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Fenart tem noite de espetáculo recheado de folclore nordestino

quinta-feira, 27 de maio de 2010 - 09:17 - Fotos: 

Antônio Nóbrega é mesmo um caso excepcional no Brasil. O músico pernambucano mostrou porque é desaguadouro de múltiplas vertentes no palco principal do Fenart na noite desta quarta-feira. Fez um espetáculo recheado de influências do nosso rico folclore nordestino, das nossas histórias picarescas, da literatura de cordel, do circo mambembe e das folias carnavalescas.

Nóbrega soube aproveitar a audiência dos que foram acompanhar seu show.  Passeou por diversos gêneros da música popular: frevo, maracatu, samba, choro e foi até a música erudita. Cantou “Feira de Mangaio” e “João e Maria”, ambas de Sivuca, o grande homenageado do 13º Fenart. Além de suas canções como “Mal de amor”, “Fervo” e “Cheganço”. No momento “armorial” da noite, ele cantou “O rei e o palhaço”, inspirada em Ariano Suassuna.

Praticamente a cada música, Antônio Nóbrega contava uma curiosidade, musical ou histórica. Entrou em cena homenageando Jackson e Sivuca, ícones da música paraibana. A platéia, pelo visto, aprovou!

Antes de Nóbrega, a cultura popular teve vez no palco 2 do festival. Baixinho do Pandeiro esquentou os pandeiros jacksoneanos, deixou o público embasbacado com seu pandeiro mágico. Antes, o grupo Rabeca de Fogo fez o público dançar ciranda com músicas próprias e sucessos de Zé Ramalho, Sivuca, Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro.

A noite terminou ao som de três destaques da música autoral paraibana: Adeildo Vieira, Eleonora Falcone e Gracinha Telles.

Yamandu costa faz Bangüê superlotar

Yamandu Costa lotou o cine-teatro Banguê do Espaço Cultural na noite desta quarta-feira. Acompanhado por Nicholas Krassik no violino e Guto Wirtti no contrabaixo acústico. O show começou pontualmente às 19h e pouco tempo depois, o Bangüê já estava lotado, com uma parte do público em pé.

Logo no início do show, Yamandu elogiou o Fenart: "Quando eu vi a quantidade de atrações, fiquei impressionado. Tem muita gente boa", declarou, para arrematar: É importante esse tipo de incentivo a nossa cultura." O músico também falou sobre o aniversário de 80 anos de Sivuca, que seria hoje, e como não poderia deixar de ser, fez também a sua homenagem ao acordeonista tocando a música "Feira de Mangaio".

Com exceção de "Feira de Mangaio", que é de Sivuca e Glória Gadelha, o repertório do show foi apenas de músicas autorais, muitas compostas na parceria de Yamandu e seu baixista Guto Wirtti. O público estava bastante animado e aplaudia muito a cada número.  Yamandu encerrou a noite com um viva para Sivuca e para a música brasileira.

Antes de Yamandu, tocou a banda Oxente Groove. O grupo de Campina Grande é formado por: Vangelis Siqueira no acordeon; Sílvio Silva na guitarra; Valdenor Fonseca no baixo; e Saulo Emerson na bateria. A banda faz um som instrumental misturando Dominguinhos, Jackson do Pandeiro, Luiz Gonzaga, Chick Corea e Sivuca.

“Aroeira” teve trilha de Milton Nascimento

A noite foi movimentada nesse quarto dia de Fenart. Às 20h aconteceram, simultaneamente, o espetáculo de teatro “Espiral – Brinquedo meu”, de Hélder Vasconcelos, e o espetáculo de dança “Aroeira”, do Grupo Viladança. As atrações se apresentaram no Teatro de Arena e no Teatro Paulo Pontes, respectivamente.

Hélder Vasconcelos, que foi um dos fundadores da extinta banda pernambucana Mestre Ambrósio, apresentou seu primeiro espetáculo teatral, dirigido por Ana Cristina Colla, Renato Ferrecini e Carlos Simione, do grupo Lume (SP). Repleto de referências nordestinas, “Espiral – Brinquedo Meu” levou muita gente ao Arena.

O grupo baiano Viladança também reuniu bastante gente no Teatro Paulo Pontes pra ver "Aroeira”. Um dos principais atrativos do espetáculo é a trilha sonora, com músicas especialmente cedidas pelo compositor mineiro Milton Nascimento.

A apresentação também conta com projeções que ocorrem enquanto os dançarinos estão no palco. Os figurinos também deram um show a parte: não eram simples vestimentas, eram também usados nas coreografias.

Fenart educação leva beleza e emoção ao Fenart

Ao longo do dia, o Fenart Educação, oficinas e lançamentos de livros pontuaram a quarta-feira do Fenart. Com um público de cerca de três mil crianças, alunos de escolas da rede pública e privada, o Fenart Educação também contou com programação especialmente voltada para crianças portadoras de Síndrome de Down.

Às 8h houve uma apresentação de sapateado e logo em seguida se apresentaram os alunos da Escola Especial de Música Juarez Johnson, inaugurada no ano passado no Espaço Cultural pelo presidente da Funesc, Maurício Burity. A escola ensina música a crianças portadoras de Síndrome de Down.

Ainda pela manhã houve uma apresentação da Funad com bandas e grupos folclóricos, além de oficinas de artes plásticas e zabumba que comportaram 30 e 10 crianças de escolas públicas, respectivamente.

A exposição “Desvios, o Fim das Coisas” da paraibana Adriana Aranha, em exposição na Galeria Archidy Picado, também foi uma das atrações visitadas pelos estudantes.

Os professores da rede pública também tiveram sua própria programação: uma oficina intitulada “Unindo Linguagens”, ministrada pela professora universitária de Comunicação Social Lúcia Serpa.

À tarde houve o lançamento do livro “Estrelinha do Mar e Estrelinha do Céu”, de Maria das Graças Ataíde Dias, com representação teatral da história do livro. Também houve apresentação da Companhia de Dança do Teatro Santa Roza e do Circo Piollin.

O público jovem e adulto teve um encontro com a escritora paraibana Clotilde Tavares, que ministra até esta quinta-feira uma oficina que ensina a arte de escrever cordel no auditório José Siqueira, no mezanino 1 do Espaço Cultural José Lins do Rego.

À tarde, a assistente social Maria das Graças Ataíde Dias lançou o livro "A Estrelinha do Céu e a Estrelinha do Mar". O livro visa alcançar as crianças com textos instrutivos e narrados com o propósito de levar à descoberta, através de seus imaginários, a importância da natureza, da amizade, do companheirismo, da responsabilidade social e de outros valores humanos.

O Fenart desta quarta-feira também contou com três lançamentos de livros: "O Ofício de Engordar as Sombras", de Bruno Gaudêncio; "De Literatura e Cinema", de Simão Farias Almeida, e "Wills Leal: O Topógrafo dos Territórios Simbólicos", com organização de Hildeberto Barbosa Filho. Na ocasião estiveram presentes todos os autores dos livros apresentando suas obras.

Assessoria de Imprensa da Funesc