede Paraíba de Algodão Agroecológico – entre elas, Embrapa, Arribaçã, Emater, STR, Polo Sindical da Borborema, Patac, As-Pta, Coop Natural e UFPB – vão discutir inovações tecnológicas voltadas para a agricultura familiar, experiências agroecológicas, políticas públicas para o campo e difusão cultural dos agricultores envolvidos.

Para o secretário executivo da Agricultura Familiar, Alexandre Eduardo, a introdução do algodão herbáceo no contexto de produção agroecológica na agricultura familiar já é uma alternativa viável do ponto de vista de incremento da rentabilidade da unidade produtiva na Paraíba.

Produção – O Nordeste foi o maior produtor de algodão do País, na década de 1930, e chegou a ter três milhões e meio de hectares cultivados. Foi uma das principais culturas geradoras de renda na região semiárida, por ser uma planta que resiste à seca e se reproduz principalmente no período do verão. A produção praticamente parou na década de 90, por causa dos estragos do bicudo, inseto que come a flor do algodão, as fibras e as sementes em formação, levando muitos agricultores a abandonar seus plantios.

Na Paraíba, o resgate da produção do algodão se deu a partir da observação e experimentação de agricultores familiares interessados em voltar a plantar algodão, mas desta vez, segundo Alexandre, com um diferencial: investindo no algodão agroecológico. “O apoio do Governo do Estado, por meio da Sedap, está sendo decisivo no resgate, permitindo importante avanço na área plantada”, disse.

Segundo ele, a produção de algodão agroecológico em rama deverá atingir 100 toneladas este ano, no Estado. A Emater presta assistência a 120 famílias, em 18 municípios, numa área de221 hectares.