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Estudantes de Cabo Verde se despedem da UEPB

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010 - 11:31 - Fotos: 

A Universidade Estadual da Paraíba comemora a graduação da primeira turma dos alunos provenientes de Cabo Verde. Os estudantes ingressaram na UEPB em 2006, através da Coordenadoria Institucional de Programas Especiais, e em parceria com o Ministério da Educação de Cabo Verde, por meio de um Convênio de Cooperação Técnica. Agora, preparados para o mercado de trabalho, eles visitaram a UEPB para se despedir e agradecer à oportunidade concedida.

Quelita Gonçalves, de 22 anos, formada em Administração, já está de malas prontas para voltar a Ilha de Santiago. Porém, as amizades conquistadas na Rainha da Borborema, bem como a vivência destes quatro anos na UEPB, certamente não passarão indeléveis em sua memória, segundo revelou. "O curso é muito bom, os professores muito competentes e dedicados. Além disso, conheci pessoas que levarei para a vida", explicou.

Quelita também ressaltou a excelente acolhida da Universidade e dos membros que a compõem, bem como a calorosa receptividade dos campinenses. "Sou muito grata a Instituição, pela chance de ingressar numa universidade pública de qualidade, fornecendo subsídios para que eu possa progredir cada vez mais e, a toda cidade, que me recebeu de maneira muito gentil", contou.

Ao retornar a Cabo Verde, o que está previsto para acontecer no dia 07 de fevereiro, ela pretende prosseguir na carreira acadêmica e ingressar num mestrado em Administração Financeira. "Há pouco, foi fundada uma universidade pública lá e posso realizar este meu plano", explicou.

Planos, aliás, não faltam a jovem cabo-verdiana. Em Campina, Quelita conheceu e aprofundou-se no universo da música eletrônica, tendo, inclusive, sido DJ em festas noturnas e apresentando as canções populares de sua terra natal. Nesse sentido, a estudante ainda ingressou num curso local para aprimorar o talento recém-descoberto. "Gostaria de trabalhar nas duas atividades. Juntas, elas me completam", ressaltou.
 
O Quilombo Rabelados
  
Outro estudante, provindo de Cabo Verde, Bruno Jorge Lima Pinto, é estudante concluinte de História e, brevemente, colará grau após defender sua monografia sobre o quilombo “Rabelados”. Segundo Bruno, Rabelados é uma espécie de quilombo que até hoje se mantém em Cabo Verde e se recusa a mesclar-se com o “mundo moderno”. Vivem da terra, isolados e não tem acesso à televisão ou telefone. Jorge também fez sua pesquisa in loco, especialmente quando retornou ano passado ao seu país.
  
O que mais se conhece sobre os Rabelados é que representam uma comunidade religiosa que se encontra principalmente no interior da Ilha de Santiago, em Cabo Verde. Formaram-se a partir de grupos que se revoltaram contra as reformas à igreja católica introduzidas na década de 40, pelo governo colonial português, e se isolaram do resto da sociedade, correndo, hoje, risco de extinção.
  
O estudante ficou sabendo do convênio com o Brasil e UEPB pela televisão, e a partir daí se interessou e se inscreveu no programa. “Uma das maiores vantagens encontradas em Campina Grande é proporcionar um maior foco nos estudos. Neste sentido, valeu muito à pena vir estudar aqui”, afirmou Bruno, que já pensava em cursar História.
  
Apesar da quantidade de cabo-verdianos (mais de 20 alunos), nenhum se conhecia e vieram se encontrar aqui, estudando e morando em lugares próximos. Muitas vezes, inclusive, eles conversavam entre si no dialeto crioulo, típico de Cabo Verde.
  
Com relação à volta para seu país, ele fala: “Penso em trabalhar cerca de três anos e então começar a estudar para pós-graduação. E, quem sabe, nesse período eu possa voltar ao Brasil. Pretendo trabalhar como professor, especialmente porque há dois anos foi inaugurada a universidade pública de Cabo Verde, onde pretendo um dia ensinar”, disse.

Apesar de uma possível volta ao Brasil, esta seria de estudos ou lazer. “O meu maior intuito e também das outras pessoas que vieram pra cá é aprender, adquirir experiência para voltar e ajudar o nosso país a crescer. O objetivo é retornar para contribuir e desenvolver nosso trabalho lá”, afirmou o futuro historiador cabo-verdiano.

Ambos os estudantes também integraram o Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e dos Povos Indígenas (Neab-í), da UEPB. Uma das essências do Núcleo é refletir sobre a trajetória da população negra e indígena na sociedade brasileira e construir redes de saberes que possam visibilizar o papel e a importância destes povos.

Ascom/UEPB