João Pessoa
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Escola fundada em 1836 formou personalidades de destaque na política, letras e artes do Estado

quarta-feira, 24 de março de 2010 - 16:46 - Fotos: 

O Liceu Paraibano, fundado em 1836, completa 174 anos de existência nesta quarta-feira (24). A sede atual foi inaugurada em 1937 pelo governador Argemiro de Figueiredo. Na mais tradicional escola pública da Paraíba estudaram no passado diversos jovens que se tornaram pessoas públicas na política, nas artes, e vários deles chegando ao cargo de governador do Estado. 

Pelos bancos do Liceu passaram o poeta Augusto dos Anjos, o economista Celso Furtado, a cantora Elba Ramalho, os governadores João Pessoa, Antonio Mariz, Ruy Carneiro, Argemiro Figueiredo, Ernani Sátyro, dentre outros, além do senador Humberto Lucena, o artista plástico Flávio Tavares, o cineasta Linduarte Noronha, vários desembargadores, os jornalistas Biu Ramos, Martinho Moreira Franco, a atriz Zezita Matos, o humorista Nairon Barreto, dentre tantos outros paraibanos.

O Liceu funcionou por 100 anos no antigo edifício da Tesouraria da Fazenda, que também foi sede dos Correios e Telégrafos e da própria Assembléia Legislativa. Em 1938, passou a funcionar em sua sede própria, na Avenida Getúlio Vargas, construída e inaugurada pelo governador Argemiro de Figueiredo. Em 1996, o Liceu foi reformado pelo governador José Maranhão para a implantação do Centro Paraibano de Educação Solidária (Cepes-JP-1), com a ampliação do setor didático-pedagógico.

O Liceu hoje tem 2.400 alunos, sendo mil no turno da manhã, mil à tarde e quatrocentos alunos no turno da noite. São 100 professores e 98 funcionários.

Marco – O secretário de Estado da Educação e Cultura (SEEC), Francisco Sales Gaudêncio, revela que o Liceu é um marco da educação escolar da Paraíba, “e abrigou, sob profícua orientação de mestres renomados, milhares de jovens que viriam contribuir com o desenvolvimento do nosso Estado, do Nordeste e do Brasil, em decorrência da formação que ali receberam”.

O tradicional Colégio, não obstante os desafios enfrentados pela expansão educacional ocorrida no Brasil, especialmente nos últimos anos, e pela busca da crescente e necessária qualidade do ensino lá ministrado, “continua uma referência na educação, onde o conhecimento permanece sendo partilhado, construído e revisado, contribuindo assim com a cultura, com o saber, enfim, com a educação da Paraíba”, acrescenta.

Sales Gaudêncio conclui com a seguinte mensagem: “aos que aprenderam e aos que ensinaram e àqueles que atualmente lecionam e estudam no Liceu apresento-lhes, como representante da Secretaria de Estado da Educação e Cultura, o reconhecimento e a esperança do povo paraibano, especialmente nesse momento de comemoração da data dos 174 anos da sua criação, como escola pública do Estado”.

Celso Furtado – “No Liceu Paraibano havia um seminário de confrontação de idéias e recordo-me de que fiz uma conferência, citei Max Beer e outros escritores de esquerda. Os integralistas caíram em cima de mim com críticas acerbas”. As declarações são do economista paraibano Celso Furtado, publicadas no ano 2000 na revista ‘Celso aos 80’, por ocasião do ‘Seminário Celso Furtado e o Pensamento Latino Americano’. O evento marcou os 80 anos do idealizador da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene).

Nascido aos 26 de julho de 1920, na cidade de Pombal, Sertão paraibano, Celso Furtado iniciou os estudos secundários no Liceu Paraibano em 1932, aos 12 anos de idade. Foi contemporâneo do jovem Ascendino Leite no colégio, mas concluiu os estudos em Recife (PE), no Ginásio Pernambucano, porque naquela época não havia no educandário de João Pessoa o curso completo. No Liceu, o futuro criador da Sudene aprendeu inglês e francês e, enquanto adolescente, foi um dos líderes do movimento de esquerda.

Augusto dos Anjos – O poeta Augusto dos Anjos iniciou os estudos de humanidades no Lyceu Paraibano, em 1900, aos 16 anos de idade. Lá se tornou amigo de Orris Soares, mais tarde fundador do jornal ‘O Norte’. Ele aprendeu as primeiras letras em casa no Engenho Pau-d’Arco, município de Cruz do Espírito Santo, e seu pai, Alexandre Rodrigues dos Anjos, foi seu professor. No Liceu, os mestres ficaram impressionados com os conhecimentos do adolescente, porque sem ter frequentado a escola regular, sabia mais que os outros colegas. A nomeação para o cargo de professor interino do Liceu Paraibano se deu em 1908 e ele lecionou por apenas dois anos. 

Em épocas passadas, no império e na República Velha, praticamente todos os homens públicos na Paraíba marcaram presença no Liceu Paraibano como alunos, professores ou diretores. Alguns se tornariam presidentes do Estado e o primeiro deles foi Antonio Alfredo da Gama e Melo, que governou a Paraíba de 1896 a 1900. Gama e Melo foi deputado estadual e federal em várias legislaturas e depois senador. Antes, na condição de vice, em 1880, foi presidente em exercício da Província.

Josélio Carneiro, da Secom-PB