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Familiares de doadores e receptores participam de evento religioso nesta quinta

quarta-feira, 23 de setembro de 2009 - 13:46 - Fotos: 
Familiares de doadores e receptores de órgãos e tecidos têm um encontro marcado em um culto ecumênico que vai marcar a abertura da IX Campanha Estadual Para Doação de Órgãos e Tecidos, que, este ano, tem como slogan ‘Deixe mais que saudade… Deixe vida! Doe Órgãos!’.

O evento acontece nesta quinta-feira (24), às 16h no auditório da PBPrev, no Bairro dos Estados. A campanha é da Central de Transplante da Paraíba (CT-PB), órgão da Secretaria de Estado da Saúde (SES), e terá atividades em João Pessoa, Guarabira, Campina Grande e Patos, que mantém núcleos de captação de órgãos e tecidos.  

A celebração religiosa vai contar com a participação do pastor da Igreja Evangélica Pentecostal Cristo é Poder, Wanderlei Brant; do padre da Igreja Católica, Leôncio da Silva Júnior, e do bispo da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos últimos Dias, João Cordeiro Guedes. A Central de Transplante espera que o culto reúna, aproximadamente, duzentas pessoas, entre familiares de doadores e pessoas que receberam órgãos, além do público em geral.

Nos sermões, o pastor, o padre e o bispo devem dizer o que pensam as diferentes igrejas sobre a doação de órgãos e tecidos. Ainda durante a celebração, haverá testemunhos de pessoas transplantadas, como também dos familiares dos doadores. “Teremos cânticos e louvores e com certeza será um momento de muita emoção, alegria, partilha e congraçamento entre todos”, disse a coordenadora da Central de Transplante da Paraíba Gyanna Lys Montenegro.

O pastor Wanderlei Brant garantiu que a Bíblia faz referência ao transplante de órgãos e tecidos, como um avanço do futuro, quando, no livro do profeta Daniel, capítulo 12, versículo 4, diz que “a ciência se multiplicará”. Ele disse que a medicina está se devolvendo e prolongando a vida das pessoas e que sua igreja jamais poderia ser contra isso. “O nosso pai celestial deu a sua vida para nos salvar e não há razão para sermos contra a uma ação dessas”, completou.

O padre Leôncio da Silva Júnior disse que preferia se basear no pensamento cristão que muitas vezes vai além das doutrinas religiosas. Para ele é louvável a atitude do médico que faz o transplante, como também do doador e de seus familiares. “Deus deu a sabedoria ao homem para fazer o bem e, nesse caso específico, ao médico para que ele possa salvar”, comentou o padre.

Para o bispo João Cordeiro Guedes, toda e qualquer ação que tem como objetivo salvar vidas, desde que preserve as Leis da Deus, que não infrinja o código ética médica e as normas e diretrizes da medicina. “A medicina está em constante evolução e quando essas transformações são para salvar e prolongar a vida com certeza têm a ação e a luz do Espírito Santo”, comentou o bispo.  Para ele, o simples gesto da pessoa que se dispõe em doar seus órgãos e tecidos é uma atitude de extrema generosidade, de caridade e representa um ato de amor para com o próximo.  

“Em minhas mãos” – A funcionária pública Maria Auxiliadora Alexandre Pereira, que mora em João Pessoa, autorizou a doação de todos os órgãos do seu filho Leandro Pereira Viana, em 2005 quando o estudante morreu, aos 18 anos. Ele foi vítima de uma bala perdida e teve morte encefálica depois de oito dias internado no Hospital de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena.

Ela disse que a decisão de doar os órgãos do seu filho surgiu depois que ela tomou conhecimento do grande número de pessoas que se encontravam sofrendo na fila à espera de um transplante. “Eu vi que estava em minhas mãos a oportunidade de aliviar a dor, o sofrimento e devolver a vida a essas pessoas”, disse a funcionária.

As córneas e o fígado do estudante foram transplantados em João Pessoa, os rins foram para o Estado de Goiás e as válvulas do coração foram levadas para Belo Horizonte. Maria Auxiliadora disse que nunca se encontrou com as pessoas que receberam os órgãos do seu filho e não quer que isso aconteça. “Como eu sei que fiz o bem, prefiro manter o anonimato entre eu e essas pessoas que tiveram essa chance de voltar a viver”, justificou.

Na Paraíba, 425 pessoas dependem, hoje, de uma córnea para enxergar ou de um rim, um coração ou um fígado para continuar vivendo. Atualmente, 384 pessoas esperam um rim, três por um coração, 30 por córneas e oito por fígado. Este ano, foram realizados 113 transplantes de córneas, 7 de rim, 1 de fígado e 1 de coração.
 

Assessoria de Imprensa da SES/PB