João Pessoa
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Especialista em tratamento de dependência química elogia programa de políticas sobre drogas

terça-feira, 25 de maio de 2010 - 16:43 - Fotos: 

Durante conferência realizada na noite desta segunda-feira (24), em João Pessoa, a psicóloga Maria Diamantina Castanheira dos Santos, uma das maiores especialistas do Brasil no tratamento de dependência química, conclamou a sociedade paraibana a se unir contra o uso indevido de substâncias químicas e enalteceu a iniciativa do Governo do Estado ao criar o Programa Estadual de Políticas sobre Drogas (PEPD/PB).

“Uma política realmente fantástica. Veio assumir uma missão importantíssima e ocupar um espaço que precisava ser preenchido há muito tempo. Com o apoio da sociedade, certamente vai alcançar êxito, reduzindo o quadro existente e evitando demandas muito maiores”, afirmou Diamantina. Ela foi convidada pelo gerente do PEPD/PB, Deusimar Guedes, para proferir uma palestra sobre Dependência Química, compartilhando sua experiência de quase trinta anos trabalhando com esse tema em São Paulo.

Prevenção – A especialista destaca que a chave para o sucesso da prevenção ao uso indevido de substâncias psicoativas é trabalhar para que os jovens tenham a percepção do risco causado pelas drogas, pois, comprovadamente, quanto maior for esse entendimento, menor o uso. E a prevenção só ocorre através das ações educativas freqüentes, não apenas ocasionais.

Nesse contexto, Diamantina cita a importância de que todos os professores, por exemplo, estejam em sintonia e debatam o tema em sala de aula, freqüentemente, em cada disciplina. “As palestras são importantes para formar multiplicadores, mas não adianta fazer uma única conversa com os estudantes e depois esquecer o assunto. Dessa forma, o aluno não vai fixar e compreender a gravidade do problema”, afirma, enfatizando ainda a necessidade de que o jovem ou adulto tenha a percepção do risco antes que entre na fantasia provocada pelo estágio inicial causado pela droga. Esse argumento ressalta a necessidade de se trabalhar o tema em todos os âmbitos, desde a família, escolas e empresas.

Tratamento – Para Diamantina, a dependência de substâncias químicas deve ser entendida como uma doença, e essa compreensão é o primeiro passo para perceber a gravidade do fato e iniciar o tratamento. “A família não pode se enganar e fingir que o problema não está acontecendo, porque ele só tende a se agravar. Quando a família entra em recuperação junto com o dependente, favorece e muito o tratamento”, conta.

Ela levantou ainda uma discussão quanto aos motivos que levam o cidadão a iniciar a experimentação às drogas, a primeira fase no caminho da dependência. “Costumo dizer que não são os problemas que levam ao uso das drogas, mas o uso das drogas que causa problemas”, constata, ao avaliar que muitos dependentes pertencem a famílias estruturadas. “Não existe regra ou predisposição para o usuário de drogas. Precisamos trabalhar para evitar o consumo e tratar o problema quando ele existe”, complementa.

A palestra de Diamantina foi proferida na Fundação Centro Integrado de Apoio ao Portador de Deficiência (Funad), diante de um auditório lotado por autoridades governamentais, técnicos da saúde, educação, membros de centros e associações que trabalham com dependentes químicos e paraibanos que já precisaram ou precisam enfrentar o problema diretamente.

Fabiana Nóbrega, Assessoria de Imprensa do PEPD-PB