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14 de julho de 2009

Exposição vai mostrar produtos confeccionados por detentas



O trabalho confeccionado por dez presas será mostrado em exposição a ser realizada neste mês de julho, na Fundação Ação Livre, no Bairro do Bessa. São lenços e xales de seda, robes de cetim, toalhas com aplicações, fronhas bordadas com vagonite, bolsas, panos de prato com pinturas e bicos, almofadas de fuxico, panos de chão de retalhos e toalhas com detalhes de crochê.

Elas trabalham de segunda-feira a sexta-feira, numa cela transformada em ateliê, onde estão instaladas máquinas de costura, uma grande mesa e todo o material necessário para a produção das peças cujo valor gera renda para as próprias apenadas e para reinvestir na aquisição de mais matéria prima.

A diretora do Presídio Maria Júlia Maranhão, Susana Lima dos Santos, disse que estão sendo aproveitadas as habilidades e conhecimentos que as presas já tinham para executar o programa de ressocialização. Elas também têm que ter bom comportamento. No presídio estão 200 mulheres, das quais 40 são mantidas em regime aberto e semi-aberto e outras 160 estão em regimes fechado e provisório.

No ateliê trabalham seis detentas e quatro realizam os bordados na própria cela. Esse mesmo grupo vai fabricar o fardamento que será utilizado pelas detentas que trabalham na cozinha e na limpeza do presídio. Muitos produtos foram confeccionados com tecidos apreendidos pelo Fisco, como mercadoria sem nota fiscal. A diretora explicou que as presas não ficam com o dinheiro. Uma parte é repassada para família, com emissão de um recibo assinado pelo familiar e, às vezes, elas usam para compra de objetos e produtos de uso pessoal.

As peças são feitas em tecidos de qualidade e têm bom acabamento. O valor cobrado equivale ao praticado no mercado local. “É uma forma de valorizar o trabalho delas”, explica a diretora, ela mesma usuária de um dos xales confeccionados pelas detentas.

Há oito meses presa por tráfico de drogas, Charlene dos Santos, de 26 anos, disse que trabalhar no ateliê ocupa a mente e a prepara para enfrentar a vida fora do presídio quando ela for solta. Pensamento semelhante tem Rita de Cássia, sentenciada a 7 anos e 9 meses de detenção e com dois anos já cumpridos. “Além de pode aprender mais, porque antes eu já bordava e aqui aprendi outros pontos. É uma oportunidade de mostrar lá fora o que a gente sabe fazer”. Ela foi condenada por levar droga para o marido, que está preso por homicídio. As duas filhas estão sendo criadas pela avó.

Redes de futebol, futsal e volei

Além disso, há um grupo de 20 detentas, que está produzindo redes destinada a práticas esportivas nas escolas públicas. O programa é financiado pelo Ministério do Esporte, que viabilizou todo o material – linhas e instrumentos – como também camisetas que padronizam as vestimentas das presas.

A equipe é supervisionada por Dalva Costa Ferreira, uma apenada que está há cinco anos detida por crime de homicídio. Ela fez parte do primeiro projeto, realizado em 2006, tendo aprendido a técnica com um instrutor. As detentas recebem por produção. Serão confeccionadas 120 redes de futsal. Por cada unidade produzida a presa recebe R$ 6,50.

Também serão feitas 200 redes de futebol, que, como são maiores, custam R$ 13,00 cada e o pagamento por cada rede de vôlei será de R$ 7,00. O grupo trabalha de segunda-feira a sexta-feira, das 7h às 11h e das 13h às 17h, numa ambiente coberto e arejado, em pé, com as linhas presas em colunas de madeira. O Programa foi iniciado no dia 26 de maio último.

Segundo Dalva Costa Ferreira, a supervisão visa manter a qualidade do produto, que deve ter nós fortes e resistentes. A detenta, que cumpre uma pena de 17 anos, disse que o trabalho além de ocupar a mente serve para a remissão da pena e permite se aprender uma atividade, além da remuneração – em média de R$ 80,00 a R$ 90,00, por mês, que serve para ajudar a família. Ela era dona de casa, vendia cosméticos e, às vezes, trabalhava como doméstica. Tem dois filhos criados pela mãe e o marido a abandonou depois que cometeu o crime: assassinou uma amiga.

Produtos para exportação

A diretora Susana dos Santos Lima mostrou ainda uma camisetas feitas de algodão colorido, que serão bordadas pelas presas. Por cada flor bordada, serão pagos R$ 0,50, e cada unidade tem cinco flores. Ao todo, serão 39 camisetas bordadas e destinadas à exportação. Todo o material – das camisetas às linhas e agulhas – foi fornecido por uma empresária que terceirizou a atividade. Outras experiências deste gênero estão procuradas e devem ser concretizadas.

Naná Garcez, da Secom-PB, com fotos de Walter Rafael