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Espaço Cine Digital vai exibir retrospectiva de Jean Rouch

sexta-feira, 9 de abril de 2010 - 09:09 - Fotos: 

O cineasta-antropólogo francês Jean Rouch, autor da obra mais importante de todos os tempos no campo do filme etnográfico, ganhou no ano de 2009 – Ano da França no Brasil – sua maior retrospectiva no país – comparável apenas à realizada pela Cinemateca Francesa, em 1999.

Pesquisadores e cinéfilos brasileiros tiveram a oportunidade de assistir a todos os filmes do autor em condições de serem exibidos e participar de colóquios bastante enriquecedores sobre sua obra, sua relação com a antropologia e com a linguagem cinematográfica. Noventa e um filmes foram exibidos e debatidos por pesquisadores de renome internacional nas cidades de São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Brasília.

No intuito de levar a um público maior esta obra essencial para a construção do cinema etnográfico, a Associação Balafon (proponente do projeto), com o patrocínio da Secretaria do Audiovisual e o Ministério da Cultura, estendeu a retrospectiva para mais sete capitais brasileiras, dentre elas João Pessoa.

Com parceria local da UFPB e da Fundação Espaço Cultural da Paraíba, o Espaço Cultural José Lins do Rego exibe, entre os dias 11 e 18 de abril, filmes do grande documentarista francês. Curtas-metragens e produções raras – a maioria inédita no Brasil – serão exibidos ao lado de clássicos do cineasta, como ‘A Pirâmide Humana’, ‘Pouco a Pouco e Jaguar’.

Sob a curadoria de Mateus Araújo Silva, o atual ciclo é uma versão reduzida da mostra de 2009. Com um conjunto de 37 filmes, divididos em 17 programas, Mateus delimitou um recorte mais conciso, mas não menos representativo da obra e do itinerário de Rouch nos aspectos temáticos, geográficos e nos valores estéticos.

Sobre Jean Rouch – Cineasta de mais de cem filmes e antropólogo de extensa obra escrita, Jean Rouch (1917- 2004) atravessou o século como se vivesse sete vidas cheias de facetas e paradoxos. Ele foi, ao mesmo tempo, eminência parda do cinema francês moderno, antropólogo africanista com Doutorado defendido na Sorbonne em 1952 sobre os Songhay, pesquisador do CNRS por anos a fio e autor da obra mais importante de todos os tempos no campo do filme etnográfico.

Como objeto privilegiado do seu trabalho, elegeu alguns países da África Ocidental (sobretudo Níger e Mali, mas também Costa do Marfim e Gana), dos quais nos deixou um acervo de imagens e sons sem paralelo. Mas também filmou muito na França e em outros países, revelando sempre, por onde tenha andado, curiosidade pelas diversas culturas e vontade de compreendê-las.

Seus filmes influenciaram a geração de cineastas da Nouvelle Vague e nos anos 60, ele fez parte de uma vertente do documentário que ficou conhecida como ‘cinema verdade’. Sua obra, diversas vezes premiada em Veneza, Cannes e Berlim, é composta de documentários etnográficos (‘Os Mestres Loucos’ e ‘Sigui sintese’), sociológicos (‘Crônica de um Verão’) e ficções (‘Eu, um Negro e Cocorico, Monsieur Poulet’).

Rouch inovou técnica, ética e esteticamente. Procurou tratar seus personagens como sujeitos e não apenas objetos do discurso fílmico. Na sua visão, o desejo de investigação do filme etnográfico oferece um ponto de convergência entre a subjetividade do criador e a objetividade do pesquisador – ou, de outro modo, entre arte e ciência. Em oposição a mestres da antropologia como Claude Lévi-Strauss (para quem o registro cinematográfico era “como um caderno de notas, que não deveria ser publicado”), Rouch entendia o documentário etnográfico como uma forma de estabelecer um diálogo com o sujeito do seu estudo, em vez de apenas descrevê-lo. Esta mudança de paradigma seria, para Rouch, uma maneira de contribuir para que a antropologia deixasse de ser “a filha mais velha do colonialismo”.

Serviço
Retrospectiva Jean Rouch
Onde: no Espaço Cine Digital (antigo Auditório Azul, anexo ao cine-teatro Banguê, no Espaço Cultural).
Quando: de 11 a 19 de abril de 2010, às 15h e 20h.
Quanto: Gratuito.
Programação disponível no site www.funesc.com.br.

Da Assessoria de Imprensa da Fundação Espaço Cultural