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31 de março de 2015

Exposição destaca peças confeccionadas por usuários do Centro de Atenção Psicossocial em João Pessoa



O Centro de Atenção Psicossocial (Caps AD III Álcool e drogas) Jovem Cidadão, que pertence a rede estadual de saúde, realiza nesta quarta-feira (1º), das 8h às 13h, uma exposição de arte no Sesc/Centro, na Capital.  Todas as peças como quadros, mandalas, móveis, puffs, joias entre outros objetos foram produzidas pelos usuários que utilizaram materiais reciclados.

A diretora geral do Caps, Marileide Martins, explicou que a oficina de geração de renda é mais um dispositivo que tem como intuito criar condições para que estas pessoas possam participar de forma efetiva em atividades produtivas. “O que norteia este ideário é a mudança do paradigma de exclusão e segregação por um modelo assistencial baseado no cuidado em liberdade”, comentou.

Ela explica que a gestão estadual em parceria com a Política Nacional de Saúde Mental do Ministério da Saúde vem desenvolvendo uma série de frentes que evolvem desde o tratamento adequado até um plano para a reabilitação psicossocial destas pessoas.

“Dentro desta perspectiva, a inclusão social pelo trabalho é a mais nova estratégia do Governo estadual e Federal para pessoas que sofrem de transtornos decorrentes do uso de álcool e outras drogas. As Leis n°. 9.867, de 10 e novembro de 1999, e 10.216, de abril de 2001, justificam e fundamentam essa iniciativa do Governo da Paraíba e do Ministério da Saúde”, explicou.

Mais informações – O Caps AD é um serviço de atenção psicossocial para atendimento de pacientes com transtornos decorrentes do uso e dependência de substâncias psicoativas. Conforme preconizado pelo Ministério da Saúde, esse serviço oferece atendimento diário aos pacientes que fazem uso prejudicial de álcool e outras drogas, permitindo o planejamento terapêutico dentro de uma perspectiva individualizada de evolução contínua.

Nos últimos três anos, o serviço atendeu 3.196 usuários, 291 famílias e fez 185 visitas domiciliares. No ano passado, o Caps atendeu 935 usuários e desses 317 se recuperaram. “Eles ou estão trabalhando ou estudando”, disse a diretora geral do Serviço Marileide Martins. O serviço é referência para todo o Brasil pelo Ministério da Saúde e atende usuários não só de João Pessoa, mas também de várias outras cidades do Estado.

O Caps AD III atende atualmente 628 usuários dependentes químicos com uma equipe multiprofissional entre médicos, psicólogos, farmacêuticos, nutricionistas, educador físico, enfermeiros, psicanalistas, arte terapeuta, artesão entre outros.

A partir deste ano, o serviço começou a funcionar com essas atividades todo final de semana para todos os usuários que desejam atendimento e atividades terapêuticas.

A diretora considera imprescindível a atuação da família na prevenção ao uso indevido de drogas psicoativas, assim como na recuperação e reinserção social do dependente químico. De acordo com ela, essas dependências químicas envolvem, pelo menos, outra pessoa além do toxicômano, ou seja, os coodependentes. “Esse coodependente é o parceiro indissociável do dependente químico que, ao expressar desejo de ajudar, deve ser chamado a participar do tratamento, pois constitui um recurso importante pelo poder que exerce sobre o conjunto de relações nas quais o toxicômano é o elemento central”, comentou

Ela explicou que hoje uma das ações desenvolvidas pelo Caps é a busca ativa dos usuários que são resgatados e trazidos para o serviço onde recebem toda assistência para deixar o vício. “Dependência química não é loucura e com isso não há necessidade de se internar o usuário em hospital psiquiátrico, porque a cura pode ser alcançada por meio de um trabalho terapêutico sem a necessidade do uso de drogas que só prejudicam mental e clinicamente o usuário”, destacou Marileide Martins.