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19 de julho de 2011

Falta de conhecimento dificulta o diagnóstico da tuberculose



A falta de conhecimento por parte dos profissionais de saúde tem sido uma das principais dificuldades para o diagnóstico e tratamento da tuberculose e de outras doenças, como a dengue e a hanseníase. A avaliação é de Jorge Rocha, do Projeto Management Siences For Health (MSH), que foi um dos coordenadores do Seminário Estadual de Manejo Clínico da Tuberculose, realizado nesta segunda (18) e terça-feira (19) no Hotel Village, na Praia de Tambaú, em João Pessoa.

De acordo com ele, o ensino nas faculdades e outras unidades sobre a tuberculose é limitado aos alunos dos cursos da área de saúde, desde o médico ao enfermeiro e, com isso, esses profissionais não recebem as informações adequadas sobre a problemática da tuberculose, o que contribui para dificultar o diagnóstico e tratamento da doença.  “O aparelho formador, que é a escola de medicina, tem que ter um olhar diferente não só para a tuberculose, mas todas as doenças frequentes na população, a exemplo da dengue e da hanseníase”, disse Eleny Guimarães Teixeira, consultora do Ministério da Saúde.

Outro problema apontado por Jorge Rocha é com relação ao acompanhamento do tratamento do paciente. De acordo com ele, o profissional de saúde tem que ver o paciente tomando o medicamento, pois a cura da doença depende do tratamento correto e durante o tempo completo. Ele disse que o gestor municipal deve estimular o profissional de saúde e dar condições para que ele exerça esse Tratamento Diretamente Observado (TDO).

Jorge Rocha disse ainda que muitos profissionais pensam que a tuberculose está reaparecendo, quando, na verdade, ela nunca deixou de existir. Ele disse também que o diagnóstico é fácil e de baixo custo. “O exame de baciloscopia é o responsável pelo diagnóstico da doença, o resultado não demora mais do que quatro horas e quando mais cedo a doença for descoberta, mais eficaz será o tratamento”, comentou.  O município, segundo Jorge Rocha, deve oferecer esse exame.

Ele disse que o seminário realizado nesta segunda e terça-feira em João Pessoa foi muito proveitoso, pois serviu para que os profissionais reforçassem os conceitos importantes sobre tuberculose e as novas recomendações para o controle da doença no Brasil. O evento reuniu médicos e enfermeiros, principalmente de atenção básica e/ou de referências secundárias para tuberculose e foi organizado pelo Programa Nacional de Controle da Tuberculose/SVS do Ministério da Saúde e pelo Programa Estadual de Controle da Tuberculose na Paraíba.

Dados sobre a doença – Ano passado foram confirmados 1.039 casos de tuberculose na Paraíba. A meta da Organização Mundial de Saúde e do Ministério da Saúde é atingir 85% da cura e menos de 5% do abandono para que se possa conseguir o controle da tuberculose. Em 2009, na Paraíba, a tuberculose apresentou 62% de cura e 8% de abandono.