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Evento reuniu internos, familiares e funcionários do Juliano Moreira

sexta-feira, 9 de outubro de 2009 - 15:38 - Fotos: 

Na manhã desta sexta-feira (9), aconteceu uma caminhada na orla marítima de João Pessoa com a participação de internos, funcionários e familiares do Complexo Psiquiátrico Juliano Moreira, que marcou o encerramento das atividades alusivas ao Dia Mundial de Saúde Mental, promovidas pela unidade. A concentração foi no final da Avenida Beira Rio, de onde as pessoas saíram com destino ao Busto de Tamandaré, na Praia de Tambaú. Durante todo o percurso, os participantes foram animados pela Banda de Música 5 de Agosto.

A caminhada dos internos do Juliano Moreira chamou a atenção de todos os que passavam pelo calçadão da praia e muitos pararam para ver e fazer fotos. O administrador de empresas, Paulo Roberto de Oliveira, disse que ficou surpreso quando tomou conhecimento de que os participantes eram portadores de distúrbios mentais. “É louvável uma atitude destas e, não sou médico, mas acredito que só faz bem para eles”, comentou.

Durante o percurso, os funcionários do Juliano Moreira e de Núcleo de Saúde Mental da Secretaria de Saúde do Estado aproveitaram para distribuir folders falando sobre saúde mental e os serviços prestados pelo complexo.

Alerta – Trinta por cento dos pacientes do Complexo são internados com transtornos causados por álcool de drogas e esse número vem crescendo a cada mês. A superintendente do órgão, Clélia Lucena de Andrade Gomes, explicou que já houve momentos em que número de internações por álcool e drogas superou em 20% o de transtornos mentais. Atualmente, há 237 pacientes internos na unidade, 30% deles com problemas causados por consumo de bebidas alcoólicas e outras substâncias químicas. O alerta foi feito nesta véspera do Dia Mundial da Saúde Mental.

Esse aumento de internações por causa de álcool e drogas levou a superintendência do Juliano Moreira a criar uma ala específica para tratar desses pacientes. Outra questão grave, segundo Clélia Lucena de Andrade Gomes, é que estas pessoas são jovens e estão em plena fase produtiva, de 20 a 30 anos.

Ainda de acordo com ela, dos 237 pacientes do Juliano Moreira, 20% são aqueles considerados de longa permanência e que estão no Hospital há muito tempo e 50% são os neuróticos graves, classificados como psicóticos, esquizofrênicos e maníacos depressivos.

Conforme a superintendente, o normal é que essas pessoas usuárias de álcool e drogas passem cerca de 20 a 25 dias internadas, mas há casos em que o período dura mais de um mês. “Isso depende muito da gravidade de cada de problema”, explicou.

Acompanhamento – Ela afirmou que só a internação não resolve o problema e que é preciso que sejam criados serviços substitutivos como casas de passagem, ambulatórios, albergues e Centros de Atenção Psicossocial (Caps), aonde essas pessoas, ao deixarem o hospital, recebam acompanhamento psicológico nesses locais e, com isso não voltem mais a se internar e possam até deixar o vício das drogas e do álcool. Para que esse trabalho aconteça, de acordo com Clélia Lucena, é preciso a união de vários setores da sociedade, a exemplo das secretarias de Ação Social, da Saúde, da Educação, Polícia Militar e Ministério Público.

Para ela, os motivos que levam uma pessoa a fazer uso de drogas e de álcool são, principalmente, problemas de ordem sócio-econômico, como o desemprego, e a desestruturação familiar. “Sem saída para esses e outros problemas, a pessoa procura refúgio nas substâncias químicas e na bebida alcoólica e isso pode levar a um transtorno mental”, disse a superintendente.

Ela disse também que a família desempenha um papel importante para evitar que jovens e adolescentes enveredem pelo mundo das drogas e do álcool. Para Clélia Lucena, se houvesse mais diálogo, carinho e amor entre pais e filhos, isso não aconteceria.  “A família tem que ficar vigilante para acompanhar todos os passos dos seus filhos e, com isso evitar, que o pior aconteça”, alertou a superintendente.

Da Assessoria de Imprensa da SES/PB