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Especialista em políticas socioeducativas realiza palestra para equipe da Fundac

terça-feira, 12 de abril de 2011 - 18:02 - Fotos: 

O professor Paulo César Paes, da Universidade Federal do Mato Grosso Sul (UFMS),  ministrou na última quinta e sexta-feira (7 e 8) um seminário para a equipe da Fundação Desenvolvimento da Criança e do Adolescente (Fundac).  O objetivo do evento foi iniciar o processo de elaboração do Projeto Político Pedagógico (PPP) da Fundac, documento que será responsável pelas políticas de ressocialização direcionadas às crianças e aos adolescentes autores de atos infracionais em medidas de internação e internação provisória no Estado.

Nesse primeiro encontro, o especialista da UFMS e os socioeducadores da Fundac abordaram temáticas conceituais a respeito dos índices de atos infracionais praticados por crianças e adolescentes em todo Estado. Em seguida, os participantes traçaram estratégias para melhorar as políticas públicas direcionadas ao setor.

Segundo Paulo César Paes, é preciso que a sociedade dê a devida importância aos projetos que foquem na ressocialização. “As pesquisas mostram que no Brasil é cada vez maior o número de crianças e adolescentes autores de atos infracionais. E isso é o triste resultado da nossa realidade. Dessa forma, não podemos ser omissos a esse fato, muito menos utilizar recursos simples e da ordem do senso comum”, disse.

Para o professor, é preciso criar políticas públicas complexas e instrumentos de ação conjunta, com o pensamento fundamentado e orientado a médio e longo prazo. Paulo César Paes afirmou que os projetos políticos pedagógicos das instituições socioeducativas significam um instrumento de intervenção junto às crianças e adolescentes, às família desses jovens e a sociedade em geral.

“É preciso que a sociedade mude o olhar em relação a esses meninos e meninas. E eu não falo especificamente dos que já cometeram atos infracionais, mas também daqueles que vivem em um contexto propício ao aliciamento”, completou.

O professor destacou ainda a importância dos veículos midiáticos para o processo de ressocialização e cumprimento de políticas sociais, e citou um estudo realizado pela Agência de Notícias dos Direitos da Infância (Andi) que mostra que no Brasil o número de jovens que aparecem nas páginas policiais é duas vezes maior que nos cadernos de cultura, saúde, ou esporte, entre outros.

Para o professor, isso se dá porque mesmo com a criação do Estatuto da Criança e do Adolescente (Eca), a grande mídia continua a reproduzir códigos ultrapassados, o que prejudica a percepção da sociedade em relação ao problema. “A linguagem tem um poder de mobilização e formação, ao reproduzir conceitos errados, a mídia induz a sociedade a ter uma postura agressiva, preconceituosa e desinformada em relação ao processo de ressocialização”, afirmou.

No entanto, Paulo César Paes destacou ainda que esse é um problema presente não só na  esfera midiática, mas também no próprio setor judiciário e educacional. E complementou sua análise afirmando que é necessário uma mobilização social mais ampla e menos determinista a respeito das políticas de ressocialização, e disse que ações como o Projeto Político Pedagógico são um grande passo em relação a esses futuros avanços.