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Experiência vivida pela Abap foi apresentada no I Salão Estadual dos Territórios Rurais da Paraíba

quarta-feira, 16 de junho de 2010 - 09:05 - Fotos: 

O retorno às atividades na zona rural, ou êxodo urbano, é uma situação inversa no setor agrícola, vivenciada pela maioria de 60 agricultores da Associação dos Produtores de Avicultura Alternativa do Agreste da Borborema (Abap), que resolveu apostar na criação de galinhas de capoeira na comunidade Camucá, em São Sebastião de Lagoa de Roça.     
         
Com o abate semanal de 1.170 cabeças, o lucro líquido mensal do grupo chega a R$ 42 mil e hoje faz plano de ampliar o negócio. A experiência exitosa foi um dos 17 trabalhos, denominados Boas Práticas Territoriais, apresentada no I Salão Estadual dos Territórios Rurais da Paraíba, realizado no Centro de Capacitação do Sebrae, em João Pessoa.
 
O presidente da Abap, Robson Pereira de Oliveira, é um dos protagonistas da história que experimentou as duas fases do processo de êxodo: o rural e o urbano. Após passar vinte anos de sua vida em companhia dos pais no sítio São Tomé, zona rural de São Sebastião de Lagoa de Roça, resolveu buscar uma oportunidade nos grandes centros,  inicialmente em Campina Grande, pois o que plantava, quando colhia, só dava para comer. Foram seis anos em atividades como operário de fábrica de tecidos, cobrador de ônibus, e mais tarde, já em São Sebastião de Lagoa de Roça, como funcionário público municipal.
 
A vontade de retornar ao campo foi realizada em 2001, ainda no início da carreira de servidor público municipal, quando dividiu a carga horária de trabalho, com meio expediente na Unidade de Cadastramento de Propriedades da prefeitura e a outra metade ocupada com a criação de aves. “Hoje, apesar de morar na cidade com a família, e exercer um posto no legislativo municipal, me dedico de corpo e alma à causa e uso o cargo para fortalecer as pessoas que vivem da agricultura familiar no município”, destacou.
 
Projeto elaborado pela Emater

Robson revelou que a concretização do sonho do grupo que começou no negócio em com apenas 5 agricultores, depois 15 quando foi formada a cooperativa e hoje, com 60 pessoas, foi graças a um projeto elaborado pelo técnico da Empresa de Assistência Técnica e Extensão da Paraíba ( Emater-PB), Josué Vitorino da Silva, onde até hoje, a empresa vem prestando assistência técnica, capacitação e elaboração de novos projetos para investimentos através das linhas de investimentos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf A, B, Mulher, Semi-Árido e Jovem).
 
“Muitos deixaram a atividade rural por falta de condições e depois de experimentarem o dissabor da cidade grande com a ocupação de cargos de frentistas de postos de gasolina, garçons, cobradores de ônibus e mototaxistas, voltaram às origens por verem que agora tem uma oportunidade de viverem na terra em que nasceram. E outra grande vantagem, é saber que estamos contribuindo para a oferta de alimentos e segurança alimentar para milhares de brasileiros”, destacou o avicultor e presidente da Abap.
 
Ele disse ainda que apesar de haver o prenúncio de uma ‘seca verde’ por autoridades no assunto e meios de comunicação, o grupo de agricultores não vai sofrer com os efeitos do fenômeno, pois já possui uma reserva hídrica favorável que aliada ao nível de educação contribuirão para que esse ano não haja prejuízos no negócio.

Associação dispõe de 50 galpões

A Abap hoje conta com 50 galpões nas propriedades dos associados na zona rural de São Sebastião de Lagoa de Roça, Lagoa Seca, Esperança, Alagoa Nova e Campina Grande. A comercialização da produção é feita através de dois pontos de venda fixos no município e em Esperança que juntos vendem só de galinha de capoeira, 500 kg/semana e o restante da produção é comercializada para o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) da Conab e feiras livres. “Fui vítima do êxodo rural por não ter sustentabilidade no campo. Com os incentivos das políticas públicas, hoje tenho como ficar”, desabafou.

Robson completou que na hora da idéia e desenvolvimento dela, a primeira empresa a fazer parceria é a Emater. “Todas as discussões do grupo são apresentadas nas reuniões do Território da Borborema, no qual fazemos parte”, lembrou.

Conforme a assessora estadual da Emater-PB, Zilda Abrantes, além de ter atuado na organização do evento, no conjunto de políticas públicas articuladas pelos Territórios Rurais na Paraíba, a empresa hoje está presente nos colegiados territoriais da Zona da Mata Sul, Zona da Mata Norte, Borborema, núcleo técnico do colegiado da Zona da Mata Sul e relatoria da oficina do Poder de Colegiados Territoriais.

Documento elaborado ao final do evento

Na avaliação dos organizadores, o evento conseguiu superar todas as expectativas, tanto em quantidade, como em qualidade. “Com a entrega de uma carta, elaborada no final do evento propondo diretrizes e ações para o desenvolvimento da Paraíba, a partir da integração de políticas públicas, articuladas nos 15 territórios, esperamos que as autoridades e entidades parceiras, possam assumir as ações sugeridas”, destacou o delegado do Ministério do Desenvolvimento Agrário na Paraíba, Ranyfábio Cavalcante de Macêdo.

Da Assessoria de Imprensa da Emater-PB