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9 de abril de 2015

Escola Estadual utiliza cinema como ferramenta pedagógica



A Escola Estadual Professor Lordão, localizada na cidade de Picuí, promoveu, entre os dias 26 e 29 de março, o II Curta Picuí para os alunos do Programa Ensino Médio Inovador (Proemi). Foram oferecidas oficinas de fotografia e audiovisual, ministrada por profissionais de audiovisuais Saullo Dannylck e Allan Marcus Cavalcante, durante a programação organizada pela equipe de alunos da escola, foi realizada uma homenagem a atriz paraibana Marcélia Cartaxo e ao incentivador do cinema na cidade Adonias Gomes.

As oficinas tinham como objetivo desenvolver as habilidades dos alunos no manuseio de equipamentos profissionais além de produzir um curta. A aluna Josiedna Santos contou que foi muito interessante. “Aprendemos sobre fotografia, filmagem, direção de filmes, produção, roteiro e outras etapas”, enumerou.

Como resultado da oficina, o filme produzido narrava a luta de um jovem com Aids que sofria bullying e preconceito na escola. Com o título “Toque-me”, o curta metragem foi protagonizado pelos alunos Leonardo Menezes e Gabriele Dantas e exibido para toda escola. “Fizemos um filme muito interessante, bem produzido apesar de ter sido amador”, relatou Josiedna que atuou como uma das diretoras.

A escola também participou da 9ª Mostra de Cinema e Direitos Humanos no Hemisfério Sul exibindo filmes para alunos, pais e a comunidade na última quarta-feira (1º). A mostra faz parte de um programa do Governo Federal com objetivo de divulgar e incentivar a sétima arte, bem como do projeto Democratizando. Para tanto, é realizada uma seleção e os que cumprirem os requisitos do edital são selecionados; a Escola Professor Lordão foi a única na região contemplada com o projeto.

A sessão apresentou o filme “Cabra Marcado Pra Morrer”, que discute o papel do paraibano João Pedro Teixeira na liderança das ligas camponesas, permitindo uma reflexão sobre o golpe Militar de 1964 que completou 51 anos em 31 de março de 2015.

Antes da exibição, o professor de história, Robson Rubenilson, contextualizou o filme e provocou a curiosidade ao destacar o papel que João Pedro Teixeira exerceu na história do Brasil. Ao final foi realizado debate sobre os direitos humanos na época da ditadura, bem como a realidade atual.

Durante a exibição a escola garantiu as condições de acessibilidade, permitindo que todos tivessem oportunidade de assistir ao filme. Para José Josinaldo, presidente da Associação de Pessoas com Deficiência de Picuí, o filme foi muito importante, pois revelou uma história desconhecida pela maioria do povo paraibano. Segundo ele, uma das cenas mais importantes foi quando “o filho de João Pedro Teixeira dizia que nenhum regime político era bom, desde que o indivíduo não tivesse proteção política”, afirmou.

O filme emocionou também as professoras que se identificaram com a história de luta da viúva Elisabete Teixeira. Para o aluno João Joandson,  chamara atenção as práticas de torturas utilizadas pelos militares durante a ditadura militar no Brasil.

Os filmes que a escola ainda exibirá são “A Vizinhança do Tigre”, de Affonso Uchoa; “Cabra Marcado pra Morrer”, de Eduardo Coutinho, “Pelas Janelas”, de Carol Perdigão, Guilherme Farkas, Sofia Maldonado e Will Domingos; “Que Bom te Ver Viva”, de Lúcia Murat; “Rio Cigano”, de Júlia Zakia; e “Sophia”, de Kennel Rógis.

Projeto Democratizando –  É uma iniciativa integrante da  9ª Mostra Cinema e Direitos Humanos no Hemisfério Sul. Por meio do projeto, pontos de exibição de todo o país se inscreveram para receber os kits elaborados pela produção da Mostra; os kits contêm obras que buscam suscitar o debate sobre os Direitos Humanos em âmbito nacional. Além disso, os espaços inscritos poderão organizar palestras, workshops e outros tipos de encontro para discutir Direitos Humanos e outros temas relacionados.