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Famílias convivem com estiagem criando aves em sistema semiaberto em Gurinhém

segunda-feira, 8 de abril de 2013 - 14:58 - Fotos:  Secom-PB

Mesmo em período de prolongada estiagem, a criação de aves em sistema semiaberto está se constituindo em uma alternativa de renda para um grupo de 13 famílias agricultoras da Comunidade Serra do Catolé,  às margens da BR-230, área de maior altitude do município de Gurinhém. Estando em novo ciclo de produção, os cinco pequenos aviários estão produzindo e comercializando frangos em cidades da região.

Os trabalhos de concepção dos projetos e acompanhamento técnico são da Emater Paraíba, empresa vinculada à Secretaria do Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap). A agricultura Edvânia Gomes, que participa do grupo de criação de aves, disse que foi graças à orientação da Emater que as famílias continuam trabalhando a terra e produzindo. “Estamos driblando a estiagem”, afirmou. Segundo o secretário da agricultura do município Elionaldo Trajano da Cunha, os agricultores planejam a instalação de um abatedouro, com a parceria da prefeitura municipal.

No sitio Vitória, localizado na Comunidade Serra do Catolé, o agricultor familiar Américo Muniz de Mendonça tem um criatório de 400 aves. Embora enfrente dificuldades na comercialização, ele se prepara para se tornar fornecedor do PNAE e do PAA. Em torno do aviário, para melhor aproveitamento da área, iniciou um projeto de arborização, incluindo frutíferas para acomodar as aves. “É um projeto que vale a pena”, disse.

O agricultor Américo Muniz destacou a importância da formação do grupo de 13 famílias que vem trabalhando nessa atividade. “Começamos com orientação e ajuda da Emater para formar o grupo. Decidimos pela criação de aves, mesmo sem ter conhecimento”, disse, acrescentando que o criatório tem capacidade para abrigar 600 aves.

“Essa atividade tem permitido muita gente a se manter no campo, apesar das dificuldades advindas da estiagem e ameaças de assaltos”, comentou.  Para reduzir custos, os aviários foram construídos usando material retirado da propriedade.

As famílias desenvolvem o projeto de criação de aves de forma coletiva, organizando-se em tempos e espaços diferenciados, promovendo o dinamismo da economia local e oportunizando que outras pessoas também possam ter uma renda extra com o produto comercializado. Os animais são vendidos nas feiras livres e de porta em porta com preços e condições variáveis: o animal vivo, em média, custa R$ 20,00 e o abatido, R$ 8,00.

Os agricultores projetam a aquisição de equipamentos como veículo para o transporte da produção e uma câmara frigorífica onde armazenariam os animais abatidos, bem como incrementariam a comercialização, inclusive agregando valor ao produto com cortes especiais de frango congelado, aumentando a renda e dando maior atenção a necessidades específicas de consumidores, oferecendo alimentação saudável.

Cada família de agricultores vive uma experiência diferente com seu projeto, mas o modo de criação é idêntico, visto que tem concepção e metodologia semelhantes. Um deles, José Cavalcante Rodrigues, do sítio Nossa Senhora das Graças, montou seu aviário, que foi construído usando material reaproveitado de sua área de produção, como telha, ripas, caibros e varas para cerca de faxina.

De acordo com os técnicos responsáveis pelo projeto, a criação de aves em regime semiaberto vem substituindo atividade de caprinocultura, que deu bons resultados ao agricultor familiar Pedro Barreto, do sítio Deus Proverá. Ele usou a criatividade e transformou a tapera de casa em aviário, reduzindo custos que utilizou em benefício do seu criatório comercializando a produção nas cidades vizinhas, utilizando uma motocicleta. Junto com a esposa Marinalva Alves Melo da Silva, ele projeta aumentar o criatório, aliando a atividade de corte e de postura.

O projeto foi concebido e assessorado pela equipe estadual de avicultura da Emater, formada pelos engenheiros agrônomos Vicente de Assis Ferreira, Hermano Severino de Araújo e a extensionista social Ivanalda Dantas, que fazem a orientação das famílias agricultoras e o acompanhamento com a participação dos escritórios regionais de Itabaiana e das assistentes sociais Ângela de Cássia Alcântara e Severina Lima de Araújo, do escritório local de Gurinhém.