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Estado inicia estruturação da rede de atendimento a portadores de anemia falciforme

quinta-feira, 14 de abril de 2011 - 12:06 - Fotos: 

Um grupo de cuidado às pessoas com doença falciforme está sendo formado na Paraíba. Com isso, será iniciada a estruturação da rede de atenção envolvendo laboratórios, hemocentros, hemonúcleos, maternidades e controle social. Os encaminhamentos foram discutidos nesta terça-feira (12) durante Encontro das Capitais do Nordeste para discussão sobre Doença Falciforme, realizado no Hotel Tambaú, em João Pessoa.

Segundo Adernanda Guimarães, da Coordenação de Atenção à Saúde Especializada da Secretaria de Estado da Saúde (SES), durante o encontro foi debatida a importância da implantação da política de atenção integral às pessoas com doença falciforme, a partir da implantação da política de atenção integral à saúde da população negra. “Essas políticas são fortes instrumentos para a potencialização do cuidado à população negra da Paraíba”, avalia Adernanda.

Participaram do evento representantes de secretarias estaduais de Saúde, do Ministério da Saúde, da Secretaria de Saúde de João Pessoa, além de representações da Câmara de Vereadores e da Associação dos Portadores de Anemia Falciforme da Paraíba.

Teste do pezinho – O Estado conta atualmente com 163 postos de coleta que fazem o teste do pezinho na fase 2 (exame que detecta a doença falciforme, além de fenilcetonúria e hipotireoidismo em recém-nascidos). Segundo dados fornecidos pelo Lacen/PB, no período de março de 2010 a fevereiro de 2011 foram realizados 39.093 exames e seis recém-nascidos foram diagnosticados com a anemia.

Apesar de existir uma rede que realiza os exames, falta ainda estruturar os locais para atendimento das pessoas com anemia falciforme quando estão em crise, apresentando fortes sintomas da doença.

“Estamos formando um grupo de trabalho que vai contar com representantes do Hemocentro, da Secretaria de Estado da Saúde, do Laboratório Central (Lacen/PB), do Hospital Arlinda Marques e da Associação Paraibana dos Portadores de Anemias Hereditárias (ASPPAH) para discutirmos a estruturação da rede de cuidado no Estado”, destaca Adernanda Guimarães.

Também será feito o mapeamento das comunidades quilombolas do Estado. “A doença falciforme atinge, sobretudo, a população afro-descendente. Por esta razão torna-se de fundamental a atenção às comunidades quilombolas”, afirma.

Atualmente, a referência para o atendimento as pessoas com Doença Falciforme é o Hemocentro da Paraíba, localizado em João Pessoa, que faz o acompanhamento de 96 pessoas com a doença falciforme.

Doença falciforme – A anemia falciforme é uma doença hereditária que afeta os glóbulos vermelhos. Nas pessoas que apresentam esta patologia, a hemoglobina dentro dessas células assume formato de foice ou meia-lua, enquanto a hemoglobina normal é arredondada e maleável. Por isso, essas células acabam ficando presas nos vasos sanguíneos, atrapalhando a circulação e provocando dor.

Ela é uma doença hereditária, mais comum na população negra ou de ascendência africana; uma pessoa pode herdar dos pais o gene característico da doença falciforme e, dependendo da combinação genética, este pode não apresentar a anemia, e sim um traço falciforme.

As pessoas que apresentam traço falciforme são saudáveis e, portanto, não precisam de tratamento porque a doença não se desenvolverá, entretanto, é necessário ter orientação e informação genética.